"Porquê apenas na América?" O jornalista que fez a pergunta que se impunha a Ted Cruz

27 mai, 10:28
Ted Cruz participa em vigília pelas vítimas do massacre em Uvalde (Jae C. Hong/AP)

Senador republicano foi confrontado com a possível alteração da lei das armas, dizendo depois que o jornalista tinha uma agenda política. E acabou a abandonar a entrevista

Pouco mais de 72 horas após o massacre na escola primária de Uvalde, que tirou a vida a 19 crianças e duas professoras no Texas, a Associação Nacional de Armas (NRA, na sigla original) vai reunir-se naquele mesmo estado, em Houston, a poucas horas do local onde Salvador Ramos entrou para protagonizar mais um massacre nos Estados Unidos. Trata-se de uma organização conhecida por fazer lóbi e pressão política para que a lei das armas seja o mais livre possível, financiando as campanhas de vários congressistas.

No evento anual da NRA estão previstas as presenças de Donald Trump ou do governador do Texas Gregg Abbott, mas também do senador Ted Cruz. Três figuras proeminentemente defensoras das armas, e que estão a ser alvo de várias críticas por causa deste caso.

O senador republicano, que até já entrou numa corrida para ser candidato à presidência dos Estados Unidos, esteve em Uvalde a prestar homenagem às famílias. À sua espera estava um jornalista da Sky News, que fez várias perguntas sobre a legislação das armas, cuja reforma continua a ser rejeitada ou adiada no Senado, com senadores como Ted Cruz a votarem sistematicamente contra tentativas de haver mais controlo na forma como se comercializam as armas no país.

Já depois de ter abraçado e confortado os familiares das vítimas durante a vigília, Ted Cruz viu ser-lhe perguntado se seria este o momento ideal para fazer uma reforma à lei das armas. O senador referiu que “é fácil politizar a questão”, com Mark Stone a responder-lhe que esse é “o centro da discussão”.

“Percebo que seja por aí que a comunicação social goste de ir”, afirmou Ted Cruz, com o jornalista a responder-lhe depois que muitas das pessoas presentes na vigília fazem a mesma questão.

O senador ia então a dizer algo sobre as propostas democratas para situações como estas, em que “psicopatas matavm pessoas”, mas Mark Stone cortou-lhe a palavra: “Um psicopata violento que conseguiu ter uma arma tão facilmente, um jovem de 18 anos com duas AR-15”, disse, referindo-se às armas de assalto obtidas por Salvador Ramos no dia em que atingiu a maioridade.

Ted Cruz ainda disse que “nenhuma das propostas democratas teria prevenido isto”, mas o jornalista tocou na ferida: “Porque é que isto só acontece neste país? Porquê apenas na América?”.

“Sabe, lamento que pense que a exceção americana é terrível. Tem a sua agenda política. Deus ama-o”, respondeu o senador, tentando depois afastar-se, com o jornalista a questionar novamente porque é que Ted Cruz “não pensa que as armas são o problema”. 

“Porque é que estas pessoas de todo o mundo vêm para a América? Porque é o país mais livre, mais próspero e mais seguro na Terra. Pare de ser propagandista”, concluiu o senador, abandonando a entrevista.

Esta quarta-feira, o senador, em declarações na Fox News, já tinha apontado as culpas do massacre em Uvalde para outra causa: “Uma coisa com a qual todos concordam é não termos todas as portas das traseiras destrancadas. Ter apenas uma porta para entrar e sair da escola e ter aí polícias armados”.

“Se isso acontecesse, se os subsídios federais tivessem ido para esta escola, quando aquele psicopata chegou, polícias armados tinham-no parado e 19 crianças e dois professores ainda estariam vivos”, afirmou.

Estas palavras mereceram várias críticas de representantes democratas no Congresso, como Alexandria Ocasio-Cortez ou Ruben Gallego, mas foi um jornalista que conseguiu fazer Ted Cruz quase perder a cabeça.

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