Um jovem de 18 anos entrou a disparar numa escola primária no Texas. E o resto são "thoughts and prayers"

25 mai, 00:23

Mais um tiroteio em massa nos Estados Unidos, o mais mortal numa escola primária desde o de Sandy Hook. Dezanove crianças e dois professores morreram, além do atirador. Os habituais "pensamentos e orações" já estão a dar lugar à pressão por mais restrições à posse de armas

Pouco depois do meio-dia, horal local, Salvador Ramos entrou na escola primária de Robb, em Uvalde, no Texas, com um revólver numa mão e, muito provavelmente, uma espingarda na outra. E começou a disparar indiscriminadamente. “Ele atirou e matou, de forma horrível, incompreensível, 18 alunos e um professor”, disse o governador Greg Abbott em conferência de imprensa. Há também "vários feridos", em número ainda não determinado oficialmente. Entretanto, o número de vítimas mortais voltou a aumentar: 19 alunos e dois professores.

Acabado de regressar de uma viagem à Ásia, Joe Biden reagiu numa declaração emocionada, ladeado pela mulher. "Estou farto e cansado disto. Temos de agir", disse o presidente dos EUA, apontando o dedo ao lóbi das armas. "Este é o momento de por esta dor em ação", pediu Biden, numa referência à histórica dificuldade de legislar no sentido de limitar o acesso dos cidadãos norte-americanos a todo o tipo de armas.

Este foi o tiroteio mais mortal numa escola na história do Texas, EUA, e ocorreu quatro anos após a morte de 10 pessoas na Escola Secundária de Santa Fé, em Houston. E foi também o tiroteio mais mortal numa escola primária desde o de Sandy Hook, no Connecticut, em 2012, que resultou em 28 mortos: 20 crianças e oito adultos.

O ataque à escola primária ocorreu em Uvalde, uma pequena cidade, com cerca de 16 mil pessoas, localizada a cerca de 130 quilómetros de San Antonio. A cidade fica a 120 quilómetros da fronteira com o México. A Robb Elementary fica num bairro predominantemente residencial, de casas modestas. Há uma casa funerária do outro lado da rua da escola, que tem quase 600 alunos. 

LEIA TAMBÉM: Quem era Salvador Ramos, o jovem que tirou a vida a 19 crianças no Texas?

O atirador era um rapaz de 18 anos, morador de Uvalde. Sabe-se que era “aluno da Escola Secundária de Uvalde e um cidadão americano”, esclareceu Abbot. Embora ainda não se saiba a ligação, o jovem atirou sobre a avó mesmo antes de se dirigir para a escola.

As autoridades acreditam que agiu sozinho. “Pensa-se que ele tenha abandonado o seu veículo e entrado na Escola Primária Robb em Uvalde com uma pistola, poderia também ter uma espingarda." Salvador Ramos foi depois morto pelos polícias deslocados para o local.

"Parece que dois polícias que foram chamados ao local foram atingidos por balas, mas não sofreram ferimentos graves", afirmou o governador, salientando que as autoridades locais vão receber todos os recursos necessários para investigar o sucedido. O caso está a ser investigado também com o auxílio do FBI.

"O que aconteceu em Uvalde é uma tragédia horrível que não pode ser tolerada no estado do Texas. Há uma ação rápida a ser levada a cabo pela polícia local", disse o governador Greg Abbott aos repórteres. 

“Não há palavras para descrever o quão horrível isto foi”, disse o senador republicano do Texas John Cornyn, pouco depois do incidente. "Ainda estamos a tentar obter uma imagem clara do que aconteceu e qual foi a motivação” que esteve na origem do ataque. 

"Quantas crianças mais têm de perder a vida por causa da violência armada sem sentido?”

O presidente da câmara de Houston, Sylvester Turner, divulgou um comunicado após o tiroteio, no qual dizia estar "com o coração partido e preocupado ao saber sobre o trágico evento de hoje" e apelava a uma legislação que imponha mais restrições à posse de armas.

“As minhas mais profundas condolências vão para as famílias, professores e colegas de turma que estão a enfrentar essa tragédia indescritível. Nas últimas duas semanas, pelo menos 23 pessoas perderam a vida em tiroteios em massa em Buffalo, Nova Iorque, e agora em Uvalde, Texas. O congresso deve agir, e os governadores e legisladores federais devem aprovar uma legislação razoável de controlo de armas. Os eleitores devem exigi-lo de seus representantes. Quantas crianças mais têm de perder a vida por causa da violência armada sem sentido?”

Também a antiga candidata presidencial e primeira-dama Hillary Clinton pediu uma legislação mais restritiva. "Depois de anos de nada mais, estamos a tornar-nos uma nação de gritos angustiados. Simplesmente precisamos de legisladores dispostos a travar o flagelo da violência armada na América que está a assassinar as nossas crianças", escreveu Hillary, no Twitter.

A presidente da Câmara dos Representantes Nancy Pelosi pediu ao congresso que promulgue uma reforma bipartidária de armas esta terça-feira, chamando a legislação proposta de "senso comum" e de "salva vidas". "As palavras são inadequadas para descrever a agonia e a indignação pelo massacre a sangue frio de crianças em idade escolar e de um professor da Robb Elementary School hoje", disse Pelosi em comunicado. "Este tiroteio monstruoso roubou o futuro de crianças preciosas, que nunca experimentarão as alegrias de se formar na escola, perseguir a carreira de seus sonhos, apaixonarem-se e até mesmo começar uma família", acrescentou.

"Os corações de todos os americanos estão partidos enquanto oramos pelas famílias que vão ficar para sempre despedaçadas e uma comunidade deixada para sempre marcada pela dor indescritível de perder um ente querido", concluiu Nancy Pelosi.

Artigo atualizado às 02:31, com a reação de Joe Biden; e às 03:40, com mais duas vítimas mortais

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