“Quando marchamos por Nahel, marchamos por todos os outros que não têm câmaras. Quantos é que eles assassinaram?": um milhar de pessoas em homenagem ao jovem morto pela polícia (e há um agente detido por isso)

CNN Portugal , MJC/AM
29 jun 2023, 13:46

Agente da polícia que matou Nahel acusado de homicídio culposo e detido preventivamente

A polícia lançou gás lacrimogéneo sobre alguns dos participantes da "marcha branca" em Nanterre. De acordo com os jornais franceses, cerca das 15:45, em frente à sede do município, ocorreram os primeiros distúrbios naquela que devia ser uma marcha pacífica de homenagem a Naehl, o jovem morto pela polícia na passada terça-feira.

Alguns manifestantes partiram vidros de janelas e a polícia ripostou com gás lacrimogéneo. Os manifestantes começaram a atirar projéteis contra os agentes.

Um milhar de pessoas reuniu-se pelas 14:00 no bairro de Pablo-Picasso, em Nanterre, para prestar homenagem a Nahel.  A "marcha branca" foi convocada por Mounia, a mãe Nahel, que encabeçou o desfile até à sede do município de Hauts-de-Seine. "Justiça por Nahel", lia-se na sua blusa - porque além de uma homenagem ao jovem de 17 anos morto à queima-roupa por um polícia, este é também um protesto contra a violência policial e a discriminação recorrente na forma como os agentes das autoridades tratam os residentes dos subúrbios de Paris, sobretudo os que pertencem a minorias étnicas.

“Vamos mostrar-lhes que não somos selvagens”, dizia um organizador ao microfone. "Vamos caminhar com calma, pelo Nahel e por todos os jovens que nos deixaram.” Os manifestantes pareciam querer distanciar-se dos tumultos das últimas noites. A multidão aplaudiu e cantou "Justiça para Nahel". 

“Quando marchamos por Nahel, marchamos por todos os outros que não têm câmaras. Quantos eles assassinaram?", pergunta Assa Traoré, irmã de Adama, morto por guardas em 2016.

Autoridades e políticos eleitos também participaram na marcha, incluindo Manuel Bompard, coordenador de La France Insoumise, e Marine Tondelier, líder da Europa Ecologie-Les Verts (EELV). “Esta marcha branca é um momento de recolhimento e luto para a família, é importante respeitá-la”, afirmou a deputada da EELV por Nanterre, Sabrina Sebaihi.

Segundo a Câmara Municipal de Nanterre, mais de 6.200 pessoas manifestaram-se a partir das 14 horas em Nanterre.

Agente da polícia acusado de homicídio culposo e detido preventivamente

O agente da polícia que baleou mortalmente Nahel M. foi acusado de homicídio e ficou em prisão preventiva, avança o Le Monde.

"O agente da polícia, hoje referenciado no âmbito de um inquérito judicial por homicídio voluntário, foi acusado de homicídio e colocado em prisão preventiva", refere um comunicado de imprensa do Ministério Público de Nanterre.

Em entrevista à France5, a mãe de Nahel afirma que não está ressentida com as forças policiais, mas sim com o agente que disparou contra o filho.

"Eu não culpo a polícia", afirmou Mounia, acrescentando, no entanto, que o agente "não tinha que matar" Nahel. "Ele viu a cara de um árabe, um jovem, e quis tirar-lhe a vida". 

Segundo fonte policial, sete pessoas foram detidas na região de Paris e em Hauts-de-Seine, Seine-Saint-Denis e Val-de-Marne.

Recolher obrigatório nos arredores de Paris

Perante a onda de violência que assola os arredores de Paris, mais de 40 mil polícias foram destacados para tentar conter a multidão, tendo sido decretado o recolher obrigatório em algumas zonas da capital.

Na zona de Clamart, a sudoeste de Paris, o recolher obrigatório vai estar em vigor entre as 21:00 e as 6:00 de quinta-feira a segunda-feira.

Outra das medidas foi a suspensão de transportes públicos, como é o caso da cidade de Lille, onde a partir das 20:00 autocarros e elétricos deixarão de circular, e de Clermont-Ferrand, onde não haverá serviço de transportes públicos após as 22:00

 

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