Polícia que matou jovem de 17 anos investigado por homicídio voluntário em França

CNN Portugal , MJC - notícia atualizada às 12:05
29 jun, 11:13

Ministério Público considera que o uso da arma de fogo por parte do agente não tem justificação legal e pede prisão preventiva

O polícia francês que na terça-feira matou a tiro um jovem de 17 anos em Nanterre, subúrbio de Paris, está a ser formalmente investigado por homicídio voluntário, anunciou o Ministério Público de Nanterre.

As autoridades decidiram abrir a investigação por homicídio voluntário e pedir a detenção preventiva do agente por considerarem que o uso da arma de fogo naquela situação não terá justificação legal. “Após as investigações e os elementos recolhidos, o Ministério Público considera que não estão reunidas as condições legais para o uso da arma. Consequentemente, no final da sua custódia policial, o polícia em causa (…) foi apresentado [quinta-feira] a dois juízes de instrução”, disse o procurador do Ministério Público francês, citado pelo Le Monde.

Pouco depois, Gérald Darmanin, ministro do Interior, declarou  ter solicitado a suspensão administrativa do polícia autor do disparo, paralelamente ao processo judicial em andamento.

A polícia inicialmente disse que o jovem teria conduzido em direção aos agentes, numa tentativa de atropelamento, afirmando que o agente disparou em legítima defesa. Mas um vídeo publicado nas redes sociais desmentiu essa versão.

De acordo com a acusação, citada pela imprensa francesa, após audições de testemunhas, dos agentes da polícia e do segundo passageiro da viatura, mas também da análise de imagens de videovigilância e vídeos partilhados nas redes sociais, apurou-se que os agentes avistaram a viatura Mercedes por volta das 7: 55:00. "O veículo estava a viajar em alta velocidade numa uma faixa de transportes públicos".

Durante todo o percurso, o carro terá cometido diversas infrações de trânsito. Percebendo a "aparentemente pouca idade do motorista", a polícia tentou parar o veículo pela primeira vez num sinal vermelho, mas ele reiniciou a marcha. Segundo as audições da polícia, o Mercedes teria, nomeadamente, posto em perigo "um peão e um ciclista". "Descendo para o lado e atrás do veículo, os polícias afirmam ter gritado. Eles especificam que ambos sacaram as suas armas para apontar para o motorista a fim de dissuadi-lo de reiniciar", descreve a acusação. Quando o veículo arrancou, o agente que estava ao lado do carro disparou uma vez.

"O responsável pelo disparo prestou os primeiros socorros ao condutor e deslocaram-se reforços ao local, assim como os bombeiros, contactados às 8h21 (…) a morte foi confirmada às 9h15."

Segundo o relatorio da autópsia, realizada esta quarta-feira, o jovem Nahel morreu "de um único tiro atravessando o braço esquerdo e o tórax da esquerda para a direita". O polícia em questão justificou sua ação pelo "desejo de evitar outra fuga", pela "perigosidade da condução do motorista" e pelo "medo de ser atropelado no movimento do carro". Os dois agentes dizem que se sentiram "ameaçados pela proximidade do muro". O Ministério Público especifica que as buscas no carro "não permitiram encontrar nenhum objeto perigoso ou entorpecente".

O incidente originou protestos, sobretudo de jovens dos subúrbios de Paris que acusam a polícia de tratar discriminadamente a população racializada dos bairros sociais. Depois de duas noites de manifestações, com confrontos com a polícia, as autoridades francesas temem um escalar da violência. O presidente Macron convocou um gabinete de crise para avaliar a situação.

Relacionados

Europa

Mais Europa

Patrocinados