Catalunha: Independentistas perdem maioria após 14 anos, Socialistas vencem

Agência Lusa , PP (atualizado às 22:52)
12 mai, 19:35
O candidato socialista Salvador Illa com Pedro Sánchez, primeiro-ministro espanhol, no último comício (EPA/Lusa)

Os socialistas venceram as eleições de hoje na Catalunha, mas sem deputados suficientes para governarem sozinhos, segundo várias sondagens, que também não dão como garantida a maioria absoluta que partidos independentistas têm há 14 anos na região

Os partidos independentistas perderam a maioria que tinham no parlamento da Catalunha nas eleições regionais deste domingo, que os socialistas venceram, segundo dados oficiais quando estavam contados 90% dos votos.

Os três partidos independentistas que desde há 14 anos têm maioria no parlamento autonómico e se aliam para viabilizar sempre governos independentistas, deverão eleger este ano cerca de 60 deputados. Para a maioria absoluta são necessários 68.

Trata-se da Esquerda Republicana da Catalunha (ERC, esquerda, atualmente à frente do governo regional), do Juntos pela Catalunha (JxCat, de direita) e da Candidatura de Unidade Popular (CUP, de esquerda).

Já o Partido Socialista da Catalunha (PSC) deverá superar os 40 deputados e passará a ter o maior grupo parlamentar na assembleia regional. Precisará, no entanto, de acordos com outros partidos - de governo ou parlamentares - para ficar com o poder.

Sánchez destaca "resultado histórico" dos socialistas

O líder do PSOE, Pedro Sánchez, aplaudiu já o "resultado histórico" dos socialistas nas eleições regionais da Catalunha, que venceram, mas longe da maioria absoluta, considerando que abre "uma nova etapa" para "melhorar a vida dos cidadãos" na região.

Numa mensagem publicada na rede X, o presidente do Governo espanhol felicitou o líder do Partido Socialista da Catalunha (PSC), Salvador Illa, por "este histórico resultado conseguido na Catalunha".

Quando estavam contados 99% dos votos, os socialistas catalães tinham conquistado quase 870 mil votos e 42 deputados no 'Parlament' (para a maioria absoluta são precisos 68 eleitos).

"Os socialistas voltam a ser a primeira força. A partir de hoje, começa uma nova era na Catalunha para melhorar a vida dos cidadãos, alargar os direitos e reforçar a convivência", declarou Sánchez.

O líder socialista escreveu ainda, em catalão: "A Catalunha está preparada para concretizar um novo futuro e para viver um tempo de esperança".

Puigdemont em segundo lugar e pronto para formar "governo sólido"

O líder do Juntos pela Catalunha (JxCat), Carles Puigdemont, segundo classificado nas eleições catalãs, declarou entretanto estar pronto para formar um "governo sólido" e desafiou a Esquerda Republicana da Catalunha, no terceiro lugar, a refletir sobre "os efeitos da desunião".

Numa declaração em catalão, a partir do sul de França, uma vez que tem pendente sobre si um mandado de captura em Espanha, o ex-presidente autonómico afirmou que se a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) "estiver disposta a entrar nesta reflexão sobre os efeitos da desunião e da falta de estratégia comum" dos independentistas, o seu partido também o estará.

Puigdemont declarou-se em "condições de construir um governo sólido" e disse que irá dedicar "as próximas horas e dias" a esta tarefa.

o JxCat (centro-direita) alcançou 35 deputados no 'Parlament' catalão, mais três que em 2021, com 21,64%, quando estavam escrutinados quase 99% dos votos.

O líder do JxCAt criticou a possibilidade de um chamado "governo tripartido" das esquerdas - entre os Socialistas, que venceram as eleições catalãs, a ERC, que estava até agora no Governo, e o Comuns Somar-, que teriam "uma maioria tão justa".

"Continua a ser uma má opção para o governo da Catalunha", considerou.

Socialista Salvador Illa garante que vai liderar novo governo

O socialista Salvador Illa, que venceu as eleições sem maioria absoluta, disse que a região decidiu abrir uma nova etapa após 14 anos de governos separatistas e garantiu que vai liderar o próximo executivo autonómico.

Sem revelar se e com quem pretende negociar a viabilização do governo, Salvador Illa destacou que o Partido Socialista da Catalunha (PSC) venceu de forma destacada as eleições, ao eleger 42 deputados num parlamento com 135 lugares.

“Os catalães decidiram que cabe ao PSC liderar esta nova etapa", afirmou, na sede do partido em Barcelona, perante os aplausos de algumas dezenas de apoiantes.

Illa sublinhou ainda que é a primeira vez na história que o PSC, simultaneamente, ganha em votos e em deputados numas eleições autonómicas catalãs, insistindo por diversas vezes em que a região "abriu hoje uma nova etapa".

Para Salvador Illa, um dos "muitos fatores" que explicam a vitória do PSC na Catalunha é a política que o primeiro-ministro de Espana e líder do Partido Socialista Espanhol (PSOE), Pedro Sánchez, adotou para a região.

À frente do Governo de Espanha desde 2018, Sánchez concedeu indultos aos separatistas condenados pela tentativa de autodeterminação de 2017, mudou o código penal para acabar com o delito de sedição de que outros estavam acusados e avançou agora com uma amnistia que está prestes a ser definitivamente aprovada.

Em troca, os dois grandes partidos independentistas catalães viabilizaram sucessivos governos de Sánchez.

O PSOE e Sánchez têm insistido em que estas medidas têm o objetivo de "recuperar a convivência" na Catalunha e entre a Catalunha e o resto de Espanha, depois da tentativa de autodeterminação de 2017.

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