10 dicas para conseguir mesmo "desligar" nas férias (e inclui não usar redes sociais)

29 jul, 07:00
São várias as estratégias a ter em conta para conseguir desligar nas férias, mesmo que não o possa fazer a 100% (Unsplash)

Longe vão os tempos em que ir de férias era sinónimo de um verdadeiro "dolce far niente". Mas está na hora de voltar a conseguir desligar - e temos dicas para quando nem sempre o trabalho o permite

Uma notificação de um e-mail do trabalho à distância de um clique, um grupo de WhatsApp com dezenas de colegas que não para de tocar, um chefe que liga a qualquer hora. Este cenário é-lhe familiar mesmo quando está de férias? Então está na hora de aprender a desligar - mesmo que não seja possível fazê-lo a 100%.

Desligar é mesmo o termo correto, é mesmo desligar, abstrair-se o máximo possível de tudo o que fica. O período de férias é suposto ser um momento de descontração, lazer, relaxamento, de estar com os seus”, começa por dizer Marta Martins Leite, psicóloga clínica.

Numa altura em que as rotinas são cada vez mais apressadas e o tempo e espaço que separam a vida laboral da vida pessoal são ténues e nem sempre percetíveis, importa olhar para as férias como um objetivo a alcançar. E, para isso, é preciso parar para pensar e planear. Marta Calado, mestre em Psicologia Motivacional e Psicoterapeuta HBM, diz que para ser possível ‘desligar’ realmente durante as férias, o planeamento é fundamental e sem ele poucas ou nenhumas estratégias e dicas serão benéficas.

É muito importante percebermos que, tal como planeamos o trabalho e rotinas laborais, temos de planear o nosso descanso, precisamos de direcionar e disciplinar a nossa mente para usufruir da melhor forma do descanso. Mas nem sempre é fácil esquecer responsabilidade e afazeres, o que pode causar stress”, reconhece a também diretora clínica da Clínica da Mente.

O que fazer antes de ir de férias?

Planear, executar e delegar. Estes são os três verbos que, para as duas psicólogas, ajudam a que a pessoa consiga ir de férias com a mente livre de questões laborais. “O importante é preparar [as férias] com a antecedência possível”, diz Marta Calado, referindo-se não apenas ao planeamento das férias em si - que quando feito em cima da hora causa stress e desconcentração e muitas vezes gastos desnecessários que, por si só, são motivo de mais stress - mas também do próprio trabalho para que nada sobre para as férias, nem mesmo a hipótese de o seu chefe lhe telefonar. 

“Devemos informar da nossa ausência por e-mail e da forma como podemos ser contactados, que pode ser remeter [o contacto] para algum colega, colocar o e-mail com respostas automáticas e manter isso durante o primeiro dia de regresso trabalho, para nos podermos organizar no pós-férias, para estar com os colegas, analisar com calma os e-mails”, continua Marta Calado.

Para Marta Martins Leite, “o ponto principal é deixar o máximo de tarefas laborais realizadas, tudo o que for possível adiantar e não deixar tarefas pendentes”. Mas mesmo quando isso não é possível, há uma forma de não levar ‘restos’ para as férias: delegar. “Se houver tarefas que necessitem de atenção, supervisão, a pessoa não ter medo de delegar para outros colegas, é suposto trabalharmos em equipa e confiar no trabalho de quem fica. E isto para não ir com o pensamento no trabalho, levar computadores é um erro gigantesco”, destaca a psicóloga.

O que fazer para desligar?

Conseguiu delegar ou deixar todas as suas tarefas concluídas e mesmo assim a sua mente só pensa em trabalho, trabalho e mais trabalho? Então está na hora de procurar preencher o seu dia de férias com atividades que lhe são prazerosas - e que podem incluir o simples facto de ficar numa espreguiçadeira horas a fio a ler um livro, um jornal ou uma revista.

A psicóloga Marta Martins Leite defende que “as férias devem funcionar sobretudo para fazer atividades em família, coisas que não faz ao longo do ano, desejos pessoais do dia-a-dia, como aprender a fazer surf ou mergulho, caminhar à beira mar, que é tão importante”.

E não faltam dicas para ocupar o tempo e a mente: “Ver filmes e séries, aproveitar o tempo livre para ouvir um podcast, atualizar as playlists de música caso se faça caminhadas sozinho ou relaxar com as músicas que apela ao bem-estar”, acrescenta Marta Calado.

O verão é marcado por períodos de férias mais longos, muitas vezes fora da área de residência, mas Marta Leite diz que “todas estas estratégias se aplicam, de uma forma mais intensa, em períodos de férias mais pequenos”, como fins de semana prolongados. “O telemóvel desliga-se na sexta e liga-se na segunda-feira, se é para descansar é para descansar. Não adianta ir descansar três dias e vir pior, quanto menos tempo de férias tem, mais atenção deve dar ao descanso”, frisa a psicóloga.

Quando são períodos mais longos de férias, “sempre que possível, a pessoa deve ter um telemóvel só para a família e amigos, sobretudo em empregos desgastantes, para evitar as chamadas e os e-mails”, aconselha Marta Martins Leite.

Uma vez que as novas tecnologias fazem com que o trabalho penetre mais facilmente na vida pessoal, Marta Calado dá um conselho simples: “Quem tem mesmo um telemóvel de trabalho deve deixá-lo em casa, para algumas pessoas, às vezes, é difícil respeitar o pedir para não ser contactado”. E sobre este ponto, a psicóloga acrescenta mais conselhos: “Desligar as notificações e aplicações associadas ao trabalho, como Whatsapp de grupos de trabalho, e descarregar aplicações de meditação, mindfulness, aproveitar as férias para ler, descansar, fazer sestas. O cérebro precisa de recompor as energias”.

Mas não são apenas as notificações e aplicações profissionais que devem ser deixadas de parte durante as férias, os próprios telemóveis em si também. Tanto Marta Calado como Marta Martins Leite apelam àquilo a que se chama ‘detox digital’: passar o menos tempo possível junto de tecnologias, fazer um ‘jejum’ de redes sociais e de plataformas de chat. “A pessoa deve fazer um detox do telemóvel, deixá-lo em casa quando se vai à praia, trocar por um livro, por exemplo”, diz a psicóloga Marta Calado, que aconselha também a um “detox de redes, de ver e mostrar”.

“O marketing digital tem muita influência, queremos corresponder ao padrão de férias dos outros, temos o impulso quase inconsciente de mostrar o cocktail, as fotografias da piscina, da praia, do evento turístico e isso faz com que coloquemos de parte o ponto de vista neurológico de tirar boas memórias, o sentir os cheiros, observar, sentir as emoções. A pessoa deve procurar divertir-se, caso contrário, não cria boas memórias, não cria emoções relacionadas com uma mente plena e sã, com o libertar a mente o corpo”, diz a especialista.

As férias fazem sempre diferença, mas a maneira como a pessoa encara as férias é crucial, como trata as férias”, frisa a psicóloga Marta Martins Leite.

E para que as férias sejam de total relaxamento e reposição de energias, Marta Calado aconselha ainda a “manter as rotinas de sono, fazer exercício e ter uma boa alimentação, beber muita água”.

E quando se é chefe ou não se pode/consegue delegar tarefas importantes?

“É muito importante quando são cargos em que exige computador e telemóvel, definir dias e horas para o trabalho, sobretudo de manhã, para terem o resto do dia para relaxar e à noite ficam mais tranquilos”, diz Marta Martins Leite.

Marta Calado concorda com o planeamento e diz que a pessoa deve “decidir uma hora do dia para ver e-mails”, mas “nunca o fazer antes de ir dormir”.

Quando uma pessoa vai de férias e sabe que tem de consultar o e-mail ou fazer alguma chamada a determinado momento do dia, pode não ser fácil desligar de todo e, nestes casos, diz Marta Calado, o ideal é “programar o que se vai fazer durante o dia para manter a mente ocupada e distraída, e assim vai distanciar-se dos alertas profissionais”.

Eis o que deve fazer para desligar a mente nas férias

  1. Deixar o máximo de trabalho feito antes de ir de férias;

  2. Delegar e confiar em quem fica caso haja tarefas que não ficaram concluídas;

  3. Não levar computador;

  4. Desligar o telemóvel da empresa ou ter um apenas para família ou amigos;

  5. Se não for possível desligar totalmente, planear bem o equilíbrio entre o descanso e trabalho. “Deve programar o que se vai fazer durante o dia para manter a mente ocupada e distraída, e assim vai distanciar-se dos alertas profissionais”, aconselha Marta Calado;

  6. Fazer um detox digital (sobretudo de redes sociais);

  7. Realizar tarefas que ficam ‘esquecidas’ por falta de tempo no dia-a-dia, “como aprender a fazer surf ou mergulho, caminhar à beira mar, que é tão importante”, exemplifica Marta Martins Leite;

  8. Fazer atividades novas, sobretudo em família. “A pessoa deve envolver-se na atividade dos mais novos, como badminton, vólei, e até mesmo com outras pessoas no hotel”, aconselha Marta Calado;

  9. Apostar em momentos de relaxamento, como dar caminhadas junto ao mar, ler, fazer festas ou usar aplicações de meditação e mindfulness;

  10. Manter as boas rotinas de sono, alimentação e atividade física.

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