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Coordenadora Digital CNN Portugal

O Combate dos Chefes (Dia 5): quem vai à guerra, deserta e leva

21 jan, 08:48
António Costa e Rui Rio no quinto dia de campanha

Rui Rio faltou ao debate das rádios e António Costa chegou atrasado. O tempo é pouco em campanha eleitoral, sobretudo com o campeonato das sondagens mais renhido. Alguém pediu uma pasta? Há quem esteja a oferecer, é aproveitar

Os indecisos podem ser vistos de duas formas: por um lado, são os que pensam demasiado nas coisas. Num grupo de amigos, há sempre quem empate aquele jantar entre todos com uma quantidade exagerada de sugestões de restaurantes (por favor, deixa lá esse sushi vegetariano da parte Norte do Vietname que tem um menu imersivo para comer exatamente às 21h53). Por outro, são os que deixam tudo para o fim. Nestas eleições legislativas, por exemplo, são mais de 20%.

Captar o voto dos indecisos sempre foi uma tarefa que PS e PSD gostaram de assumir. Isso e o apelo ao voto útil, mas calma, ainda estamos na primeira semana de campanha, daqui a uns dias falaremos – ou eles falarão - disso. Daí que António Costa e Rui Rio vão diversificando as estratégias para os convencer: afinal de contas, toda a gente gosta de um bom indeciso do seu lado. O voto vale o mesmo para todos, mas imaginem conseguir que alguém decida votar no seu partido quando já pensou votar noutro que alegadamente defende coisas completamente diferentes. Até deve saber melhor.

Ontem, no último debate entre todos os partidos com assento parlamentar, houve dois assentos vazios. Do elefante na sala, passámos para a sala meio vazia. E Costa, que até chegou atrasado, não podia deixar de o notar logo: “Queria começar por saudar todos os partidos que, demonstrando espírito democrático e diálogo, estão aqui estão presentes neste debate e não desertaram do debate democrático”. A frase foi em parte confusa - embora perceba que as palavras “debate” e “democrático” sejam tão bonitas que valem a pena a repetição -, mas a ideia foi fácil de reter: Rio não quis debater, Costa chamou-lhe desertor.

A linguagem bélica não convenceu Rio, que continua convicto que a guerra também se trava em Vila Real e Bragança, onde se manteve em campanha. Se há quem tente usar os debates para convencer os indecisos, o presidente do PSD está decidido: “São opções”, “não tenho tempo”. De quem acabou com os debates quinzenais com o primeiro-ministro, nem sequer se estranha. “Os eleitores julgarão” e Rio nunca foi político de ter medo de ser genuíno, mesmo quando foge ao combate.

Aos seus ouvidos chegou rapidamente o pedido de Francisco Rodrigues dos Santos, que nunca foi de ter medo porque se formou no Colégio Militar. O Ministério da Defesa para o CDS, que tal esta ideia? “É uma questão de se ver, não seria a primeira vez”. Rui Rio usou um velho truque da paternidade: atirou para a frente, sem desencorajar o filho. Com cerca de 1% dos votos na Tracking Poll TVI/CNN Portugal, talvez fosse melhor o CDS pedir ao Pai Natal.

Enquanto Rio distribuía pastas, Costa adaptou a linguagem ao futebol: “O nosso campeonato não é o de estarmos à frente das sondagens, é estar à frente no dia das eleições”. Numa altura em que as sondagens já falam em empate técnico, realmente alguém tem de acalmar os festejos antecipados. Ainda falta muito para o fim e os indecisos ainda vão atirar-se para o chão, demorar muito a repor a bola e discutir entre eles para perder tempo. É jogo a jogo, combate a combate. Ninguém deserta.

Resultado acumulado da campanha: António Costa 3 - Rui Rio 4

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