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O Combate dos Chefes (Dia 3): espelho meu, espelho meu, quem quer a maioria absoluta mais do que eu?

19 jan, 10:15
Rui Rio e António Costa no terceiro dia de campanha eleitoral. Fotos: Lusa

Ainda sou do tempo em que ninguém falava dela. Agora, Costa quer maioria absoluta, e Rio também. Talvez se tenham cansado de cenários e sondagens. Pedir também não custa nada

Começou por ser uma “maioria reforçada, estável e duradoura”. Depois passou a ser “metade mais um”. E agora é mesmo uma “maioria absoluta”. Nos 82 dias que separaram estas maiorias todas, a conta manteve-se sempre a mesma: António Costa quer 116 deputados do PS na Assembleia da República, só as palavras é que vão mudando. Mais três ou quatro semanas de campanha e a maioria virava total.

Por agora, foi-se “o medo” e ficou-se “a franqueza”. O socialista não quer “uma vitória qualquer”, porque “o que é preciso é uma maioria absoluta”. Assim, com as letrinhas todas, sem rodeios. Após seis anos de geringonça e negociação à esquerda, quer emancipar-se. Costa já tem muitos anos disto, o que até dá jeito, porque, como isto está, quem começa agora nem sequer consegue ir viver sozinho.

A chatice de uma maioria absoluta é que, em princípio, deixa uma minoria relativa. Para uns ganharem por muitos, outros teriam que ficar com poucos. E ninguém está para isso. Muito menos Rui Rio, que desde que jogou na lotaria se convenceu que lhe pode sair a sorte grande.

Se alguém pensava que Rio ia atacar Costa por pedir a maioria absoluta, estava muito enganado. O presidente do PSD não acredita em sondagens, mas que las hay, las hay. A probabilidade dela existir “é muito próxima de zero”, mas, já agora, ele também a quer. “Portanto, não o posso criticar por isso”. Chapeau! Nisto das maiorias absolutas, parece que há um grande consenso: mesmo que não existam, também não se perde nada em tentar.

Para António Costa, a maioria absoluta significa “estabilidade” e “tranquilidade”. Se é para rimar, junto-lhe outra vontade: no dia 31, Costa só queria receber um telefonema de Marcelo, mas também não estranha se acabar a ligar os números do PAN e do Livre. Essa é que é a verdade.

Já Rui Rio, está “confiante” que vai ganhar. Ontem, ainda deu razão a David Neeleman - “o primeiro-ministro claramente faltou à verdade” - e lembrou Sócrates: “Temos uma política económica que tudo o que tem distribui de imediato. No tempo do engenheiro Sócrates, distribuiu o que tinha e o que não tinha, agora digamos que distribui o que tem”. TAP e Sócrates. Se não lhe sair o totoloto, pelo menos fez bingo.

Caso não tenham reparado, até foi um elogio a Costa. Daqueles que dói um bocadinho, é certo, mas ainda assim um elogio. Virou-se, no entanto, o feitiço contra o feiticeiro. Sem resposta a nenhum dos ataques, Rio ficou exatamente onde prometera deixar o adversário político: a falar sozinho. Era o que faltava.

O terceiro dia de campanha teve uma disputa reforçada, estável e duradoura, com metade mais um dos candidatos do PS e do PSD a aproximarem-se nos desejos. Quem acha que Costa e Rio têm mais a dizer um ao outro? A maioria. De certeza? Absoluta.

Resultado acumulado na campanha: António Costa 2 – Rui Rio 3

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