Chumbo do Programa do Governo é responsabilidade de Albuquerque que assegurou viabilidade, diz Cafôfo

Agência Lusa , MM
16 jun 2024, 11:23
Paulo Cafôfo (Facebook)
Adicione a CNN como fonte preferidaSiga-nos no Google News ?Saiba mais

Presidente do PS Madeira disse estar “muito preocupado com este clima de instabilidade”, mas considerou que o PS “assumiu a sua responsabilidade”.

O presidente do PS/Madeira, Paulo Cafôfo, afirmou este domingo que o eventual chumbo do Programa do Governo é da responsabilidade do presidente do executivo, Miguel Albuquerque (PSD), que garantiu ter condições para formar governo e para aprovar o documento.

“Há aqui uma responsabilidade que me parece absolutamente clara nesta situação criada aqui na região, que é a responsabilidade de Miguel Albuquerque”, considerou Paulo Cafôfo, acrescentando que o social-democrata deu as garantias de que “tinha condições para não só formar governo, mas também para este governo passar na moção de confiança”.

Em declarações à agência Lusa sobre o Programa do Governo, que será discutido entre terça e quinta-feira, correndo o risco de ser rejeitado se PS, JPP e Chega mantiverem o sentido de voto contra, o socialista frisou que “essas garantias, afinal, não eram reais e Miguel Albuquerque mentiu aos madeirenses”.

Em 29 de maio, antes de ser indigitado, Miguel Albuquerque afirmou que não iria ter problemas na aprovação do Programa do Governo e do Orçamento Regional, perspetivando o apoio dos partidos que se dizem “antissocialistas”.

Também o representante da República para a região, Ireneu Barreto, quando decidiu indigitar Albuquerque, disse que “a solução apresentada pelo partido mais votado, o PSD - que tem um acordo de incidência parlamentar com o CDS e a não hostilização, em princípio, do Chega, do PAN e da IL - terá todas as condições de ver o seu Programa aprovado na Assembleia Legislativa”.

“Agora veremos o que acontecerá e, como digo, compete a Miguel Albuquerque, que garantiu aos madeirenses que esta moção de confiança passava, encontrar a solução para a Madeira não cair mais uma vez numa situação de eleições que, na minha opinião, os madeirenses não desejam”, vincou Paulo Cafôfo.

O presidente do PS/Madeira e líder parlamentar do partido na Assembleia Legislativa Regional referiu ainda que a instabilidade não começou só agora, reiterando que teve início em fevereiro, “quando Miguel Albuquerque não deixou que se debatesse e houvesse condições para se aprovar o orçamento”.

Cafôfo disse estar “muito preocupado com este clima de instabilidade”, mas considerou que o PS “assumiu a sua responsabilidade”.

“Nós, quando fomos à audiência com o representante da República, apresentamos uma solução governativa. E essa solução governativa com o JPP não foi aceite. A partir desse momento, o Partido Socialista, aquilo que fez foi aceitar e cumprir o seu papel de oposição e de liderar a oposição”, sustentou.

O líder dos socialistas madeirenses reiterou que não tem confiança neste executivo, justificando que “é constituído pelas mesmas pessoas, as pessoas que não conseguiram resolver os problemas graves que a Madeira tem, não será agora que irão resolver”.

A rejeição do Programa do Governo para o mandato 2024-2028, que será discutido entre terça e quinta-feira, fará com que o Governo Regional fique em gestão até que um novo seja nomeado ou até que haja novas eleições antecipadas, apenas possíveis nos inícios de 2025.

O PAN mostrou-se anteriormente disponível para votar a favor do Programa e do Orçamento Regional, recusando ser um elemento de instabilidade, enquanto a IL admitiu avaliar a gestão social-democrata “programa a programa, orçamento a orçamento, medida a medida”.

Mas, mesmo que o PAN e a IL votem favoravelmente o Programa, juntando-se ao PSD e ao CDS-PP, o documento não reúne os votos suficientes para ser aprovado.

Nas eleições regionais antecipadas de 26 de maio, o PSD elegeu 19 deputados, ficando a cinco mandatos de conseguir a maioria absoluta (para a qual são necessários 24), o PS conseguiu 11, o JPP nove, o Chega quatro e o CDS-PP dois, enquanto a IL e o PAN elegeram um deputado cada.

Já depois das eleições, o PSD firmou um acordo parlamentar com os democratas-cristãos, ficando ainda assim aquém da maioria absoluta. Os dois partidos somam 21 assentos.

Depois do sufrágio, o PS e o JPP (com um total de 20 mandatos) anunciaram um acordo para tentar retirar o PSD do poder, mas Ireneu Barreto entendeu que não teria viabilidade e indigitou Miguel Albuquerque.

As eleições de maio realizaram-se oito meses após as legislativas madeirenses de 24 de setembro de 2023, depois de o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ter dissolvido o parlamento madeirense, na sequência da crise política desencadeada em janeiro, quando Miguel Albuquerque foi constituído arguido num processo sobre alegada corrupção.

Informação em todas as frentes, sem distrações? Navegue sem anúncios e aceda a benefícios exclusivos.
TORNE-SE PREMIUM

Partidos

Mais Partidos