Primeiro-ministro australiano quer Assange de volta ao país

Agência Lusa , DCT, atualizado às 09:13
25 jun, 07:39
Julian Assange (Associated Press)

Assange deverá comparecer na quarta-feira perante um tribunal federal das Ilhas Marianas, um território norte-americano no Oceano Pacífico, de acordo com documentos judiciais apresentados na segunda-feira à noite

O povo australiano quer que o fundador do portal WikiLeaks regresse à Austrália, disse esta terça-feira o primeiro-ministro deste país, como comentário à libertação de Julian Assange.

“Não há nada a ganhar com a sua prisão e queremo-lo de volta à Austrália”, disse esta terça-feira Anthony Albanese.

Julian Assange, 52 anos, aceitou declarar-se culpado de conspiração para obter e divulgar ilegalmente informações confidenciais, num acordo com a justiça dos EUA, e saiu da prisão.

Assange “deixou a prisão de segurança máxima de Belmarsh na manhã de 24 de junho”, foi libertado no aeroporto de Stansted, em Londres, “onde embarcou num avião e partiu do Reino Unido”, tendo a Austrália como destino final, disse o Wikileaks.

A libertação resulta de “uma campanha global” que “criou espaço para um longo período de negociações com o Departamento de Justiça dos EUA, conduzindo a um acordo que ainda não foi formalmente finalizado”, acrescentou o portal, na rede social X (antigo Twitter).

O avião que alegadamente transporta Assange parou, entretanto, em Banguecoque, na Tailândia, desconhecendo-se se apenas para abastecimento ou se para que o fundador do WikiLeaks mude de aeronave.

Assange deverá comparecer na quarta-feira perante um tribunal federal das Ilhas Marianas, um território norte-americano no Oceano Pacífico, de acordo com documentos judiciais apresentados na segunda-feira à noite.

O fundador do Wikileaks vai declarar-se culpado do crime de conspiração para obter e divulgar ilegalmente informações confidenciais da defesa nacional dos Estados Unidos, confissão que terá de ser aprovada por um juiz.

Cidadão australiano de 52 anos, Julian Assange poderá então regressar à Austrália.

Ainda antes do anúncio da libertação, um porta-voz do Governo australiano defendeu que o caso do fundador do Wikileaks “arrastou-se por muito tempo e não há nada a ganhar com o prolongamento da detenção".

Mulher de Julian Assange "eufórica" com libertação

Stella Assange afirmou estar "eufórica" com a perspetiva de libertação do marido e do fundador do portal WikiLeaks, Julian Assange, após um acordo com a justiça norte-americana, que o queria julgar por espionagem.

"É um turbilhão de emoções, estou simplesmente eufórica, francamente, é simplesmente incrível. Parece que não é real", afirmou à rádio da estação pública BBC.

A ativista e advogada disse que a situação foi muito incerta e que não tinham a certeza de que iria acontecer até às últimas 24 horas.

Hoje de madrugada foi anunciado que Julian Assange saiu na segunda-feira de manhã da prisão de segurança máxima de Belmarsh em Londres, onde se encontra há cinco anos, e embarcou num avião no aeroporto de Stanstead.

Assange deverá comparecer na quarta-feira perante um tribunal federal das Ilhas Marianas, um território norte-americano no Oceano Pacífico, de acordo com documentos judiciais apresentados na segunda-feira à noite.

O fundador do Wikileaks vai declarar-se culpado de crime de conspiração para obter e divulgar ilegalmente informações confidenciais da defesa nacional dos Estados Unidos, confissão que terá de ser aprovada por um juiz.

Cidadão australiano de 52 anos, Julian Assange poderá então regressar à Austrália.

Stella Assange disse que o "acordo de princípio entre Julian e o Departamento de Justiça tem de ser assinado por um juiz nas Ilhas Marianas, no Oceano Pacífico, para onde ele se está a viajar", encontrando-se atualmente a fazer escala em Banguecoque.

"Assim que o juiz assinar, o ato torna-se formalmente real", vincou.

Entretanto, Stella Assange e os dois filhos do casal, de cinco e sete anos, viajaram no domingo para Sidney, na Austrália, onde esperam ser reunidos com Julian Assange.

As crianças só se encontraram com o pai dentro da prisão. 

Questionada sobre o futuro, a mulher disse que "a prioridade agora é que o Julian volte a ser saudável".

"Ele esteve num estado [de saúde] terrível durante cinco anos e só precisa de estar em contacto com a natureza. É isso que ambos desejamos para já. E ter tempo e privacidade e começar este novo capítulo", afirmou.

Assange estava detido em Belmarsh, no leste da capital britânica desde 2019, enquanto contestava nos tribunais o pedido de extradição dos Estados Unidos, que o acusaram de 18 crimes de espionagem e de intrusão informática pela divulgação no portal WikiLeaks de documentos confidenciais.

Washington queria julgar Assange pela divulgação de mais de 700 mil documentos secretos e estava acusado pelas autoridades norte-americanas ao abrigo da Lei de Espionagem de 1917, enfrentando uma possível pena de até 175 anos de prisão.

Em 20 de maio, o Tribunal Superior de Londres autorizou Assange um recurso, cujas audiências estavam marcadas para o início de julho.

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