"Há jovens que nunca viram a direita a governar". Mortágua pede reorganização à esquerda para virar o país

24 jun, 23:00

Coordenadora bloquista admite maus resultados da esquerda nas últimas eleições, mas olha para o lado e pede ajuda aos parceiros de outros tempos

O Bloco de Esquerda quer ver a procuradora-geral da República a prestar declarações ao Parlamento, depois de uma sucessão de casos judiciais que têm interferido na vida política, a começar com a Operação Influencer, que ditou a queda do governo de António Costa.

Mariana Mortágua explicou à CNN Portugal que esta é uma iniciativa que deve ter o “máximo de apoio”, reiterando que a audição de Lucília Gago se trata de algo “importante para a democracia”

“A separação de poderes é muito importante e devemos respeitá-la. Todo o cuidado é pouco, à política o que é da política, à justiça o que é da justiça”, afirmou, lembrando uma célebre frase de António Costa para dizer que, mais do que aos deputados, a figura máxima da Justiça portuguesa deve explicações aos portugueses.

A coordenadora do Bloco de Esquerda sublinhou que é preciso um consenso partidário, apelando aos demais partidos que acompanhem os bloquistas nesta pretensão.

Questionada sobre se esta é uma forma de procurar uma vitória após um mau resultado nas eleições europeias, Mariana Mortágua garantiu que esta é uma ideia de há muito tempo, mas que requer “cuidado e diálogo com outras forças parlamentares”.

“Foi tudo menos uma posição irrefletida ou de momento”, vincou.

Entrando precisamente no que foi um mau resultado nas europeias – perdeu votos, percentagem e um eurodeputado -, Mariana Mortágua assumiu, mais uma vez, que tudo isso é verdade, acrescentando que isso significa uma “viragem à direita profunda” na forma como se faz a política.

Por isso mesmo a coordenadora bloquista pede uma esquerda moderna e unitária à esquerda do PS. Olhando para aquilo que pode ser uma consequência da participação do Bloco de Esquerda na gerigonça, Mariana Mortágua acusou o PS de ter preferido uma maioria absoluta, num período que “não respondeu” aos problemas do país e “acabou por descredibilizar soluções à esquerda”.

“Há muitos jovens que nunca conheceram um governo de direita, não têm memória do que é a direita a governar. Saberão agora e poderão fazer a sua análise, [mas] nunca viram a direita a governar”, disse, falando na ascensão de uma extrema-direita em toda a Europa e vendo aí um desafio para o próprio Bloco de Esquerda perceber como pode ajudar a sociedade.

Por isso mesmo a coordenadora do Bloco de Esquerda pede uma reorganização da esquerda, nomeadamente pela formação de uma aliança com outros partidos como o Livre ou o PCP, mas sem esclarecer se nessa mesma aliança cabe o PS.

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