Marcelo sobre a cimeira da Suiça: "É muito difícil tratar de forma pacífica e duradoura sem estarem todos os envolvidos"

Agência Lusa , MM
16 jun, 12:28

Ainda assim, presidente da República português considera que se lançou uma “via imparável” para o fim do conflito

 O Presidente da República acredita que a Cimeira para a Paz na Ucrânia que este domingo termina na Suíça lançou uma “via imparável” para o fim do conflito, mas sublinhou que será necessário envolver todas as partes nos próximos passos.

Em declarações aos jornalistas depois de intervir na derradeira sessão plenária da cimeira que decorre desde sábado na estância de Burgenstock, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que a conferência foi um sucesso, “pela sua representatividade”, e sublinhou a ideia, deixada na sua intervenção perante os restantes representantes de cerca de uma centena de países e organizações presentes, de que “é imparável esta via, este caminho, este passo que foi dado hoje”.

“Este é um passo, há outros passos, e nos outros passos é bom que haja o alargamento a novos parceiros, naquela expressão que provavelmente o comunicado vai adotar ‘all parties’ [todas as partes]. E eu acrescentei que, em rigor, deviam ter estado já aqui neste primeiro passo, mas poderão estar em passos seguintes”, afirmou o chefe de Estado.

Questionado sobre quem mais deve ser envolvido no processo, Marcelo, sem mencionar explicitamente a Federação Russa, respondeu que as conversações devem ser alargadas a “todas as partes envolvidas” diretamente no conflito.

“Se se trata de um conflito, envolve várias partes. E é impossível tratar desse conflito, tratar da troca de prisioneiros, tratar do regresso dos deportados, tratar de questões humanitárias, questões que envolvem as partes envolvidas no conflito, como é a saída dos cereais do local da sua produção, é muito difícil tratar de forma pacífica e duradoura sem estarem todos os envolvidos”, declarou.

Questionado sobre onde e quando pode ser dado o próximo “passo” no processo iniciado este fim de semana na Suíça com vista a uma paz que defendeu ser “urgente”, Marcelo apontou que o comunicado final que vai ser adotado hoje à tarde deverá indicar “onde” o passo será dado, mas “provavelmente haverá o bom senso de não falar em calendários”.

“É uma decisão que tem de ser muito bem ponderada, porque quando se abre um caminho muito concreto para um calendário, a vida internacional é de tal forma mutável, muda tanto, tanto, tanto, que depois estar a rever o calendário tem mais efeitos positivos do que negativos”, argumentou.

Sobre a sua intervenção na sala, na última sessão plenária da cimeira – nas quais cada representante de país ou organização dispunha de um tempo máximo de três minutos de intervenção –, o Presidente da República começou por notar que, “como é natural na política externa, foi baseada na proposta do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros”, com a qual concordou “e exprimiu em nome da delegação portuguesa”.

Assinalando que sublinhou “o sucesso da cimeira, pela sua representatividade”, prosseguiu defendendo os princípios “a que deve obedecer a tal paz justa global: a carta das Nações Unidas, o direito internacional, o direito humanitário, o regresso ao multilateralismo, a segurança em matéria alimentar, mas também o desenvolvimento sustentável”, classificando esta última questão como “muito importante para continentes como a Ásia, a América Latina mas a África em particular, que estão a sofrer muito com as consequências desta guerra”.

Marcelo adiantou então que deu conta de “alguns pontos da posição portuguesa que ficaram bem claros”, designadamente “a integração da Ucrânia como membro de pleno direito na União Europeia, a reconstrução total da Ucrânia, mas também a estabilização na Europa”.

Por fim, destacou “a mensagem que é dada ao mundo em termos de cooperação e solidariedade”, face à forte participação na cimeira, que contou com representantes de mais de 90 países e organizações, de todos os continentes, embora não a Rússia, nem a China, entre outros ausentes.

“Juntamo-nos aqui com visões diferentes, culturas diferentes, continentes diferentes, para fazer este esforço”, disse, defendendo que se tratou de “uma verdadeira cimeira global para a paz”.

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