Trump volta a ameaçar aliados da NATO: "É exatamente isso. Eu não vou proteger-vos"

CNN Portugal , BCE
15 fev, 17:17
Donald Trump num comício na Carolina do Sul (EPA/RANDALL HILL)

Mesmo depois da onda de críticas de que foi alvo esta semana, o ex-presidente norte-americano insiste que, se for reeleito para um novo mandato na Casa Branca, não vai proteger os aliados que estão aquém das suas obrigações financeiras para com a NATO

Donald Trump voltou a ameaçar os aliados da NATO, num novo comício republicano, no qual insistiu que, se regressar à Casa Branca, não vai proteger os países que não pagam as contribuições devidas à Aliança Atlântica.

Num discurso num comício republicano na Carolina do Sul, esta quarta-feira, Donald Trump reproduziu as suas declarações de sábado, quando garantiu que, se fosse reeleito presidente dos Estados Unidos, "encorajaria" a Rússia a fazer o que entendesse com os países que não cumprem as suas obrigações para com a NATO.

“Eu tenho vindo a dizer: se eles não pagam, não os vamos proteger, ok? E [Joe] Biden disse: ‘Oh, isso é tão mau. O que ele disse é terrível'", ironizou o candidato às primárias republicanas, acrescentando que verificou os orçamentos de defesa de cada Estado-membro da NATO e que "ninguém está a pagar as suas contas".

Depois, voltou a recordar uma alegada discussão que teve com "um presidente de um grande país", que lhe terá perguntado: "Isso significa que, se não pagarmos as contas, vocês não vão proteger-nos?"

"É exatamente isso que significa. Eu não vou proteger-vos", declarou Trump, reiterando a ameaça aos aliados da NATO, mesmo depois de ter sido criticado pelos líderes mundiais, que alertaram para os riscos destas declarações para a segurança e para a economia mundial.

No domingo, o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, advertiu que as declarações de Donald Trump no comício da noite anterior poderiam pôr em risco as vidas dos soldados americanos e europeus. "Qualquer sugestão de que os aliados não se defenderão mutuamente compromete toda a nossa segurança, incluindo a dos EUA, e coloca os soldados americanos e europeus em risco acrescido”, alertou o responsável.

Na terça-feira, foi a vez de a embaixadora dos Estados Unidos para a NATO reagir à ameaça do ex-presidente norte-americano, qualificando as suas declarações como “perigosas e francamente irresponsáveis”.

“Encorajar o Kremlin a atacar qualquer país da Organização do Tratado do Atlântico Norte [NATO] ou o território da Aliança coloca os nossos soldados – os dos Estados Unidos e os dos nossos aliados – em perigo. Fazê-lo, através deste tipo de declarações, é perigoso e francamente irresponsável”, argumentou Julianne Smith.

No mesmo dia, Joe Biden fez um discurso à nação no qual se mostrou perplexo com estas declarações. "Nenhum outro presidente da nossa história se curvou perante um ditador russo", declarou Joe Biden, numa declaração ao país, garantindo que "nunca o fará". "É uma estupidez, é vergonhoso, é perigoso, é antiamericano", acrescentou.

Apesar das críticas, Trump não voltou atrás nas suas afirmações, ainda que não tenha repetido neste novo comício a parte em que disse que "encorajaria" os russos a "fazerem o que quisessem" a qualquer um dos aliados da NATO que não cumprisse com as suas obrigações financeiras na defesa, isto é, que não destinasse pelo menos 2% do seu PIB à defesa da Aliança Atlântica.

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