"É vergonhoso, é perigoso, é antiamericano": Biden acusa Trump de se "curvar perante um ditador russo"

13 fev, 21:28
Joe Biden (AP)

Joe Biden mostra-se perplexo com as recentes declarações de Donald Trump, que afirmou que não iria proteger os aliados da NATO que não cumprem com as suas obrigações financeiras

O presidente norte-americano, Joe Biden, criticou esta terça-feira Donald Trump pelas suas recentes declarações sobre a NATO, acusando mesmo o ex-presidente de se "curvar perante um ditador russo".

"Nenhum outro presidente da nossa história se curvou perante um ditador russo", declarou Joe Biden, numa declaração ao país, garantindo que "nunca o fará". "É uma estupidez, é vergonhoso, é perigoso, é antiamericano", acrescentou.

Em causa estão as declarações de Donald Trump num comício republicano, no qual falou numa alegada reunião que teve com membros da NATO quando "um presidente de um grande país" lhe perguntou se garantia a proteção de um Estado-membro que estivesse em incumprimento dos objetivos de contribuições financeiras para Aliança Atlântica.

"Não, eu não iria proteger-vos. Na verdade, encorajava-os [aos russos] a fazer o que quisessem. Têm de pagar as vossas contas", disse Donald Trump, reproduzindo o alegado diálogo.

Nesta declaração ao país, Joe Biden mostra-se perplexo com as declarações do ex-presidente: "Conseguem imaginar um antigo presidente dos Estados Unidos a dizer isto? O mundo inteiro ouvi-o. O pior é que ele está a falar a sério."

Em 2022, a NATO informou que apenas sete dos atuais 31 Estados-membros estavam a cumprir o objetivo de destinar 2% do seu PIB à defesa da Aliança Atlântica, em contraste com os dados de 2014, que mostram que apenas três cumpriam esse mesmo objetivo.

Numa reação às declarações de Trump, o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, descreveu-as como prejudiciais para os 31 países, incluindo Portugal, que compõem a organização.

"Qualquer sugestão de que os aliados não se defenderão mutuamente compromete toda a nossa segurança, incluindo a dos EUA, e coloca os soldados americanos e europeus em risco acrescido”, disse o secretário-geral da NATO.

Já esta terça-feira, a embaixadora dos Estados Unidos para a NATO considerou que as declarações do ex-presidente são “perigosas e francamente irresponsáveis”.

“Encorajar o Kremlin a atacar qualquer país da Organização do Tratado do Atlântico Norte [NATO] ou o território da Aliança coloca os nossos soldados – os dos Estados Unidos e os dos nossos aliados – em perigo. Fazê-lo, através deste tipo de declarações, é perigoso e francamente irresponsável”, disse Julianne Smith, durante uma conferência de imprensa.

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