"Linha de Wagner". Imagens de satélite mostram o que os mercenários estão a construir para tentar travar os ucranianos

CNN , Por Gianluca Mezzofiore e Paul P. Murphy
25 out, 08:00

Foi construída uma fortificação de quase dois quilómetros nos arredores da cidade ocupada pela Rússia de Hirske, no Leste da Ucrânia, como comprovam novas imagens de satélite da Maxar Technologies.

A infraestrutura é composta por quatro filas de pirâmides de cimento que os russos esperam que impeça qualquer veículo ucraniano de seguir em direção a leste. Por detrás das fortificações antitanque, fica uma vasta trincheira.

Imagens de satélite adicionais da Agência Espacial Europeia mostram que a escavação da trincheira foi feita em duas partes: a primeira secção da trincheira foi escavada a partir de 25 de setembro, a segunda secção da trincheira foi escavada entre 30 de setembro e 5 de outubro.

Ambas as secções da trincheira escavada pelo grupo Wagner atrás das filas de pirâmides antitanque na imagem de 17 de outubro. Imagem de satélite da Maxar Technologies.
Satellite image ©2022 Maxar Technologies

Dois órgãos de comunicação social russos fizeram reportagens a partir do local da fortificação, a que deram o nome de “Linha Wagner” numa referência ao grupo de mercenários russos: o Grupo Wagner. A Zvedza TV, o órgão de comunicação social das forças militares russas, disse que era uma "segunda linha de defesa" se os ucranianos tentassem romper por aquela área.

Apesar de a fortificação poder ajudar a defender contra um ataque frontal, não há nada que impeça as forças ucranianas de passarem à volta das fortificações, que se estendem apenas por 1,6 km.

O RIA/FAN, um tabloide russo, publicou um mapa, na quarta-feira, afirmando que o Grupo Wagner iria continuar a construir a sua "linha" até que se estenda para leste da fronteira da Rússia com a Ucrânia até Kreminna, e depois para sul, até Svitlodarsk.

Uma análise do mapa pela CNN mostrou que uma fortificação com esse comprimento chegaria aos 217 km.

Quatro filas de pirâmides antitanque foram colocadas pelo Grupo Wagner, com o intuito de prevenir quaisquer potenciais avanços militares por parte dos ucranianos.

Imagens adicionais de satélite revistas pela CNN não mostraram quaisquer outras construções ao longo do suposto percurso da “Linha Wagner.”

Não é a primeira vez que o Grupo Wagner utiliza trincheiras para fortificar as suas posições. Em 2021, o grupo de mercenários construiu cerca de 70 quilómetros de trincheiras no deserto líbio para evitar ataques terrestres às suas posições naquele local.

Nick Paton Walsh, Seb Shukla e Uliana Pavlova contribuíram para esta reportagem.

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