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FC Porto-Sporting: lembra-se desta final da Taça em particular?

23 mai, 13:09
FC Porto-Sporting na final da Taça

Das pedradas na tribuna presidencial para impedir o FC Porto de receber a taça, às lágrimas de Frederico Varandas, da cotovelada de Acosta que mandou Paulinho Santos para a maca, à tarde em que Tiuí pensou ser Pelé: as finais do Jamor entre FC Porto e Sporting valem sempre a pena.

No domingo o Estádio Nacional aperalta-se todo para receber um clássico do futebol português. FC Porto e Sporting disputam a final da Taça, num jogo coberto de particularidades. Senão veja-se: a formação leonina foi campeã e anda de peito cheio, o que geralmente alimenta a vontade de vencer do FC Porto (sobretudo um FC Porto como este, ferido no orgulho).

Esta final da Taça tem tudo para ser um grande clássico, portanto.

A boa notícia é que geralmente as finais do Jamor entre FC Porto e Sporting já costumam deixar muito para contar. Este clássico, aliás, é o confronto mais vezes repetido na história do Jamor. Falando apenas da final, houve cinco confrontos, o Sporting festejou em três, o FC Porto em dois, mas mais importante é todos eles valeram muito a pena.

A primeira final foi premonitória: indidentes, vermelhos e um árbitro no avião errado

A primeira final aconteceu na época em que o FC Porto foi campeão e colocou um ponto final num longo jejum de 19 anos sem títulos nacionais. Mas nem isso acalmou José Maria Pedroto e Pinto da Costa, que não queriam jogar a final no Jamor. «É tempo de acabar com o centralismo de Lisboa», insistia Pedroto. Por isso o ambiente já era quente e o jogo não o arrefeceu: pelo contrário. Muita agressividade, incidentes, Ademir Vieira expulso nos descontos do prolongamento e um empate (1-1), que obrigou a segundo jogo. Uma semana depois, outra vez no Jamor, num estádio a rebentar pelas costuras, com muita gente à volta do relvado, o Sporting venceu por 2-1 e conquistou a Taça. Encerrando um período de três anos sem ganhar, que começava a deixar João Rocha sobre brasas. Só não encerrou a polémica: é que uma semana depois o Sporting embarcou numa digressão à China e na comitiva seguia o árbitro da finalíssima: Mário Luís. Enfim, eram os famosos tempos do PREC. Até no futebol.

FICHA DE JOGO
2-1 (1-1 no primeiro jogo)

Sporting: Botelho; Laranjeira, Paulo Menezes, Artur Correia e Inácio; Ademar, Aílton Ballesteros, Vítor Gomes (Cerdeira, 81m) e Manoel Costa; Salif Keïta e Manuel Fernandes.

FC Porto: Fonseca; Gabriel, Simões, Teixeirinha e Adelino Teixeira; Taí, Octávio Machado, Carlos Brandão e Duda; Fernando Gomes e Seninho.

Golos: Vítor Gomes (55m) e Manuel Fernandes (82m); Seninho (80m)

O dia em que a Taça foi entregue por entre pedradas e garrafas de água

Segunda final entre FC Porto e Sporting, segundo empate, segunda finalíssima. O que mostra como estes clássicos eram equilibrados... e rasgadinhos. Após um empate sem golos, as duas equipas encontraram-se cinco dias depois, novamente no Jamor, e a coisa não correu melhor. Foi a temporada, recorde-se, em que Sousa Cintra despediu Bobby Robson quando o Sporting ia em primeiro e Pinto da Costa não perdeu tempo: foi rapidamente contratar o inglês. Carlos Queiroz chegou e perdeu o título para o Benfica, no famoso 6-3 de Alvalade. Para encerrar a época, a final da Tala de Portugal, disputada numa finalíssima. Foi um jogo em que tudo aconteceu ao Sporting: Paulo Torres lesionou, Vujacic lesionou-se, Peixe evitou um golo certo com a mão no prolongamento, cometeu penálti e foi expulso, Pacheco também viu o vermelho e deixou a equipa com nove jogadores. O pior aconteceu depois: o FC Porto demorou meia hora a conseguir levantar a taça, acabou por fazê-lo entre pedradas e garrafas de água atiradas para a tribuna, num triste espetáculo que ficou para a história. Mais importante: depois de ter feito cair o Sporting da liderança, duas jornadas antes dos leões receberem o Benfica, Bobby completou a vingança e ganhou também a Taça de Portugal.

FICHA DE JOGO
1-2 a.p. (0-0 no primeiro jogo)

Sporting: Zoran Lemajić; Nélson, Peixe, Vujačić (Carlos Jorge, 67m) e Paulo Torres (Marinho, 65m); Poejo e Paulo Sousa; Capucho, Figo e Pacheco; Cadete.

FC Porto: Vítor Baía; João Pinto, Fernando Couto, Aloísio e Rui Jorge; Secretário, Paulinho Santos, André e Folha; Drulovic e Timofte.

Golos: Rui Jorge (35m) e Aloísio (91m, g.p.) (Vujacic, 85m)

O que o FC Porto dá, o FC Porto tira (ou como a vingança se serve fria)

Terceira final entre FC Porto e Sporting... terceira finalíssima. Parece sina, não é?! Mas sim, após um empate (1-1) na final, as duas equipas encontraram-se quatro dias depois, outra vez no Jamor. Curiosamente, foi um regresso ao passado, mas virado do avesso. O Sporting tinha acabado de ser campeão, numa época em que se superiorizou precisamente ao FC Porto, para interromper um ciclo de 18 anos sem títulos. Era o Sporting de Augusto Inácio, Schmeichel e Beto Acosta. Ora Beto Acosta, precisamente, que no primeiro jogo andou pegado com Paulinho Santos, murro para um lado, cotovelada para o outro e no fim o médio do FC Porto a abandonar o relvado de maca. Nada que impedisse o médio, uns dias depois, de ser outra vez titular e o FC Porto de vencer, com golos de Clayton e Deco, para levantar a Taça de Portugal. Tirando ao Sporting o que lhe tinha dado há mais de 20 anos. Quando os dragões foram campeões após 19 anos e perderam a final da Taça para o Sporting, lembra-se?

FICHA DE JOGO
0-2 (1-1 no primeiro jogo)

Sporting: Peter Schmeichel; Saber, Beto, André Cruz (Quiroga, 42m) e Rui Jorge; Duscher e Vidigal; Mbo Mpenza, Edmilson (De Franceschi, 69m) e Pedro Barbosa (Toñito, 67); Kwame Ayew

FC Porto: Vítor Baía; Secretário; Jorge Costa, Aloísio e Esquerdinha; Paulinho Santos e Chainho; Capucho (Alessandro, 90m), Deco (Domingos, 90m) e Drulovic (Rui Barros, 77m); Mário Jardel.

Golos: Clayton (47m) e Deco (74m)

Para sempre, a final de Rodrigo Tiuí

Em 2008 o FC Porto de Jesualdo Ferreira ia a meio de três títulos consecutivos e era claramente favorito à conquista da Taça de Portugal, quando surgiu no Jamor um cometa chamado Rodrigo Tiuí. O brasileiro entrou aos 90 minutos para no prolongamento fazer dois golos, um deles num pontapé de bicicleta, e garantir a conquista da Taça de Portugal. O Sporting de Paulo Bento, cheio de miúdos da formação (Rui Patrício, Miguel Veloso, João Moutinho, Pereirinha, Yannick Djaló), ganhava a Taça perante o FC Porto de Lucho, Lisandro Lopez e Quaresma, recebendo o prémio justo por ser uma equipa sempre competitiva. Mesmo que não passasse do segundo lugar.

FICHA DE JOGO
(0-2, a.p.)

FC Porto: Nuno Espírito Santo; Fucile, Bruno Alves, Pedro Emanuel e João Paulo; Paulo Assunção (Tarik Sektioui,112m), Raul Meireles (Kazmierczak, 104m) e Lucho González; Mariano González (Lino, 79m), Lisandro López e Ricardo Quaresma.

Sporting: Rui Patrício; Abel Ferreira (Rodrigo Tiuí, 90m), Polga, Tonel e Grimi; Miguel Veloso; Izmailov (Pereirinha, 76m), Romagnoli e João Moutinho; Yannick Djaló e Derlei (Gladstone, 113m).

Golos: Rodrigo Tiuí (111m e 117m)

O dia em Frederico Varandas chorou

Um ano depois, o Sporting voltou ao Jamor para cumprir a promessa de Frederico Varandas. Recorde-se que, na ressaca do ataque a Alcochete, o Sporting tinha perdido a final do Jamor da época passada, numa tarde para esquecer, frente ao Desp. Aves. Frederico Varandas tinha guardado a medalha de finalista vencido, para a mostrar no dia em que foi eleito, enquanto prometia que iria substituir aquele pedaço de prata por um de ouro. Quando o fez, não resistiu e chorou copiosamente na tribuna de honra. Tudo isto enquanto Sérgio Conceição se recusava a cumprimentá-lo, garantindo que não era hipócrita. Enfim, foi mais uma tarde de futebol cheia, robusta, emocionante. Até dentro de campo, onde houve reviravoltas, dois golos no prolongamento, um deles no último minuto e uma decisão trágica no desempate por penáltis. Bas Dost e Pepe acertaram na barra, Renan defendeu o remate de Fernando Andrade e Luiz Phellype bateu o penálti decisivo. Para a festa leonina.

FICHA DE JOGO
2-2 (5-4 g.p)

Sporting: Renan Ribeiro; Bruno Gaspar (Tiago Ilori, 66m), Coates, Mathieu e Acuña; Gudelj (Doumbia, 90m), Wendel e Bruno Fernandes; Raphinha, Luiz Phellype e Diaby (Bas Dost, 74m).

FC Porto: Vaná Alves, Éder Militão (Hernâni, 102m) , Felipe (Adrian Lopez, 99m), Pepe e Alex Telles (Fernando Andrade, 106m); Herrera  e Danilo Pereira; Marega, Otávio (Manafá, 77m), Brahimi; Tiquinho Soares

Golos: Danilo Pereira (45m, p.b.) e Bas Dost (104m) Tiquinho (41m) e Felipe (120m)

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