Porque é que a China tem boa parte dos patrocinadores do Euro 2024?

24 jun, 23:55
Euro 2024 (AP/Michael Probst)

Cinco dos 13 patrocinadores oficiais internacionais são chineses. O parceiro de mobilidade, que era alemão, tornou-se chinês para esta edição da prova

Estamos no Euro 2024, mas nem tudo o que está à volta da principal prova de seleções do Velho Continente é necessariamente europeu. Consequência da globalização, dos negócios e do futebol, desporto de massas apreciado por qualquer pessoa num qualquer canto do mundo.

E a verdade é que, na 17.ª edição do torneio, mais de um terço dos patrocinadores oficiais globais vem… da China. São cinco em 13, do total de 18 patrocinadores oficiais do Euro 2024 (cinco deles são patrocinadores oficiais nacionais).

Mas, o que é que explica esta presença chinesa no Euro 2024?

«Eu acho que há uma combinação de três fatores: o primeiro é que é um Europeu com alcance mundial e temos o mundo inteiro a acompanhar, o segundo é que várias empresas chinesas de várias indústrias são cada vez maiores e têm alcance global, estão presentes e com interesse no mercado europeu e o terceiro é o sinal claro de que a UEFA anda permanentemente à procura dos melhores negócios e dos melhores patrocinadores e neste caso consegue perceber e captar empresas chinesas, com contratos grandes, para se associarem a uma competição como o Euro 2024», entende Daniel Sá, diretor executivo do IPAM.

De facto, a China aparece no Euro 2024 com marcas distintas, que vão, por exemplo, desde os automóveis até às plataformas de compras. Os cinco patrocinadores chineses incluem a BYD (fabricante de automóveis elétricos), a Vivo (fabricante e distribuidora de telemóveis), AliExpress (plataforma global de compras online), Alipay+ (plataforma digital de pagamentos) e a Hisense (fabricante de televisões e eletrodomésticos). Daniel Sá clarifica que os acordos da UEFA com estes patrocinadores não são ao acaso, trazendo benefícios a ambas as partes.

«Isso é claro, os contratos de patrocínios a este nível são sempre uma relação win-win: quem patrocina, paga bastante, paga vários milhões [de euros] para estar presente, mas tem noção - porque consegue ter tudo bem medido e estudado - do retorno que esse investimento dá. E o retorno vem por visibilidade, com transmissões, com fotografias, com vídeos, com os milhões de horas de tempo de antena que uma coisa deste género tem. Tudo isto é possível calcular em termos de valor financeiro. Por outro lado, existem estudos de satisfação de associação de notoriedade e as marcas conseguem ter noção do tipo de retorno que podem ter», expõe.

No caso da Vivo, da Alipay+ e da Hisense, já tinham sido marcas presentes no Euro2020. Para o Euro 2024, foram assinadas parcerias com a AliExpress (da qual o ex-futebolista David Beckham se tornou recentemente embaixador) e a BYD, que substituiu a alemã Volkswagen como parceiro de mobilidade no Europeu. Exemplos que Daniel Sá entende como claros quanto à competitividade que estas marcas asiáticas estão a ter no mercado, bem como aos investimentos no futebol para ganharem notoriedade, visibilidade e volume de negócios no mercado europeu.

«Para além da visibilidade, há uma jogada estratégica de qualidade. Quando esta marca automóvel substitui a Volkswagen, está a retratar o que está a acontecer neste setor no mundo inteiro: as marcas chinesas a ultrapassarem marcas europeias e americanas. É dizer assim: até no vosso Europeu, a marca é nossa, é chinesa. Claro que sim, há esta jogada estratégica que também tem sentido e que o futebol dá. Não é apenas a visibilidade, o estarmos a olhar para um logótipo numa camisola ou à volta de um campo», aponta Daniel Sá, crendo que esta representatividade chinesa já traz consigo a tentativa de posicionamento sólido no mercado ocidental.

«Uma boa parte dos ocidentais foram contactando com produtos chineses, aqueles produtos tipicamente de baixo valor, de baixo preço, de baixa qualidade e é verdade que esse mercado continua a existir. Agora, as empresas que estamos a falar, esta nova onda destas grandes empresas chinesas, são tudo menos de má qualidade. Têm mostrado ser capazes de competir com os melhores produtos do mundo inteiro, sejam americanos ou europeus. Estamos a falar de muita tecnologia, muita qualidade, muita sofisticação e a China, enquanto país, tem sido capaz de, nos últimos anos, produzir grandes marcas que competem com as melhores marcas globais. Dá prestígio ser patrocinador oficial do Euro e eleva o estatuto das marcas», aponta.

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