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Dois eurodeputados portugueses entre os "maiores amigos de Putin" no Parlamento Europeu

6 jun, 17:37
Entrada do edifício do Parlamento Europeu em Bruxelas. Foto: Kenzo Tribouillard/AFP via Getty Images

O jornal Politico analisou 16 resoluções críticas do Kremlin e da invasão na Ucrânia e identificou os representantes que defenderam a posição russa com mais consistência

As eleições europeias aproximam-se e um dos principais temas que marcaram o debate político foi a área da Defesa e a posição europeia perante a ameaça de uma Rússia com ambições de conquista territorial na Europa. Uma investigação do Politico coloca os eurodeputados do Partido Comunista Português, Sandra Pereira e João Pimenta Lopes, como alguns dos que apoiam as posições de Moscovo com mais consistência.

O jornal norte-americano Politico analisou a posição dos vários eurodeputados nas votações de diversas resoluções críticas para Moscovo em diferentes temas, da acumulação de tropas na fronteira da Ucrânia ao envenenamento de Alexei Navalny, opositor de Vladimir Putin.

Sandra Pereira aparece mesmo em segundo lugar da lista, apenas atrás da eurodeputada da letónia Tatjana Ždanoka, acusada de espiar para a Rússia. Das 16 resoluções votadas que condenavam as ações do Kremlin, a eurodeputada comunista votou contra 14, não tendo estado presente nas outras duas - uma das resoluções foi votada em junho de 2023 e condenava a tortura de menores por parte da Rússia na Ucrânia. A segunda resolução condenava a alegada interferência russa na União Europeia e foi a votos em fevereiro de 2024.

João Pimenta Lopes aparece na lista como o sexto eurodeputado mais consistente no que toca a rejeitar posições de condenação a Moscovo. À semelhança de Sandra Pereira, o eurodeputado votou contra todas as resoluções em que esteve presente. No entanto, Pimenta Lopes não esteve presente em quatro das votações.

Em setembro de 2020, o eurodeputado comunista faltou à votação que condenava o envenenamento de Navalny. Um ano depois, em abril de 2021, não compareceu à votação que condenava a acumulação de forças na fronteira da Ucrânia e que o Kremlin dizia serem apenas exercícios militares. O eurodeputado comunista não estaria também presente nas mesmas duas votações que Sandra Pereira faltou.

O quadro político dos eurodeputados que votam mais consistentemente ao lado do Kremlin mostra que este não é um fenómeno que toca mais a esquerda ou a direita, mas sim os seus extremos.

Vários candidatos da extrema-direita votaram lado a lado com os candidatos da extrema-esquerda ou com políticos não alinhados. Entre os políticos que mais votaram contra as resoluções que condenam a Rússia de Vladimir Putin estão vários eurodeputados dos grupos dos Reformistas e Conservadores Europeus, de Giorgia Meloni, do Identidade e Democracia, de Marine Le Pen, bem com vários eurodeputados não-inscritos.

É esse o caso de Maximilian Krah, líder do partido de extrema-direita alemão do Alternativa para a Alemanha (AfD), que votou contra quase todas as resoluções que condenam o Kremlin, abstendo-se apenas três vezes. Krah, que pertencia à mesma família política do Chega, o Identidade e Democracia, passou a eurodeputado não-inscrito, devido à polémica em torno das alegações de espiar para a Rússia e para a China e de comentários acerca dos ex-combatentes da unidade nazi Waffen-SS.

Entre o grupo de deputados estão também os irlandeses Clare Daly e Mick Wallace da família política do PCP, a Esquerda no Parlamento Europeu. Estes políticos são contra as sanções europeias à Rússia e, segundo uma investigação do Irish Times, os eurodeputados são as vozes do Parlamento Europeu que têm mais representação no panorama mediático russo e chinês.

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