Navalny foi envenenado com Novichok e Kremlin está à espera de que vestígios desapareçam do corpo - mulher do opositor russo diz ter provas

CNN Portugal , DCT
19 fev, 13:42
Yulia Navalnaya (Associated Press)

A viúva de Alexei Navalny gravou um vídeo no qual alega que o marido foi envenenado e que o Kremlin está a esconder o corpo para ocultar as provas do assassinato

Yulia Navalnaya acusa Vladimir Putin de ter matado Alexei Navalny. Num vídeo publicado esta manhã no YouTube, a viúva do opositor russo diz que Navalny foi envenenado com Novichok, substância neurotóxica que já tinha sido usada para envenenar o opositor russo no verão de 2020.

“Eu não deveria estar neste lugar, não deveria estar a gravar este vídeo. Deveria haver outra pessoa no meu lugar. Mas essa pessoa foi morta por Vladimir Putin”, disse Navalnaya no vídeo.

Mas a viúva de Alexei Navalny não acusa apenas diretamente o presidente russo pela morte do seu marido, como diz que sabe “exatamente por que [motivos] Putin matou o Alexei há três dias”, prometendo revelar todos os pormenores “em breve”, incluindo o nome de todos os envolvidos no crime, avança a Reuters. “Vamos citar nomes e mostrar rostos”, assegura.

Segundo Navalanya, o Kremlin ainda não entregou o corpo de Navalny à família - e a própria mãe do opositor foi esta segunda-feira impedida de entrar na morgue - porque está à espera que o veneno desapareça do organismo, numa tentativa de ocultar as provas do alegado crime.

Embora tenha tido sempre uma postura mais reservada, mesmo marcando presença em todas as ações de reivindicação do marido, Navalnaya assume-se agora como voz da oposição: “Eu sei, parece que não é mais possível. Mas precisamos de mais. Unirmo-nos todos num punho forte e atingir com ele este regime enlouquecido - Putin, os seus amigos, bandidos uniformizados, ladrões e assassinos que paralisaram nosso país.”

Na mensagem gravada, Navalnaya diz que ao “matar Alexei”, Vladimir Putin “matou metade de mim, metade do meu coração e da minha alma”, mas promete continuar o trabalho de oposição que estava a ser levado a cabo pelo marido. “Mas ainda tenho a outra metade, e isso diz-me que não tenho o direito de desistir.”

“Vou continuar o trabalho de Alexei Navalny… Quero viver numa Rússia livre, quero construir uma Rússia livre”, diz, apelando a que os russos se juntem a ela nesta luta. “Eu peço que fiquem comigo. Para partilhar não apenas a dor e a dor sem fim... peço que partilhem comigo a raiva. A fúria, a raiva, o ódio por aqueles que ousam matar o nosso futuro.”

Desde o anúncio da morte de Alexei Navalny que dezenas de russos têm desafiado a sua liberdade para prestar homenagens ao opositor de Putin, mas o número de detenções não para de crescer.

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