Centenas de russos detidos por depositarem flores e cantarem para Navalny

17 fev, 17:37

Russos admitem estar "assustados" com o futuro do país

Há um ano e meio que não se via tal coisa na Rússia. Pelo menos 340 pessoas foram detidas em apenas 24 horas. Tudo porque prestavam homenagem a Alexei Navalny, o principal opositor de Vladimir Putin cujo serviços prisionais russos anunciaram a morte esta sexta-feira.

Trata-se da maior onda de detenções desde setembro de 2022, quando cerca de 1.300 pessoas foram detidas por protestarem contra a “mobilização parcial” anunciada pelo Kremlin, e que fazia parte do aumento do esforço de guerra na Ucrânia.

Mas, se dessa vez até houve alguma violência popular, desta vez os detidos agiram de forma pacífica. Tudo o que fizeram foi depositar flores em memoriais de cidades como São Petersburgo ou Moscovo.

O website OVD-Info, que relata abusos dos direitos humanos na Rússia, refere que grande parte das detenções ocorreu precisamente naquelas duas cidades, as maiores do país, e onde o movimento de Navalny tinha especial relevância.

Em São Petersburgo a homenagem fez-se junto a um memorial das vítimas da repressão. Aí foram depositadas flores e velas, com os populares a cantarem canções e abraçarem-se uns aos outros pelo meio de algumas lágrimas.

“Lamento muito por ele e pelo nosso país”, disse uma mulher de 83 anos à agência Reuters, a quem revelou estar “assustada” com o futuro do país.

Mas as detenções também se estendem a outras cidades, desde Belgorod, na fronteira com a Ucrânia, à pequena Vorkuta, numa zona remota do Ártico, que ficou conhecida na era dos campos gulag de Estaline.

“Em cada departamento pode haver mais detidos do que aqueles que constam nas listas”, alerta a OVD-Info, que só publica os nomes de detidos que conseguiu confirmar.

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