Oh não, as férias acabaram. Dicas para um regresso ao trabalho mais agradável

21 ago, 12:00
Cansaço (Pexels)

O segredo está na organização e na capacidade de gestão do tempo. Saiba como conseguir ambos

Passadas semanas a fio a desejar a chegada das férias de verão e já depois do merecido descanso, eis que a realidade bate à porta. Tenham sido as férias de total relaxamento, mais aventureiras, em casa ou naquela cidade que há muito esperava visitar, o regresso ao trabalho nem sempre é fácil. Há quem fique desapontado, há quem se sinta stressado e há mesmo quem apresente sinais de depressão pós-férias. As boas notícias é que para qualquer uma destas situações há formas de tornar o regresso ao trabalho mais agradável.

“Devemos evitar o stress pós-férias e a depressão pós-férias, que identificamos quando nos sentimos tão ansiosos por regressar ao trabalho. Há pessoas que adiam e até metem baixa médica”, diz à CNN Portugal Marta Calado, mestre em Psicologia Motivacional e Psicoterapeuta HBM. E os sinais de alerta são “falta de concentração, dor de cabeça, dor de barriga, diminuição da produtividade e do rendimento, sensação física de mal-estar”, aponta.

O primeiro passo, defende a especialista, está em planear o regresso ao trabalho, que pode ser feito com um dia extra de descanso (um dia de folga por usar, por exemplo) ou com a inclusão de rotinas diárias nos últimos dois/três dias de férias. Mas não só: se possível, “o primeiro dia de trabalho deve ser em teletrabalho se houver essa possibilidade, ou meio-meio, metade em casa e metade no trabalho”, diz a psicóloga, destacando que esta é uma estratégia para que o regresso seja mais suave. E há mais dicas a ter em conta.

Não regresse a todo o gás

Este é o primeiro conselho da psicóloga, que sugere também começar o dia a “reunir com pessoas a quem delegamos tarefas” ou que por norma nos delegam a nós. O objetivo é a pessoa inteirar-se dos “assuntos prioritários e no dia seguinte começar a dar uma resposta mais ativa”, desaconselhando o comum hábito de “querer resolver tudo no primeiro dia”, pois isso “pode trazer stress, frustração e cansaço associado a síndrome pós-férias”.

“Devemos entrar no trabalho sentindo que não vamos resolver logo tudo no primeiro dia, o primeiro dia deve ser, se possível, para sair mais cedo, para retomar as rotinas de lazer, para chegar [ao trabalho] e perceber se queremos mudar algo no nosso espaço de trabalho, nos horários, no método de trabalho”, continua.

'Out of Office' mais uns dias, mesmo que já esteja a trabalhar

Tal como durante as férias, folgas ou fins de semana prolongados, a psicóloga aconselha “a manter o out of office [OOO, ausente do escritório, em tradução livre] na caixa de correio”, assim, a tentação de ir ao e-mail é menor e ganha-se “um tempo que é a nosso favor, ajuda a amolentar a primeira semana se nos sentirmos logo assoberbados com o regresso ao trabalho”.

Mas a mensagem automática pode também ser usada para “organizar a caixa de correio” e perceber quais são os e-mails prioritários a responder, assim “para evitar stress e fustração”. “E apostar nas conversas presenciais”, diz, reforçando que é mais fácil perceber tudo o que se passou durante o período de ausência quando se conversa do que quando se troca e-mails.

“O que devemos fazer para não levar com o stress de termos tanta coisa para resolver é reunir logo com um ou dois colegas, ao invés de ler os e-mails. Falar com eles para ficarmos a par do que é prioritário e do que foi implementado, para que não nos sintamos sozinhos a gerir informação que ocorreu fora do nosso controlo, na nossa ausência, algo que pode trazer insegurança e receio.”

Já fora do escritório, a especialista aconselha as pessoas a manterem o hábito de desligar, sendo o “modo voo” e as “notificações silenciadas” uma boa aposta “para manter a separação do período de lazer e do espaço profissional”.

Não se sinta mal por estar já a planear a próxima pausa

Para a psicóloga Marta Calado, sair de umas férias e começar já a planear as próximas (ou até mesmo apenas um fim de semana) é uma mais-valia para que o regresso ao trabalho seja mais positivo.

“Quando regressamos queremos ir de cabeça fresca, que está associado a um melhor rendimento, e para algumas pessoas pode ser motivador programar as próximas férias ou um fim de semana grande, isso dá um novo alento”, defende Marta Calado.

Mas planear as próximas férias é mais do que o simples desejo de voltar a parar, ajuda a “programar a agenda de trabalho” e, ao cruzar datas, a definir prioridades e métodos, melhorando a gestão do tempo e do bem-estar.

“Devemos dar prioridade ao nosso bem-estar, que vai ser fundamental para sermos produtivos e que está associado à felicidade, a menores níveis de stress. Devemos sempre identificar o que nos dá bem-estar e fazer disso prioridade depois da jornada de trabalho.”

Volte à rotina para melhorar a concentração pós-férias

Passados dias (ou semanas) sem rotinas, poucos hábitos e muitas distrações, conseguir concentrar-se de novo pode ser difícil, mas Marta Calado considera que o simples ato de voltar à rotina é uma ajuda.

“Voltamos a treinar a concentração sujeitando a mente aos horários mais habituais das nossas rotinas quando estamos num período do ano em que estamos em ofício e não lazer”, diz. A psicóloga começa por aconselhar “ajustar o despertador aos horários habituais de despertar e deitar, ajustar as rotinas diárias ao que eram pré-férias e preparar a casa e o menu da semana”, ou seja, hábitos diários que ajudam a entrar em ‘modo laboral’. 

“São estratégias de mentalização que nos ajudam a convencer-nos a nós próprios que daqui a uns dias estamos em modo de período laboral. Isso dá controlo, a pessoa faz o desapego ao período de férias e ajuda a separar os períodos de lazer do profissional.”

A especialista junta ainda o controlo do uso de tecnologias à noite - para uma boa qualidade de sono - e a realização de “atividades e tarefas que descansem o cérebro e a mente, ao longo da semana e até mesmo nos feriados”.

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