Reconversão profissional. Elas mudaram de vida e tornaram-se digitais

23 set, 08:00
Tecnologia (Pexels)

Este é o caminho que têm seguido muitos portugueses, sobretudo após a pandemia, quando houve tempo para repensar gostos e prioridades. A formação na área digital tem sido muito procurada, em especial pelas fortes garantias de emprego no final da aprendizagem. Três casos que mostram que a tecnologia também é um mundo de mulheres

Para Micaela Rodrigues, o desafio era grande. Conciliar um filho bebé de poucos meses, o trabalho e uma mudança de vida. Ela sentia-se bloqueada, sem perspetivas de evolução na carreira. E decidiu que era altura de experimentar outra coisa. Entenda-se, uma formação intensiva para a área tecnológica.

Formada em Engenharia Biomédica, trabalhava como técnica de laboratório. “Era uma empresa pequena. Trabalhei lá cinco anos. Apesar de gostar do ambiente, das pessoas, já não me sentia realizada. Sentia que tinha estagnado. Já não estava motivada.”

Micaela já havia tentado inclusive um percurso na investigação, mas a instabilidade tirou-a desse caminho, já que dependeria sempre de bolsas de estudo. Micaela queria segurança para dar passos importantes na vida, como engravidar.

Foi então que os convívios com familiares a trabalhar na área da engenharia informática começaram a fazer eco na reflexão de Micaela. “Ouvia muito do que diziam, muito da vida que faziam, das evoluções na carreira, dos valores monetários que se praticavam nesta área, e do facto de poderem fazer os seus horários ou do trabalho remoto.”

Começou então um curso “intenso e intensivo”, na expectativa de que novas portas se pudessem abrir no mercado de trabalho quando acabasse a formação tecnológica. Durante o dia trabalhava, durante a noite estudava.

Quando acabou o curso, Micaela, com 33 anos, a viver em Póvoa de Lanhoso, colocou na rede social LinkedIn que estava à procura de trabalho. Ofertas de trabalho não faltaram. “Andava a fazer três a quatro entrevistas por dia. Até assinar um contrato, foram três semanas.”

Hoje, Micaela trabalha na consultora Deloitte, uma das maiores do mercado. “Trabalho na área de seguros e estou a adorar. E aprendo sempre um bocadinho todos os dias. O facto de estar inserida num projeto internacional também me tira da zona de conforto, uma vez que o meu nível de inglês não é fluente e tenho de trabalhá-lo.” Há sempre margem para melhorar. 

Micaela Rodrigues

Investimento com retorno?

Fazer uma reconversão profissional para a área das tecnologias de informação é algo que pode estar ao alcance de todos. Existem diferentes formatos de formação, para todos os bolsos. Desde formação gratuita, como na 42 Lisboa, a cursos que custam milhares de euros.

No caso das três histórias deste artigo, a formação foi feita na Cegid Academy, onde o programa de reconversão profissional pode ultrapassar os cinco mil euros. Ainda assim, quem o fez, diz que o investimento acaba por compensar.

(Pexels)

E não é só pelo salário. “Neste momento, vou ao escritório uma vez por mês. O que é excelente, para quem tem filhos, porque não há tempo perdido no trânsito”, conta Sandra Gomes, de 38 anos, a viver em Barcelos.

Neste caso, foi também a pandemia a ditar a mudança. Formada na área de Gestão, Sandra trabalhava como técnica de apoio jurídico num sindicato em Braga. Com a incerteza levantada pela covid-19, os pedidos de apoio a associados dispararam, devido a despedimentos e lay-offs. Sandra deixou passar a fase “crítica” e decidiu partir para a etapa seguinte: a tecnologia.

“As perspetivas de evolução na carreira profissional eram poucas e, para além disso, a pandemia fez-me repensar a minha vida profissional”, recorda. “O Direito não era a área com que me identificava e não era mesmo o que eu queria continuar a fazer. Sempre fui mais ligada aos números, à lógica e, sobretudo, a desafios. As tecnologias de informação sempre me fascinaram e despertavam imensa curiosidade.”

A mudança não foi tarefa fácil. “É uma formação muito intensiva, de nove meses, que conseguimos concluir com muito empenho, dedicação, muitas horas de estudo e de pesquisa. A cada projeto entregue sentia que subia um enorme degrau nesta caminhada.” Nela, aprendeu a trabalhar com tecnologias que estão entre as mais procuradas no mercado laboral.

Sandra terminou a formação em abril. Em maio, já estava a trabalhar na equipa de desenvolvimento da Keyvalue, empresa de consultoria e serviços tecnológicos. Hoje “sei que fiz a escolha certa quando decidi fazer o ‘restart’ à minha carreira profissional”. Mas reconhece que há colegas de curso onde esse processo não foi tão rápido, porque há empresas que estão apenas focadas em gente com experiência, algo que falta a quem está no início de uma aventura como esta.

Mudar implica sempre esforço. Mas quando há suporte familiar, as coisas ficam um bocadinho mais fáceis: “Tive todo o apoio da minha família na minha decisão de mudar de carreira profissional. Naturalmente, envolveu esforço acrescido para todos. O meu filho conseguiu perceber e lidar com a ‘ausência’ da mãe durante a formação, embora não possa negar momentos mais difíceis.”

Sandra Gomes

Mudar as vezes que forem precisas, até encontrar

Mudar de vida não era propriamente uma novidade para Elisabete Miguel, hoje com 36 anos, a viver em Braga. Tirou um curso de enfermagem em 2008. Seis anos depois, a licenciatura em Economia. Estava a trabalhar nos serviços administrativos de um colégio quando decidiu mudar novamente.

“Foi exatamente por me sentir estagnada, sem perspetiva de evolução e progressão na carreira que decidi investir na formação tecnológica”, confirma, reconhecendo a forte procura por profissionais na área das Tecnologias da Informação.

Bases de dados, programação orientada a objetos e programação Web foram os módulos da formação frequentada por Elisabete.

“Quando terminei este curso tive várias propostas de trabalho. Entrei como programadora júnior numa ‘software house’. Neste momento, sou ‘software tester’ da Cegid Valuekeep”, resume. Ou seja, acabou integrada no grupo tecnológico onde fez a formação.

“Existem mais perspetivas de emprego e evolução na carreira, existe uma maior oferta no mercado de trabalho”, aponta.

Elisabete Miguel
(Pexels)

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