Rios de tensão. Suíça no comando das águas da Europa Ocidental deixa França à deriva e Itália em alerta

14 mai, 11:25
Lago Léman (Dukas/Universal Images Group via Getty Images)

No coração da paisagem na margem oeste do lago Léman, onde o rio Ródano serpenteia por uma estreita barragem, emerge uma história de diplomacia e disputas em cada gota de água

A inscrição gravada nas paredes de um antigo edifício industrial celebra um acordo de 1884 entre três cantões suíços que regulamentam os níveis de água deste vasto lago alpino desde então. Escreve o jornal Politico que a “ausência” da França deste acordo é um lembrete marcante de um erro histórico.

Enquanto a Suíça, abastecida pelos seus glaciares, ostenta o controlo das torneiras da Europa Ocidental, os seus vizinhos sofrem com a crescente escassez de água. A França, possuidora de 40% do lago Léman, não tem controlo sobre essa fonte de água enquanto enfrenta secas devastadoras e temperaturas abrasadoras.

Até agora, a cooperação entre os países tem mantido a situação sob controlo, com a Suíça a atender aos pedidos franceses de mais água. Contudo, Jérôme Barras, responsável pela Barragem do Seujet, disse ao Político que “não há obrigação” de atender a tais pedidos.

As águas do Ródano, que nascem nos glaciares suíços e que se cruzam com o Léman no cantão de Valais, não abastecem apenas milhões de pessoas e sustentam a agricultura e a indústria, mas também são vitais para a França, que delas dependem para as suas centrais nucleares. No entanto, um estudo recente alertou que o fluxo de água do Ródano diminuiu entre 7 e 13% nos últimos 60 anos, com projeções indicando uma queda adicional de 20% até 2055.

Enquanto isso, as negociações entre a Suíça e a França permanecem tensas, com ambas as partes resistindo a compromissos que possam comprometer os seus interesses. A França procura um acordo formal de partilha de água que garanta um certo volume através da barragem, enquanto a Suíça visa manter o controlo sobre as águas que fluem desde as suas montanhas.

Estas tensões não são exclusivas da França e da Suíça, com a Itália também envolvida em disputas sobre os níveis de água do Lago Maior, dividido entre a Itália e a Suíça. 

Essa tensão tem sido observada de perto pela Comissão Europeia, que alertou para a possibilidade de conflitos hídricos em toda a Europa, à medida que as pressões sobre os recursos hídricos continuam a aumentar.

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