Portugal já tem tema para o seu pavilhão na Expo Osaka 2025

25 out, 07:49
Projeto da Expo Osaka 2025

Cidade japonesa dá hoje pontapé de saída para a próxima exposição universal, com a primeira reunião dos comissários-gerais dos 142 países presentes

Quase cinco séculos depois da chegada dos navegadores portugueses ao Japão - os primeiros ocidentais a pôr pé em solo nipónico - o oceano é o tema escolhido por Portugal para o pavilhão nacional da Expo Osaka 2025. Esta terça-feira acontece o pontapé de saída para a fase final da preparação da próxima exposição universal, com a primeira reunião, em Osaka, dos comissários-gerais dos países e organizações presentes. De acordo com o governo nipónico, a cidade do oeste do Japão terá pavilhões de 142 países e territórios, e de oito organizações internacionais.

Ainda não está definido nem o orçamento nem quem será o autor do pavilhão português - a escolha será resultado de um concurso internacional que ainda não foi lançado -, mas o tema e as prioridades dessa representação já estão escolhidos. Os oceanos voltarão a estar no centro da narrativa portuguesa, 27 anos depois da Expo’98, em Lisboa, com o mesmo tema.

A Expo Osaka tem como tema genérico “Desenhar a sociedade do futuro nas nossas vidas”, e as autoridades nipónicas esperam que o evento seja uma demonstração da capacidade do país no domínio tecnológico e da inovação. Entre outras novidades, espera-se que a feira tenha o primeiro serviço de táxis voadores do mundo.

A representação de Portugal ficará num dos núcleos principais da feira, perto do pavilhão mais importante - o do Japão -, e será integrada na sub-temática “Empoderar vidas”, que inclui a reflexão sobre a conservação dos oceanos e desenvolvimento sustentável dos recursos marinhos. Será esse o foco da mensagem de Portugal.

“Para o tema da sociedade do futuro acreditamos que a ligação aos oceanos será crucial”, diz à CNN Portugal Luís Castro Henriques, presidente da AICEP, Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal. “Se pensarmos na relação entre Portugal e o Japão e se pensarmos na relevância que o oceano tem para nós e na relevância que nós temos nos oceanos - temos cerca de 50% da massa oceânica da Europa -, acreditamos que podemos dar um contributo relevante para a Expo Osaka 2025 com este tema”, diz o responsável da agência portuguesa.

Castro Henriques está em Osaka, para participar no encontro de hoje dos responsáveis pelas representações nacionais na exposição universal, e explica que a escolha do tema permite juntar passado e futuro - relembrar a história de Portugal e mostrar o que o país tem de mais inovador.

“O que pretendemos é afirmar o que é Portugal no século XXI, qual é a nossa matriz tecnológica, a nossa sofisticação, a nossa competitividade. Os japoneses têm uma noção muito concreta do que nós éramos no século XVI, quando fomos o primeiro povo [ocidental] a chegar ao Japão, mas utilizando essa ponte com a história, [queremos] demonstrar o que Portugal é hoje em dia, que contributo é que tem no mundo e como é que pode, graças a esse contributo, transformar o mundo e desenhar a sociedade do futuro.”

As autoridades japonesas estimam que, nos seis meses em que estará de portas abertas, a feira seja visitada por 30 milhões de pessoas, na sua esmagadora maioria japoneses. É, por isso, um momento para “aumentar a notoriedade de Portugal no Japão”. Não apenas como protagonista de um capítulo decisivo na história do Império do Sol Nascente, no século XVI, mas como parceiro económico e destino de investimento no século XXI. 

“As nossas exportações para o Japão são bastante diversificadas, com uma componente do setor automóvel muito grande, mas vão desde o agroalimentar à moda. Porém, a principal ideia que eles têm das nossas exportações está ligada ao [setor] agroalimentar, com os vinhos e alguma gastronomia que está ligada à gastronomia deles, como a tempura e o pão de ló. Mas, se olharmos para as exportações globais de Portugal, são muito mais tecnológicas do que isso, portanto também queremos dar essa dimensão”, frisa Castro Henriques.

O oceano, para além de ter sido a via para a chegada dos portugueses ao Japão, é hoje uma das áreas de excelência da inovação e capacidade tecnológica de Portugal, seja através de centros de investigação, seja na forma como o país se tornou um pioneiro na economia azul ou um caso de referência no combate às alterações climáticas e na descarbonização da economia.

“A ideia é ligar a história à realidade atual. Chegámos ao Japão através dos oceanos, e o oceano é um vetor de crescimento muito importante para o país, onde Portugal se pode afirmar”, garante o presidente da AICEP.

A Expo Osaka vai acontecer entre 13 de abril e 13 de outubro de 2025 em Yumeshima, uma ilha artificial que ainda alberga um grande parque de contentores e no passado teve diversos usos ligados à atividade portuária da terceira maior cidade do Japão. A ilha está em processo de reabilitação e reconversão para receber a exposição universal.

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