"Não somos a Amazon". Ministro da Defesa britânico critica Zelensky, líder ucraniano diz não perceber o que Ben Wallace quis dizer

12 jul 2023, 21:54
Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na cimeira da NATO em Vilnius (EPA)

Também o conselheiro da Segurança Nacional dos EUA pediu "mais gratidão" a Zelensky. Presidente ucraniano reagiu com agradecimento "a todos os líderes dos países da NATO"

Num acontecimento tão importante e decisivo como a cimeira da NATO, em Vilnius, na Lituânia, esperava-se que os membros da Aliança e o presidente ucraniano estivessem em sintonia face aos anúncios de novos apoios económicos e militares, além da adoção de discursos harmonioso tendo em conta a adesão de Kiev. Contudo, foi do Reino Unido e dos Estados Unidos, os grandes suportes da Ucrânia na guerra, que surgiram afirmações inesperadas.

O ministro da Defesa britânico e o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA sugeriram que a Ucrânia devia mostrar mais gratidão pela ajuda recebida pelo Ocidente, em resposta às reclamações de Volodymyr Zelensky, que considerou “absurdo” não ter recebido um cronograma definitivo ou um conjunto de condições para entrar na NATO.

“Quer gostemos ou não, as pessoas querem ver um pouco de gratidão”, disse Ben Wallace aos jornalistas, considerando que a Ucrânia deveria ter uma abordagem diferente.

O ministro da Defesa britânico acusou ainda a Ucrânia de tratar habitualmente os aliados, incluindo o Reino Unido, como se fossem um “depósito da Amazon”, com listas de solicitações de armas, uma atrás de outra, não considerando a necessidade de conquistar os políticos mais céticos no Congresso dos EUA e outros. “Às vezes tem de persuadir os países a desistir dos seus próprios armazenamentos. Às vezes tem de persuadir os legisladores do Capitólio. Tem de persuadir os políticos receosos de outros países de que vale a pena”, sugere. “Eu disse-lhes no ano passado, quando viajei 11 horas para receber uma lista.”

Também Jake Sullivan, conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, defendeu que “o povo americano merece um certo grau de gratidão”, quando questionado se Joe Biden estaria a retardar a adesão da Ucrânia à NATO por receio de que a Rússia perdesse, “com medo da vitória da Ucrânia”.

“Os EUA chegaram-se à frente para fornecer uma enorme capacidade que garantisse que os bravos soldados da Ucrânia tenham munições, defesa aérea, militares, veículos de combate e equipamento de remoção de minas”, respondeu.

Volodymyr Zelensky não ficou indeferente às afirmações e, em dois eventos diferentes à margem do segundo dia da cimeira da NATO, suavizou o seu discurso, declarando estar "grato a todos os líderes dos países da NATO" pelo apoio e ajuda.

"Sempre nos mostrámos gratos ao Reino Unido, aos primeiros-ministros e ministros da Defesa, porque sempre nos apoiaram”, garantiu, acrescentando em tom irónico: "Não percebi o que [Wallace] quis dizer e de que outra maneira podíamos estar mais agradecidos. Podíamos levantar-nos de manhã e expressar a nossa gratidão ao ministro pessoalmente." 

Recorde-se que o G7 assinou, esta quarta-feira, uma declaração conjunta na qual os membros concordaram "garantir uma força sustentável, capaz de defender a Ucrânia agora e impedir a agressão russa no futuro", bem como manter o apoio económico e ajudar na reconstrução. Embora tenha sido "compreensível que a Ucrânia não possa aderir à NATO enquanto está em guerra", Zelensky considera que seria ideal se houvesse um convite para Kiev se juntar à aliança no futuro. 

O primeiro-ministro britânico Rishi Sunak distanciou-se dos comentários de Ben Wallace, esclarecendo que o presidente ucraniano "expressou repetidamente a sua gratidão". "A mim, ao povo britânico e também a outros aliados", servindo-se do exemplo do seu discurso em Westminster em fevereiro. 

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