Artista dos Países Baixos expulso da final da Eurovisão

Beatriz Céu , com LUSA
11 mai, 11:32
Músico neerlandês Joost Klein (AP)

Decisão surge na sequência de uma queixa apresentada por um membro feminino da equipa de produção do evento. Organização diz que "o comportamento" de Joost Klein é considerado "uma violação das regras do concurso"

A organização do Festival Eurovisão da Canção decidiu expulsar o artista neerlandês Joost Klein da final do concurso, que decorre este sábado à noite em Malmö, na Suécia.

Em comunicado, a organização anuncia que o artista, de 26 anos, "não competirá na Grande Final do Festival Eurovisão da Canção deste ano" - uma decisão que justifica com uma denúncia feita por um membro da produção do evento e que está a ser investigada pela polícia sueca.

"A polícia sueca está a investigar uma denúncia feita por uma mulher da equipa de produção após um incidente que ocorreu após a sua apresentação na semifinal de quinta-feira à noite. Enquanto o processo legal segue o seu curso, não seria apropriado que ele continuasse no concurso", pode ler-se no comunicado divulgado pela União Europeia de Radiodifusão (UER), sem que se adiantem mais pormenores.

Joost Klein já tinha sido suspenso dos ensaios para a grande final do concurso após um "incidente nos bastidores" que a organização não especificou na altura.

A decisão surgiu depois de uma situação tensa entre o representante dos Países Baixos e a candidata de Israel, Eden Golan, na conferência de imprensa dos países qualificados para a segunda semifinal. Na conferência de imprensa, um jornalista polaco dirigiu uma questão à artista israelita, interrogando-a sobre se se importava com o facto representar "um risco para a segurança e um perigo para todos" ao participar no evento, na Suécia.

O moderador da conferência de imprensa lembrou Eden Golan de que não era obrigada a responder à questão. “Por que não?”, questionou o artista dos Países Baixos em voz alta. O episódio viralizou nas redes sociais.

Apesar de não ser obrigada a responder, a cantora israelita disse crer estarem todos no Festival Eurovisão da Canção por uma razão, “e que a UER tomou todas as precauções para que seja seguro para todos”.

No mesmo comunicado divulgado este sábado, a organização demarca-se de "alguns relatos dos media e especulações nas redes sociais", deixando claro que "este incidente não envolveu nenhum outro artista ou membro da delegação".

"Mantemos uma política de tolerância zero em relação a comportamentos inadequados no nosso evento e estamos comprometidos em fornecer um ambiente de trabalho seguro para todos os funcionários do concurso. À luz disto, o comportamento de Joost Klein em relação a um membro da equipa é considerado uma violação das regras do concurso", acrescenta-se no mesmo comunicado.

Assim, a Grande Final do Festival da Eurovisão contará apenas com 25 participantes, incluindo Portugal.

Veja aqui a participação do representante dos Países Baixos na semifinal do concurso:

Final da Eurovisão marcada por polémicas e apelos a boicotes

Várias dezenas de manifestantes invadiram este sábado a sede da televisão pública finlandesa, Yle, para exigir boicote à final do Festival Eurovisão da Canção devido à presença israelita.

Em vídeos difundidos por vários meios de comunicação finlandeses, os ativistas podem ser vistos sentados no chão com faixas onde se podem ler frases como “Boicote a Eurovisão” ou “Parem o genocídio”.

Os manifestantes afirmam que Israel está a usar a Eurovisão como plataforma para branquear a sua imagem com a participação da cantora Eden Golan.

“Yle deveria defender os seus valores também hoje e não de uma forma contraditória e hipócrita apenas em certos contextos específicos. Nada justifica a participação da Yle na Eurovisão se Israel participar”, afirmaram os ativistas em comunicado.

Esta edição do Festival Eurovisão da Canção está a ficar marcada pelo conflito israelo-palestiniano, que dura há décadas, mas intensificou-se após um ataque do grupo palestiniano Hamas em Israel, em 7 de outubro, que causou quase 1.200 mortos, com o país liderado por Benjamin Netanyahu a responder com uma ofensiva que provocou mais de 34 mil mortos na Faixa de Gaza, segundo balanços das duas partes.

Desde que se soube que Israel iria participar no concurso, representado por Eden Golan, vários apelos foram feitos por representantes políticos e artistas europeus à EBU para que a participação do país no concurso fosse vetada.

Relacionados

Artes

Mais Artes

Patrocinados