Movimento "Fim ao Fóssil: Ocupa!": alunos da António Arroio fecham escola e sobem ao telhado

CNN Portugal , MJC - atualizada às 15:00
10 nov, 10:12

Alunos estão a ocupar desde segunda-feira seis estabelecimentos de ensino em Lisboa. Exigem o fim dos combustíveis fósseis e a demissão do ministro do Mar e da Economia

Ao quarto dia de protestos do movimento "Fim ao Fóssil: Ocupa!", um grupo de cerca de 50 alunos está barricado dentro da Escola António Arroio, em Lisboa. A escola está fechada desde o início da manhã e até agora não há aulas. Ao mesmo tempo, à porta da escola, um grupo significativo de alunos protesta contra os combustíveis fósseis e exige justiça climática.

"Temos feito um plano de escalamento. Segunda-feira fizemos uma manifestação na escola e reunimos cerca de 300 pessoas. Terça-feira reunimos també muitas pessoas em protestos e palestras. Ontem bloqueámos a entrada principal da escola, deitando-nos no chão. Hoje, temos cerca de 50 pessoas fechadas dentro da escola", explica à CNN Portugal, a porta-voz dos alunos da escola, Leonor Pera, sublinhando que os alunos da António Arroio estão dispostos a ir "até ao fim", ou seja, "até sermos ouvidos, até vencer".

“Neste momento, (os alunos) perceberam que não estavam a ser ouvidos e decidiram fechar a escola. Porquê estarmos a ter aulas por um futuro que não vai existir se estas reivindicações não estão a ser ouvidas?”, questionou Alice Gato, porta-voz do movimento, para justificar a ação.

O diretor da Escola Artística António Arrio, Rui Madeira disse, em declarações aos jornalistas, que está a acompanhar o protesto e, apesar de admitir que os estudantes ultrapassaram “linhas vermelhas” ao bloquearem o acesso á escola, não chamaria as autoridades ao local. “Não podemos ser coniventes, porque temos um papel institucional a cumprir, mas há uma coisa que é verdade. É que daqui tem de se tirar uma aprendizagem e, mesmo não havendo aulas, espero que aprendam alguma coisa e que, por fim, se consciencializem que há muitos alunos que estão do mesmo lado quando ao fim, apenas contra os meios”, afirmou.

O diretor da escola assegurou ainda que a segurança dos alunos era uma prioridade da escola, e por isso a escola apoiou os estudantes que desde segunda-feira ali têm pernoitado, e acrescentou que tenciona desbloquear a situação, mas sem pôr em causa as relações futuras com os estudantes. “Nós nunca estaremos contra alunos que querem um mundo melhor”, disse Rui Madeira, considerando também que se este bloqueio é exemplo único entre as seis escolas e faculdades atualmente ocupadas em Lisboa, “só pode ser porque é a melhor escola”.

“É um sítio de liberdade”, sublinhou, acrescentando que a escola promove a liberdade para que “as crianças se tornem homens e mulheres do futuro”.

Desde segunda-feira, os alunos de seis estabelecimentos de ensino de Lisboa estão em protesto, ocupando as escolas secundárias António Arroio e Camões, das faculdades de Letras e de Ciências da Universidade de Lisboa, do Instituto Superior Técnico e da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Os jovens têm duas exigências: "Fim aos combustíveis fósseis até 2030 e fim aos fósseis no governo, nomeadamente do ex-barão do petróleo, António Costa e Silva".

"Pretendemos ser ouvidos, que nos respeitem e que haja mudança. E que a mudança seja agora. Não podemos  continuar assim, estamos a caminhar para a catástrofe climática", afirma Leonor Pera, da escola António Arroio, onde, neste momento, os alunos estão baricados, tendo alguns deles subido ao telhado. Nos outros cinco estabelecimentos de ensino, a ocupação continua sem perturbar a atividade letiva, até ao momento.

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