"Fim Ao Fóssil: Ocupa!”: estudantes vão ocupar escolas e universidades numa ação de protesto contra os combustíveis fósseis (e pedem a demissão do ministro da Economia)

2 nov, 23:31
Ocupação da universidade de Gottingen, na Alemanha (D.R.)

Os estudantes prometem "resistir ou contornar pacificamente quaisquer impedimentos de forças policiais ou de segurança", agindo sempre "de forma calma e cuidada"

O movimento internacional "End Fossil Ocuppy!" (“Fim Ao Fóssil: Ocupa!”, em português), que reúne jovens de todo o mundo no combate aos combustíveis fósseis, está prestes a chegar a Portugal. A partir da próxima segunda-feira, estudantes do ensino secundário e universitário vão ocupar seis escolas e universidades de Lisboa numa ação de protesto pelo fim dos combustíveis fósseis até 2030 e na qual também vão exigir a demissão do ministro da Economia e do Mar, António Costa Silva.

Assim, a partir da próxima semana, centenas de estudantes prometem ocupar as escolas secundárias Liceu Camões e António Arroio, as faculdades de Letras e de Ciências da Universidade de Lisboa, o Instituto Superior Técnico e a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Esta ação de protesto vai manter-se "até que o Governo atenda às reivindicações" dos estudantes, refere-se em comunicado enviado às redações.

"Não queremos continuar a preparar-nos para um futuro que não vai existir. A nossa casa está a arder, e temos de parar tudo o que estamos a fazer para apagar o fogo. As emissões têm de baixar, e isso só é possível se acabarmos com a dependência de combustíveis fósseis até 2030”, defende Clara, uma das estudantes que promovem o movimento, citada pelo comunicado.

A par do combate aos combustíveis fósseis, os estudantes reivindicam a demissão do ministro da Economia e do Mar, António Costa Silva, criticando a postura do governante em relação à ação climática. "Precisamos de um plano de transição energética justa a nível nacional que simultaneamente corte emissões e combata a crise do custo de vida. Isto significa que a economia tem de girar à volta da vida das pessoas, e não do lucro. Um ministro da economia e do mar que é ex-CEO de uma petrolífera e que já se mostrou aberto a que empresas de gás viessem fazer negócios com ele para furar Portugal, não está à altura do plano massivo que precisamos para garantir a nossa sobrevivência”, justifica Ana, outra estudante que integra no movimento.

No 'site' do movimento, a organização justifica a ocupação das escolas pelo facto de "desestabilizar a normalidade". "E desestabilizar é gritar alto e bom som para o resto da sociedade que a nossa casa está a arder. Vamos ocupar para exigir o fim dos combustíveis fósseis. Vamos desestabilizar escolas e universidades porque não podemos continuar a fingir que a normalidade está correta: o nosso dever enquanto jovens é lutar", pode ler-se ainda.

Os estudantes prometem "resistir ou contornar pacificamente quaisquer impedimentos de forças policiais ou de segurança", agindo sempre "de forma calma e cuidada". "Não vamos colocar nenhuma pessoa em perigo", sublinha a organização.

Além desta ação de protesto, está marcada uma marcha pelo clima no dia 12 de novembro, às 14:00, no Campo Pequeno, organizada pela coligação ‘Unir Contra o Fracasso Climático’.

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