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"Imigrantes fazem coação? Não me venha dizer que não há portugueses a fazer o mesmo - fazem, se calhar pelo país fora"

Agência Lusa , MJC
3 jun, 12:22
Debate na rádio - campanha eleitoral para as Eleições Europeias (Lusa/António Pedro Santos)

Debate nas rádios dos candidatos às europeias marcado pela imigração, num dia em que o Governo vai apresentar novas regras - mais apertadas

Os partidos candidatos às europeias criticaram esta segunda-feira o Chega sobre a sua posição relativamente aos imigrantes, com o cabeça de lista da Iniciativa Liberal a acusar o partido de André Ventura de ter "laivos de xenofobia e de racismo".

Os cabeças de lista dos partidos com representação parlamentar concorrentes às eleições europeias participaram hoje em Lisboa no debate das rádios, que será o último antes da votação, em 9 de junho, sendo que a primeira meia hora foi dedicada ao tema da imigração. Na sequência das afirmações do cabeça de lista do Chega, António Tânger Correia, que apontou que Vila Nova de Milfontes conta com metade da população imigrante e que numa visita a um espaço comercial havia "pressão noite e dia" e "ameaças" por parte de imigrantes a lojistas portuguesas, João Cotrim Figueiredo acusou o Chega de ter uma posição xenófoba.

"O que o Tânger Correia acabou de fazer foi dizer que há um problema de ordem pública ou até de coação associado a imigrantes quando é uma coação condenável fosse qual fosse o perpetrador e não me venha dizer que não há portugueses que fazem o mesmo, se calhar por vários centros comerciais por aí fora", atirou o candidato da Iniciativa Liberal (IL). "É totalmente indiferente a nacionalidade do infrator, neste caso e associar uma coisa à outra parece-me os tais laivos de xenofobia e de racismo que perpassam o discurso do Chega, é nisto que se vê", continuou.

João Cotrim Figueiredo (IL) no debate na rádio - campanha eleitoral para as Eleições Europeias (Lusa/António Pedro Santos)

Por sua vez, Catarina Martins, do Bloco de Esquerda (BE), criticou Tânger Correia que tinha afirmado que "o primeiro passo" era a regularização dos 400 mil imigrantes "para que possam entrar no mercado de trabalho". "As 400 mil pessoas que estão à espera de regularização estão a trabalhar, o seu processo de regularização não é para entrar no mercado de trabalho", atirou a cabeça de lista do BE, apontando que a posição do Chega "é mentirosa" e que não se pode "deixar passar" isso.

Acrescentou ainda que se há uma ilegalidade, o dever do Chega teria sido a denúncia, como ela própria já o fez. "O Chega não luta pelas instituições onde está, mas é ótimo para vir para a comunicação social fazer de conta que as pessoas têm culpas" por causa da sua nacionalidade, o que é "inaceitável", rematou.

Por sua vez, Sebastião Bugalho, cabeça de lista da Aliança Democrática (AD), considerou que não há excesso de imigrantes em Portugal. "O problema não é o excesso de imigrantes, isso não existe, o problema é o excesso de imigrantes que não foram regularizados e protegidos", sustentou. Concordando com Catarina Martins sobre o facto de grande parte dos 400 mil imigrantes em Portugal já estarem a trabalhar em Portugal.

"Não podemos tratar os imigrantes como criminosos, neste momento os imigrantes em Portugal são é vítimas de crime, esse é o problema", rematou Sebastião Bugalho. O cabeça de lista da AD admitiu ainda que "acabar com a prática política de manifestação de interesse poderá ser uma solução útil para acabar com a imigração ilegal", no dia em que o Governo vai apresentar o plano sobre o tema.

Sebastião Bugalho (AD) no debate na rádio - campanha eleitoral para as Eleições Europeias (Lusa/António Pedro Santos)

Pedro Fidalgo Marques, do PAN, criticou a ideia de que a imigração traz aumento da criminalidade, apontando que "é erro". O cabeça de lista do PAN criticou ainda Tânger Correia por fazer "acusações sem depois ter consequência". "Temos de ter uma política migratória que", em primeiro lugar, "se foque na regularização dos processos dos imigrantes", afirmou, por sua vez, João Oliveira, cabeça de lista da CDU, que sublinhou que os imigrantes estão sujeitos a exploração.

Já Francisco Paupério, do Livre, defendeu "fronteiras abertas com segurança" e que para tal é preciso coordenação. "Sem prejuízo daquilo que é a realidade ser dinâmica (...), esta reforma recente foi no sentido correto" e depois há uma dimensão institucional que se prende com o SEF e com a AIMA - Agência para a Integração Migrações e Asilo que "tem de ser reforçado", afirmou Marta Temido, cabeça de lista do PS. "Eu repudio veementemente a ideia de que estamos a praticar uma exploração de imigrantes", acrescentou, dando o exemplo a vacinação da covid-19 que foi aplicada a todos.

"O que me preocupa é quando ouço como ouvi neste debate candidatos de forças políticas a dizerem que é necessário dar destino aos imigrantes que cá estão. Dar destino? São por acaso objetos? Oiço dizer que é preciso ter um Blue Card mais baratinho. Isso é que me preocupa porque mostra bem aquilo a que vimos", criticou Marta Temido. Relativamente ao Blue Card, Marta Temido aludia à posição de Sebastião Bugalho sobre o tema, que considera que 3.000 euros é um salário "demasiado elevado".

Marta Temido (PS) no debate na rádio - campanha eleitoral para as Eleições Europeias (Lusa/António Pedro Santos)

 

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