O Presidente norte-americano quer acelerar a aplicação do acordo assinado há um ano, que prevê o desarmamento do Hamas e a criação de um novo Governo palestiniano. A conversa telefónica ocorreu depois das eleições israelitas, que deixaram Netanyahu sem maioria parlamentar
Donald Trump pediu a Benjamin Netanyahu que avance com a implementação do plano de paz para a Faixa de Gaza, bloqueado há vários meses, revelou este domingo o portal norte-americano Axios. O pedido foi feito numa conversa telefónica realizada na quinta-feira, numa altura em que o futuro político do primeiro-ministro israelita permanece incerto.
Segundo fontes anónimas citadas pelo Axios, os dois responsáveis falaram depois das eleições realizadas em Israel e nos Estados Unidos.
O plano de paz de 20 pontos elaborado pela administração Trump prevê o desarmamento do Hamas, a desmilitarização da Faixa de Gaza e a transferência do poder para um novo Governo palestiniano composto por tecnocratas. A aplicação destas medidas, contudo, está paralisada há vários meses.
De acordo com o Axios, a Casa Branca, que apoiou a reeleição de Netanyahu, procurou evitar que a situação em Gaza dominasse a campanha eleitoral israelita. Terminadas as eleições de 27 de outubro, Washington pretende agora retomar a execução do acordo.
Na conversa telefónica participaram também o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e os enviados especiais da Casa Branca Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Donald Trump.
Uma das fontes descreveu o tom da conversa como construtivo e adiantou que a guerra com o Irão também esteve em discussão.
A continuidade de Netanyahu à frente do Governo israelita está, no entanto, em dúvida. Este domingo, o Presidente Isaac Herzog encarregou o líder da oposição, Gadi Eisenkot, de formar o próximo executivo, depois de este ter reunido mais apoios parlamentares na sequência das eleições de 27 de outubro.
Eisenkot dispõe agora de 28 dias para tentar formar uma coligação. Até lá, Netanyahu permanece em funções, apesar de já não dispor de uma maioria parlamentar que lhe garanta a continuidade no poder.