Levou o filho adolescente a Itália para lhe mostrar a cultura do país. Ele preferiu Pokémon, Ferraris e um dedo com 400 anos

CNN , Jeanne Bonner
Há 29 min
Quando levou o filho adolescente a Florença, em Itália, no ano passado, a autora mostrou-lhe com entusiasmo a cidade onde tinha vivido como expatriada, procurando também encontrar tempo para atividades mais próprias da idade dele. Jeanne Bonner
Quando levou o filho adolescente a Florença, em Itália, no ano passado, a autora mostrou-lhe com entusiasmo a cidade onde tinha vivido como expatriada, procurando também encontrar tempo para atividades mais próprias da idade dele. Jeanne Bonner

Apaixonada por Itália, uma mãe norte-americana queria transmitir ao filho adolescente o seu fascínio pela arte, pela língua e pela cultura do país. Mas, entre visitas a museus, cartas Pokémon, automóveis Ferrari e um dedo de Galileu com quase quatro séculos, descobriu que viajar com um jovem de 13 anos exige cedências — e que os melhores momentos nem sempre são os que estavam planeados

Numa bonita noite de verão do ano passado, encontrei-me em Florença, Itália, com uma amiga italiana que não via há anos.

Depois de passearmos pela Piazza della Repubblica, eu e Chiara ficámos a folhear romances numa livraria e, mais tarde, tivemos um longo jantar num restaurante animado perto do mercado central. Foi maravilhoso reencontrar uma amiga na encantadora cidade toscana onde nos tínhamos conhecido.

O meu filho de 13 anos, porém, estava comigo e, depois de nos despedirmos da minha amiga, interrompeu bruscamente o meu estado de encantamento. "Foram três horas a ouvir-te falar, falar, falar italiano!", gritou Leo. Estava cansado, aborrecido e zangado.

Era o mesmo tom que tinha usado na Galeria dos Uffizi, um museu de renome mundial repleto de arte renascentista. Eu e o meu marido tínhamos evitado levá-lo lá antes de ter idade suficiente para apreciar o que iria ver — ou assim pensávamos. A nossa visita acabou por se transformar numa corrida desenfreada pelas pinturas de Botticelli, enquanto Leo tentava sair o mais depressa possível. À saída, esticava o pescoço para tentar observar todas as obras de arte que não estava a conseguir ver.

Além disso, quando soube que íamos visitar algumas cidades onde já tínhamos estado em viagens anteriores, queixou-se: "O quê? Outra vez? Já fomos a Roma e a Florença!" Ah, como é bom ter 13 anos, estar farto de tudo e nem sempre ter consciência dos próprios privilégios.

O que é que o impressionou em Itália? Cartas Pokémon, uma T-shirt cara da Ferrari e um museu de ilusões destinado a turistas. Também gostou de jogar Uno No Mercy, um jogo de cartas que podíamos perfeitamente ter jogado em casa. Ah, e o café caro no terraço dos Uffizi? Sim, também gostou.

Era a terceira viagem de Leo a Itália e uma das quase dez viagens internacionais que já tinha feito. Estávamos a visitar um país onde eu tinha vivido um semestre decisivo da minha vida enquanto estudante no estrangeiro, uma experiência que me levou mais tarde a viver como expatriada, depois de ter estudado italiano na universidade.

Nada disso importava. Ou tinha calor, ou estava aborrecido, ou precisava de ir à casa de banho. Ou então eu tinha programado demasiadas atividades para o nosso dia — algo que detesto fazer quando estou nos Estados Unidos.

Viajar para o estrangeiro com crianças é frequentemente um desafio. A minha profunda ligação a Itália tornava tudo ainda mais difícil. Porque é que ele não adorava tudo naquele lugar que tinha mudado a vida da mãe?

Mas, como estou determinada a convencer Leo a apaixonar-se por Itália, aprendi — sobretudo da maneira mais difícil — a fazer cedências. E, apesar de algumas divergências, os meus esforços começaram a dar frutos. Na verdade, é ele quem torna as viagens especiais — um rapaz profundamente norte-americano que, ainda assim, partilha o primeiro nome com Leonardo da Vinci e sonha ter um Ferrari um dia.

Eis o que aprendi ao viajar para Itália com o meu filho.

Uma coisa engraçada aconteceu a caminho do Fórum

O filho da autora, Leo, em Itália, quando tinha cinco anos. Gostou de visitar o Coliseu, comer massa e explorar o parque da Villa Borghese. Jeanne Bonner

Na tarde em que aterrámos em Roma, durante a nossa primeira viagem em família a Itália, em 2018, dei por mim a alugar um quadriciclo algo periclitante no famoso parque da Villa Borghese, a norte do centro da cidade, apesar de estar exausta.

Leo, que tinha cinco anos na altura, passara as dez horas de voo a remexer-se, estendido sobre o meu colo. O calor naquele dia de julho era sufocante e, embora o parque ficasse perto do nosso hotel, era difícil desfrutar do passeio, porque cada minuto parecia passado diante de um forno aberto.

A Villa Borghese está repleta de antigas estátuas de mármore, às quais Leo praticamente não prestou atenção. Já nessa altura grande admirador dos automóveis italianos, estava muito mais interessado em descobrir a que velocidade conseguíamos fazer as curvas do parque no quadriciclo, mesmo que isso significasse quase capotar.

Soltava gargalhadas de alegria enquanto conduzia aquele veículo descoberto de quatro lugares a que os italianos chamam rickshaw. O Fórum Romano — e a minha sesta — teriam de esperar, tal como o excelente museu de arte que existe dentro do parque.

Os compromissos continuaram durante uma nova visita a Roma, em 2022, quando dei por mim a percorrer a cidade à procura de cartas Pokémon, depois de um jantar ao ar livre ter começado a pôr à prova a paciência do meu irrequieto filho de dez anos.

Num momento estava a conviver com amigos, no seguinte corria para uma livraria. Os romances italianos são uma das minhas paixões e já tinha visitado muitas vezes a Mondadori, uma das maiores cadeias de livrarias de Itália. Mas, até essa viagem, não fazia ideia de que também vendiam cartas Pokémon.

Se isto me faz parecer compreensiva, devo dizer que, enquanto esperava na fila, fervia de indignação e pensava: "Não era isto que eu queria mostrar ao Leo em Itália."

Quando finalmente fomos ao Fórum Romano, também não estava nos meus planos encurtar a visita porque Leo precisava de ir à casa de banho e preferia regressar ao alojamento.

Consegui prolongar a visita o suficiente para espreitar o interior do Templo de Vénus, mas rapidamente tive de desistir. Estava calor, ele estava cansado e nada poderia salvar aquele passeio.

Mas o cenário foi bem diferente no museu de Florença que guarda um dedo de Galileu. O astrónomo italiano morreu em 1642, por isso o dedo está exatamente tão deteriorado quanto seria de imaginar, mesmo através da vitrina de vidro que o protege no museu. Mas Leo, então com dez anos, adorou. Ficou entusiasmado ao saber que admiradores do cientista perseguido tinham cortado o seu dedo médio quando os restos mortais foram trasladados, no século XVIII.

Se o dedo parecia uma atração turística extravagante, o mesmo se podia dizer das bebidas excessivamente caras — em todas as cidades e a cada paragem. Mas isso mantinha-o entretido, tal como a sua consola de jogos, que se revelou útil no ano passado, em Roma, quando eu e o meu marido saímos discretamente até à Piazza del Popolo para beber um copo de vinho. Tinha algumas reservas quanto a deixar o meu filho sozinho num apartamento num país estrangeiro — mas Leo não tinha.

O que é mais interessante do que os museus e as igrejas italianas? Os insultos italianos. Aqui estão Leo e o pai, Mike, durante uma "aula" de italiano em Florença, dada por Cristiano, amigo da autora (à esquerda). Jeanne Bonner

Também me incomodavam os milhões de euros que parecia termos gasto em bilhetes, refeições comidas pela metade e num par de sapatilhas que comprámos à pressa nos outlets perto de Florença, porque Leo só tinha levado Crocs na mala. Por isso, estava desejosa de organizar um passeio barato, mas significativo, e combinei um almoço com outro amigo de Florença.

Cristiano tem uma piada pronta para qualquer ocasião. Numa viagem anterior a Itália, tinha-me dito para não me preocupar por estar a perder os meus conhecimentos de italiano ao regressar aos Estados Unidos, porque não estava a cometer erros novos — apenas os mesmos de sempre. Tchan-tchan! Também costuma brincar, dizendo que o seu inglês não é muito bom porque teve uma má professora (eu).

Quando perguntou se Leo sabia falar italiano, durante a nossa viagem de 2022, admiti que sabia apenas um pouco.

"Deixa isso comigo", respondeu.

Durante um almoço numa praça não muito longe do rio Arno, pedimos umas entradas e alguns primeiros pratos antes de pormos a conversa em dia. Depois, Cristiano pediu uma folha de papel e perguntou: "Então, que tal aquela aula de italiano?"

Entreguei-lhe o meu diário de viagem para que pudesse escrever a sua "lição" diretamente no caderno. Enquanto os dois começaram a conversar, tirei uma fotografia e sorri radiante para o meu marido. Um falante nativo — e um amigo querido — estava a dar ao nosso filho uma aula de italiano personalizada!

Mas, momentos depois, fiquei imediatamente alerta ao perceber que "cornuto" era a primeira palavra da lição. A rigor, não é um palavrão — significa simplesmente um marido traído. No entanto, num país onde o machismo ainda impera, é considerado um insulto bastante grave.

Quando mais tarde olhei para o meu caderno, vi que Cristiano também tinha desenhado o gesto que acompanha a palavra "cornuto" — o dedo mindinho e o indicador esticados, enquanto os dedos do meio ficam dobrados —, um símbolo universal de azar em Itália. Já me maravilhei inúmeras vezes com a língua italiana, mas nada supera aprender, aos 13 anos, a palavra que descreve um homem cuja mulher lhe é infiel.

Umas férias italianas para todos

Um passeio pelas montanhas nos arredores de Pistoia, no ano passado, com o cão de um amigo, foi a atividade perfeita para Leo, que tinha então 13 anos e estava cansado do calor sufocante de Roma e Florença. Jeanne Bonner

Parte do desafio de viajar com crianças reflete uma das dificuldades gerais de educar os filhos: aquilo que entretinha uma criança aos cinco anos pode deixar de resultar quando é mais velha.

Durante a nossa primeira viagem a Itália em família, Leo mostrou-se maravilhado com todos os monumentos. As nossas fotografias — de Leo a sorrir no Vaticano e a posar em miradouros com vistas panorâmicas — comprovam-no. Aos cinco anos, estava simplesmente feliz por estar com os pais e experimentar novas sensações.

Mas o rapaz que levámos a Itália no verão em que fez 13 anos já não se divertia com tanta facilidade. Na noite em que jantámos com a minha velha amiga Chiara, em Florença, tinha-me certificado de que parte da conversa seria em inglês e de que o restaurante teria comida de que ele gostasse. Mas nada disso importou. Já tinha percebido que, quando visito Itália, fico completamente seduzida pela cultura italiana.

A sua explosão depois do jantar pôs em evidência a tensão central. Em Itália, quero demorar-me ao balcão de todos os cafés que visito e escutar discretamente os empregados a trocar brincadeiras em italiano com os clientes. Fico completamente absorvida pelo reencontro com um mundo que conheci pela primeira vez durante o período dourado da minha vida, quando era uma expatriada na casa dos 20 anos — os anos com os quais comparo todos os outros.

Na verdade, depois de três viagens a Itália como mãe, concluí que o maior compromisso que tenho de fazer quando viajo com Leo é aceitar umas férias muito menos centradas numa imersão na cultura italiana, para que também ele possa desfrutar delas.

Isso significa abdicar de momentos que, para mim, são muito mais mágicos do que para Leo. No ano passado, enquanto atravessávamos a Piazza della Signoria, em Florença, numa noite, havia uma cantora de ópera a dar um concerto numa galeria coberta. Podíamos ficar um pouco a ouvi-la cantar?, perguntei-lhe. Não. Ele estava pronto para dar o dia por terminado, e a beleza quase sobrenatural daquela ária, num cenário tão magnífico, passou-lhe completamente ao lado.

Na manhã seguinte, lembrei-me de que Leo ainda é uma criança.

Isso tornou-se evidente quando fomos fazer uma caminhada com Giovanni, um amigo próximo. Durante a longa viagem de carro até casa dele, Leo queixou-se e, quando cumprimentei Giovanni e a mulher, Veronica, em italiano, parecia algo mal-humorado, desligando-se da nossa conversa.

Comecei a preocupar-me: seria mais uma tarde frustrante?

Mas então descobrimos que Giovanni ia levar connosco um cão chamado Dante. Leo agarrou imediatamente a trela de Dante e assumiu a responsabilidade de o passear durante a nossa longa caminhada pelas montanhas nos arredores da cidade toscana de Pistoia. Enquanto caminhávamos, conseguia ouvir Leo a chamar o cão: "Anda, Dante, anda, rapaz. Quem é um lindo menino?"

No fundo, era um rapaz norte-americano de 13 anos, longe de casa — e do seu próprio cão —, que precisava de um prazer simples que nada tinha a ver com a arte renascentista. Só queria um cão com quem brincar — e o "ão-ão" era uma língua que compreendia.

Momentos de pura alegria

O filho da autora apreciou a estadia numa refrescante unidade de agroturismo no alto de uma montanha, rodeada de pequenas localidades menos agitadas. Jeanne Bonner

As viagens, claro, proporcionaram muito mais do que compromissos. A caminho de uma casa alugada na Apúlia, no sul de Itália, durante a nossa viagem de 2018, parámos para abastecer o carro por volta da hora de almoço. A estação de serviço, situada numa pequena localidade da costa do Adriático, também tinha um restaurante.

Em Itália, encontra-se boa comida em todo o lado — até nas áreas de serviço das autoestradas —, por isso, depois de enchermos o depósito, sentámo-nos numa mesa no exterior e pedi spaghetti alle vongole — esparguete com amêijoas, uma especialidade das zonas costeiras italianas. Da nossa mesa, conseguia ver as bombas de combustível e também uma seleção de brinquedos de praia baratos à venda na loja da estação de serviço. Nunca tinha comido numa estação de serviço. Mas não demorei muito a declarar que aquele era o melhor prato de esparguete que alguma vez tinha comido.

Leo desatou a rir. "Comeste um bom esparguete numa bomba de gasolina, mamã. Numa bomba de gasolina!"

Numa viagem posterior, alugámos um apartamento em Roma que tinha um elevador tipicamente italiano, no qual se podiam observar claramente as roldanas que faziam subir e descer a cabina. Situado junto à escadaria central, o elevador tinha portas duplas de batente e uma grade metálica, que tinham de ser cuidadosamente fechadas para que funcionasse. Leo assumiu a responsabilidade de "operar" o elevador, carregando com entusiasmo no botão para o chamar e fechando depois as portas quando já estávamos lá dentro.

As crianças proporcionam naturalmente experiências inesperadas, especialmente em Itália. Certa vez, em Florença, ficámos no apartamento de uma amiga com vista para um parque privado pertencente ao exclusivo hotel Four Seasons. A minha amiga disse que podíamos entrar no parque, repleto de esculturas de época, bastando para isso visitar o café do hotel.

No entanto, como o hotel era bastante luxuoso, hesitei quando eu e Leo chegámos à entrada, sem sequer pensar na T-shirt dele, que exibia o emblema do clube de futebol da cidade e o característico roxo da equipa. Mas, quando perguntei ao porteiro, aquele florentino de gema olhou para a camisola da Fiorentina que Leo trazia vestida e exclamou: "Com essa camisola, ele pode ir aonde quiser!"

Suspeito que ainda teremos de fazer mais cedências. Mas e a recompensa? Será que um dia ele vai falar italiano fluentemente? Será que vai viver lá, como eu vivi, expatriado e fascinado pela língua de Dante (o poeta, não o cão)? Só o tempo o dirá.

Por enquanto, sabe a palavra italiana para marido traído e desenvolveu um gosto pelos produtos da Ferrari. Consigo imaginá-lo um dia a trocar o quadriciclo da Villa Borghese por um automóvel italiano veloz — talvez um que pudesse usar para nos levar a passear pelo nosso país favorito.

E, nesse caso, nenhum de nós teria de fazer cedências.

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