O presidente americano, que já prometeu por diversas vezes garantir um acordo para pôr fim à guerra na Ucrânia, fez estas declarações depois de se reunir com Kirill Dmitriev, o diretor executivo sancionado do fundo soberano russo, que exerce funções de enviado de Vladimir Putin
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu um novo acordo de segurança para a Ucrânia que “poderá envolver toda a Europa”, depois de se reunir, na quinta-feira, com um alto representante russo. No entanto, a proposta contém poucos pormenores e deixou as capitais europeias perplexas.
“Vai ser muito grande. Vai envolver mais do que a Ucrânia e até poderia dizer que poderá envolver toda a Europa. Vai ser um acordo grande e extraordinário, e toda a gente ficará entusiasmada”, disse Trump aos jornalistas na quinta-feira, sem avançar quaisquer pormenores.
O presidente americano, que já prometeu por diversas vezes garantir um acordo para pôr fim à guerra na Ucrânia, fez estas declarações depois de se reunir com Kirill Dmitriev, o diretor executivo sancionado do fundo soberano russo, que exerce funções de enviado do presidente russo, Vladimir Putin.
Também na quinta-feira, o genro de Trump, Jared Kushner, publicou uma declaração na rede social X, defendendo que era necessária “uma arquitetura de segurança europeia mais abrangente” para “responder às preocupações de segurança de todas as partes, reduzir o risco de futuros conflitos e criar um ambiente de segurança mais estável e previsível”.
“Há mais de 30 anos que a Europa e a Rússia têm tido dificuldades em estabelecer um quadro de segurança sustentável. Décadas de desconfiança, preocupações de segurança divergentes e as consequências devastadoras desta guerra tornam este desafio extraordinariamente difícil, mas essencial para alcançar uma paz duradoura”, afirmou Kushner na declaração.
Kushner não fez qualquer referência ao facto de ter sido a Rússia a invadir a Ucrânia, nem à vaga de ataques híbridos que a Europa atribui a Moscovo.
Kushner defendeu também “maior transparência militar e medidas recíprocas para reduzir os riscos de escalada” entre a Rússia e a Europa - uma observação que poderá causar alarme em algumas partes da Europa, tendo em conta a posição de longa data de Moscovo de que a presença da NATO na Europa de Leste constitui, por si só, uma escalada.
Acrescentou que os Estados Unidos realizaram recentemente conversações com a Ucrânia, a NATO e outros parceiros europeus, e afirmou que Trump “fez avançar” uma discussão sobre segurança com os líderes europeus.
No entanto, vários responsáveis europeus com conhecimento do conflito disseram à CNN que não sabiam a que se referia Trump.
Novo impulso para a paz
Trump falou na quinta-feira com o chanceler alemão, Friedrich Merz, um dos principais apoiantes da Ucrânia. Um responsável do governo alemão recusou pronunciar-se em pormenor sobre o conteúdo da conversa, mas afirmou que as novas ideias apresentadas pela administração Trump se baseiam em negociações dos últimos meses.
Não é claro se Trump falou com outros líderes europeus.
Entretanto, a porta-voz da NATO, Allison Hart, confirmou que, na quinta-feira, decorreram em Bruxelas conversações entre a NATO, os Estados Unidos, a Ucrânia, a União Europeia e os seus parceiros europeus, antes da reunião trilateral entre os Estados Unidos, a Ucrânia e a Rússia, prevista para a próxima semana, em Abu Dhabi.
Hart afirmou que o encontro “procurou fazer avançar uma solução justa e duradoura para a guerra na Ucrânia”, mas recusou divulgar quaisquer pormenores.
Dmitriev esteve na Casa Branca na quinta-feira para um evento organizado pela primeira-dama, Melania Trump, que reuniu representantes da Rússia e da Ucrânia para assinalar o êxito do cessar-fogo alcançado na semana passada na aldeia ucraniana ocupada de Oleshky.
Mais tarde, ao falar com os jornalistas, Trump afirmou que não se reuniu com a delegação ucraniana.
Trump renovou recentemente os esforços para alcançar uma solução negociada para a guerra na Ucrânia, depois de uma troca pública de acusações com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.
Mas, apesar das promessas, a guerra continua a fazer vítimas, com a Rússia a matar civis ucranianos diariamente. Num ataque no início desta semana, Moscovo lançou nove bombas sobre um abrigo subterrâneo, precisamente quando várias pessoas se tinham reunido no local para receber ajuda humanitária. Pelo menos 53 pessoas morreram, num dos ataques mais mortíferos de um conflito que entrou agora no seu quinto ano.
Putin mantém as suas exigências maximalistas em relação à Ucrânia, incluindo o controlo russo de toda a região ucraniana do Donbass, a redução da dimensão das forças armadas ucranianas e o abandono das ambições de Kiev de aderir à NATO — linhas vermelhas que, segundo Kiev, demonstram que o presidente russo não está a negociar seriamente um acordo de paz.
*Nick Paton Walsh e Sebastian Shukla contribuíram para este artigo