Proteção Civil alertou os portugueses para estarem preparados, mas repetição do sismo de 1755 "não é o cenário" que mais nos deve preocupar

Há 21 min
Habitação, Lisboa (AP)
Habitação, Lisboa (AP)

Confirmar quem disse o quê, porque às tantas fiquei com dúvidas sobre se as citações estavam bem distribuídas

por exemplo, na parte da construção dizes a determinado momento "completa" no meio de uma frase, mas eu fiquei com dúvidas se é o sismólogo a acrescentar info à citação anterior ou o geólogo a completar a informação

e deixaste esta frase pendurada de que é em Lisboa que a construção mais preocupa e depois eles falam do país

A Proteção Civil alertou os portugueses para a importância de estarem preparados em caso de sismo, lembrando que o país está numa zona de "particular vulnerabilidade", e os especialistas ouvidos pela CNN admitem que há motivos para preocupação

A Proteção Civil alertou os portugueses para a importância de estarem preparados em caso de sismo, lembrando que Portugal está numa zona de “particular vulnerabilidade”, e a insistência nos avisos “faz sentido”, garante o geólogo Filipe Rosas. “Nós podemos ter sismos com um potencial de destruição elevado”, sobretudo devido a um posicionamento geográfico muito específico do território nacional.

Portugal localiza-se numa zona de risco sísmico “moderado”, onde pode haver terramotos de grande magnitude, com intervalos de recorrência igualmente grandes. Os sismos de grandes dimensões ocorrem nas chamadas “zonas de fronteiras entre placas tectónicas”, explica.

Estas placas “vão acumulando tensão durante dezenas ou mesmo centenas de anos”, enquanto colidem umas com as outras, e quando a resistência elástica do material rochoso atinge o limite é libertada energia na forma de ondas sísmicas.

Portugal torna-se especialmente vulnerável por estar próximo de uma destas zonas - a chamada Falha da Glória, que diz respeito a uma fronteira entre placas que passa a sul do país, estendendo-se dos Açores a Gibraltar. Segundo Filipe Rosas, é isto que explica a “maior perigosidade” associada aos sismos “mais para o sul” do território.

Embora reconheça a possibilidade de um forte sismo abalar Portugal, o geólogo não crê que haja mais razões hoje para nos preocuparmos ao olhar para a atividade sísmica do país. “Até era bom, porque isso era sinal de que tínhamos capacidade para prever sismos, coisa que ainda não conseguimos fazer”, sublinha.

"Não existem variações" que nos devam alarmar

O sismólogo João Fonseca também não associa o recente alerta da Proteção Civil - que até surgiu na antecipação do exercício público de sensibilização para o risco sísmico - a uma alteração significativa na atividade sísmica em Portugal, sublinhando que aquilo que funcionou como um exercício de prevenção “não deve” fazer soar alarmes.

“As coisas não mudam assim de repente. Há fases com mais atividade, outras com menos, mas isso é perfeitamente normal. Não se consegue identificar variações assim muito significativas, é algo mesmo aleatório”, afirma.

O especialista reconhece que quando, “por vezes, acontecem dois ou três terramotos mais próximos no tempo, as pessoas ficam com a impressão de que está a haver um aumento da atividade”, mas, assegura, “isso é o normal quando as coisas são aleatórias, trata-se de variações sem significado”.

Na história do país está o grande sismo de 1755, um evento “extremamente preocupante”, com uma magnitude estimada de 8,8. Mas a sua repetição “não é o cenário mais preocupante em termos de risco” para João Fonseca. “O risco é uma probabilidade e esse terramoto, sendo de facto um terramoto extremo, é também um terramoto raro.”

No entanto, diz o sismólogo, “se perguntarmos: nos próximos 50 anos, qual é o cenário com que nos devemos preocupar?”, “é muito mais preocupante o cenário de ocorrência de um terramoto moderado na vizinhança de Lisboa do que o cenário de ocorrência de um terramoto extremamente forte a quase 300 quilómetros de Lisboa, como foi o do século XVIII”.

Falta de fiscalização na construção "é preocupante"

Tão preocupante quanto um sismo é, para os especialistas, a qualidade da construção dos edifícios.

“O cenário é preocupante nas grandes zonas urbanas, sobretudo no Sul. Não é uma situação que nos permita ignorar estes avisos, muito pelo contrário”, reforça Filipe Rosas, que lembra que aquilo que mata não são os sismos na sua essência, mas sim as infraestruturas.

João Fonseca partilha da mesma inquietação, uma vez que Portugal tem uma “situação mista”. 

“A vulnerabilidade é um termo que se aplica muito particularmente ao edificado, às infraestruturas. E aí residem, de facto, manifestações de preocupação, porque Portugal tem uma situação mista, tem códigos de construção antissísmica muito inteligentes, mas que só começaram a ser aplicados a partir de um certo momento. O nosso parque habitacional e outras infraestruturas, escolas, hospitais, etc, muitos deles foram construídos antes da aplicação desses códigos”, destaca o sismólogo.

Nesse caso, há técnicas de reforço de edifícios antigos, que, em níveis extremos, são aplicadas, apesar de haver ainda “muito trabalho por fazer nessa área”.

O maior problema, subscrevem ambos os especialistas, é que mesmo a construção mais recente, realizada ao abrigo dos códigos de construção antissísmica, é feita “sem fiscalização”.

“Há a preocupação de que, para reduzir os custos, possa haver construção recente que não respeita o que está especificado na legislação”, receia João Fonseca, defendendo que a aposta na fiscalização “é um passo relativamente simples de dar, que faria muita diferença”.

Dada esta fragilidade, o geólogo Filipe Rosas aconselha as pessoas a realizar exercícios de simulação “com alguma regularidade”, de maneira a manterem-se informadas e essencialmente preparadas para um sismo.

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