A decoração luxuosa da Sala Oval tem sido alvo de várias críticas, incluindo do antigo presidente dos EUA Barack Obama
É a mais recente decisão polémica de Donald Trump. O presidente dos EUA assinou, na quinta-feira, uma proclamação que pretende impedir futuras administrações norte-americanas de alterar a decoração da Sala Oval e da Sala do Gabinete. O líder norte-americano declarou os dois espaços monumentos nacionais, defendendo que o seu atual aspeto deve ser preservado.
Sentado atrás da secretária "Resolute", na Sala Oval, Trump anunciou que o documento serviria para proteger os espaços de futuras intervenções.
"Vou assinar um documento que os transformará num marco para a posteridade", afirmou perante os jornalistas, no gabinete decorado com elementos dourados, citado pelo The Guardian.
A decoração luxuosa da Sala Oval tem sido alvo de várias críticas. O antigo presidente Barack Obama comparou recentemente o aspeto da Casa Branca a um restaurante Cheesecake Factory aberto por Saddam Hussein, devido à presença abundante de dourados. A observação motivou uma resposta coordenada da Casa Branca, tendo o secretário do Tesouro, Scott Bessent, surgido a jantar num estabelecimento daquela cadeia.
Trump explicou que pretende evitar que futuros responsáveis alterem ou destruam as divisões para introduzir mudanças na sua configuração.
O presidente norte-americano argumentou não querer que ninguém possa "destruir" ou "deitar abaixo" os espaços para construir algo com um formato ligeiramente diferente. Garantiu ainda que, se alguém tentar demolir paredes, regressará à Casa Branca para impedir que isso aconteça.
Desde que regressou à Presidência, Trump tem promovido várias obras de renovação na capital norte-americana. Entre as intervenções mais significativas está a demolição da Ala Este da Casa Branca para dar lugar a um salão de baile, orçado em 600 milhões de dólares, bem como a construção de uma plataforma permanente de aterragem para helicópteros, em granito, no relvado sul.
Perante as críticas às obras, Trump defendeu que o exterior da Casa Branca apresentava sinais de degradação acumulados ao longo dos anos. O presidente dos EUA apontou janelas rachadas, pedras danificadas e elementos decorativos partidos, assegurando que pagou pelas reparações e contratou trabalhadores especializados para recuperar o edifício.
A proclamação foi assinada numa altura em que Trump enfrenta as consequências das pesadas derrotas do seu partido nas eleições intercalares. Os democratas conseguiram importantes vitórias em vários estados tradicionalmente republicanos, incluindo Texas, Kansas, Carolina do Sul e Iowa, e conquistaram o controlo do Congresso, apoiados por uma campanha centrada, entre outros temas, no custo de vida e no combate à corrupção.
Nos últimos dias da campanha para as intercalares, Trump também procurou destacar outras obras. Numa conferência de imprensa, chamou a atenção para a renovação, avaliada em 14 milhões de dólares, do espelho de água do Memorial de Lincoln, cujos resultados estavam atrasados. Na ocasião, responsabilizou a administração de Joe Biden pela acumulação de algas, lixo e sujidade no local.
Dois dias depois, já com a dimensão das perdas eleitorais republicanas mais evidente, o presidente conduziu os jornalistas numa visita às obras do futuro salão de baile da Casa Branca. Durante a visita, mostrou-se impressionado com o projeto e classificou toda a intervenção como "um milagre".