Reportagem do New York Times explicitou a relação entre Jensen Huang e Alice Huang
O senador democrata norte-americano Chris Coons prometeu, este sábado, uma investigação na sequência de notícias da imprensa sobre a alegada relação entre uma espiã chinesa e o diretor executivo da Nvidia, Jensen Huang, e a suposta inação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a este respeito.
Coons, apontado como o próximo presidente da Comissão de Relações Externas quando a maioria democrata assumir o Senado, prometeu que "o Congresso irá investigar e obter respostas" ao partilhar no X um artigo do New York Times que expõe a suposta relação da espiã com o diretor da gigante tecnológica.
A notícia afirma que circulou na Administração Trump um memorando que citava informações dos serviços secretos, segundo as quais a empresária chinesa Alice Huang, que desenvolveu uma relação com o dirigente da Nvidia, era uma espiã do Ministério da Segurança do Estado da China.
Huang, segundo o relatório, tinha sido recrutada para recolher informações sobre Huang, no âmbito de uma iniciativa da maior agência de espionagem de Pequim para obter mais detalhes sobre os chips de inteligência artificial norte-americanos e exercer influência para que os seus chips mais avançados fossem disponibilizados à China.
O jornal noticiou que "Trump tinha recebido informações no ano passado sobre a relação do Sr. Huang com ela, mas optou por não tomar qualquer medida a esse respeito".
"Quanto mais aprendo sobre a relação insana entre a Administração Trump, os espiões chineses e os multimilionários da IA (inteligência artificial), mais me convenço de que não há nada que este Governo faça que não seja corrupto", comentou agora o senador Coons, que representa o estado de Delaware.
A investigação faria parte das que os democratas estão a preparar após as eleições intercalares da passada terça-feira, quando recuperaram a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado.
Coons já tinha questionado anteriormente a exportação de chips para a China, tendo enviado, em maio passado, uma carta ao secretário do Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, para exigir que este explicasse a venda ao país asiático de semicondutores Nvidia H200, que estão entre os mais potentes do mercado e servem para desenvolver sistemas de IA.
Também denunciou a proximidade do diretor da Nvidia com Trump, que permitiu à empresa — que costuma liderar como a mais valorizada do mundo — a exportação de chips para a China em troca de uma percentagem das vendas ao Governo dos Estados Unidos.