De autor dos discursos do candidato a arquiteto do plano de deportações em massa: quem é Stephen Miller, o novo chefe de gabinete de Trump

CNN Portugal , MJC
Há 24 min
Stephen Miller (Getty Images)
Stephen Miller (Getty Images)

Gavin Newsom, governador da Califórnia em fim de mandato, considerou Miller “um dos canalhas mais vis que já rastejaram para dentro da Sala Oval” e afirmou que a nomeação representa “um insulto para todos os americanos que votaram pela mudança"

Após a derrota esmagadora do Partido Republicano nas eleições intercalares de terça-feira, Donald Trump disse que estaria disposto a trabalhar com os recém-ascendentes democratas no Congresso. Mas na prática fez examente o oposto. Na sexta-feira, promoveu Stephen Miller, seu conselheiro de longa data, para substituir Susie Wiles como chefe de gabinete da Casa Branca.

Uma das posições mais poderosas em Washington, o chefe de gabinete é o guardião do presidente, define a agenda na Casa Branca e é o principal negociador com o Congresso e outros interesses políticos externos. “Stephen Miller está comigo desde o início”, disse Trump em comentários aos jornalistas depois de anunciar a medida a medida na Truth Social. "Ele compreende."

Alguns analistas consideram que esta promoção pode ser um sinal de que o presidente está a preparar-se para uma batalha política. Afinal, Miller, de 41 anos, é um defensor de ideias ultraconservadoras, é sobretudo conhecido por ser a cabeça por detrás das políticas agressivas de controlo imigratório da administração Trump,  incluindo a estratégia de deportações em massa , e por ter classificado Alex Pretti — morto a tiro por agentes federais de imigração durante uma grande operação de deportação em Minneapolis — como um "terrorista doméstico" e um "assassino". Mais tarde, voltou atrás nestas declarações, admitindo que os agentes federais "talvez não tenham seguido" o protocolo adequado.

Stephen Miller começou a sua carreira política na juventude participando em programas conservadores de rádio e a escrevendo artigos de opinião defendendo a agenda da direita conservavdora. O seu nome ganhou relevância quando defendeu três estudantes brancos da sua universidade, a Duke University, acusados falsamente por uma mulher negra de violação. Trabalhar como assessor no Senado e nos gabinetes dos elementos do conservador Tea Party. 

Integrou a equipa política de Trump logo no início da campanha presidencial de 2016: definia estratégias, escrevias os discursos do candidado e era também orador, responsável por aquecer o público nos comícios. Manteve-se leal a Trump depois da derrota de 2020 e voltou com ele à Casa Banca, chefe-adjunto de gabinete para as políticas públicas.

Autor do manifesto “Projeto 2025”, Miller aparece frequentemente na televisão para atacar os opositores de Trump ou defender políticas extremistas, além de ter sugerido, em tempos, que os EUA poderiam invadir a Gronelândia.Terá também tido um papel central nas operações militares dos EUA na Venezuela e contra suspeitas de tráfico de droga nas Caraíbas e no Pacífico oriental.

“Liderou o combate ao crime promovido pela administração — incluindo em Washington D.C. e Memphis —, impulsionou uma desregulação sem precedentes, libertou o potencial energético americano, desmantelou cartéis de droga e garantiu a segurança da nossa fronteira”, declarou a Casa Branca em comunicado. “Na sua nova função, continuará a proporcionar conquistas históricas para o povo americano.”

Ao aceitar o seu novo cargo, Miller agradeceu a Trump e disse sentir-se “honrado para além das palavras” por poder servir. “A missão é agora mais clara do que nunca: lutar com toda a nossa alma para apoiar o nosso presidente e defender esta magnífica República”, escreveu Miller na rede social X.

“Um xenófobo perigoso e um extremista imprudente que tem sangue americano nas mãos”

“O facto de Trump promover este fomentador de ódio mostra que não aprendeu nada”, escreveu Dick Durbin, senador democrata do Illinois, no X. Chuck Schumer, que deverá tornar-se o líder da maioria no Senado, disse que Trump “não aprendeu nada com a sua derrota histórica” e “não podia ter feito pior escolha” ao promover Miller.

Hakeem Jeffries, o principal democrata na Câmara dos Representantes — cotado para se tornar o primeiro presidente negro da Câmara —, classificou Miller como “um xenófobo perigoso e um extremista imprudente que tem sangue americano nas mãos”, e exigiu a sua demissão.

Chris Van Hollen, senador democrata pelo Maryland, descreveu a decisão de Trump de promover Miller como “mais uma bofetada na cara do povo norte-americano” e “um sinal do desprezo de Trump pelos eleitores”.

Gavin Newsom, governador da Califórnia em fim de mandato, considerou Miller “um dos canalhas mais vis que já rastejaram para dentro da Sala Oval” e afirmou que a nomeação representa “um insulto para todos os americanos que votaram pela mudança”.

Stephen Miller fotografado esta sexta-feira na limousine presidencial (Getty Images)

Por outro lado, os aliados republicanos e os conselheiros de Trump celebraram o anúncio. Steven Cheung, diretor de comunicação da Casa Branca, descreveu Miller como um “fiel escudeiro de longa data” de Trump, acrescentando: “Não há defensor mais fervoroso da agenda de Trump do que Stephen”.

Mike Lee, senador pelo Utah, afirmou que Miller tem sido “um defensor inabalável da lei e da ordem contra as invasões ilegais e a anarquia da esquerda”. Eric Schmitt, senador pelo Missouri, insistiu que Miller é exatamente o que o país precisa. “O nosso país está num momento decisivo, e Stephen Miller compreende perfeitamente o que está em jogo”, escreveu Schmitt na rede social X.

Os membros do gabinete — incluindo JD Vance, o secretário da Defesa Pete Hegseth, o secretário da Saúde Robert F. Kennedy Jr. e o secretário de Estado Marco Rubio — também elogiaram o percurso de Miller.

Nem todos os republicanos, porém, ficaram satisfeitos com a nomeação. O deputado Marlin Stutzman, do Indiana, considerou esta promoção foi uma “decisão horrível” de Donald Trump. Miles Taylor, que desempenhou as funções de chefe de gabinete no Departamento de Segurança Interna durante o primeiro mandato de Trump — e que, mais tarde, passou a integrar o grupo de republicanos que se opõem a Trump —, afirmou: “Passei dois anos a trabalhar com Stephen Miller. A sua nomeação como chefe de gabinete da Casa Branca está entre as decisões de recursos humanos mais perigosas na história da nossa república. Digo-o sem qualquer reserva”.Questionada sobre estas críticas na sexta-feira, a Casa Branca descreveu Miller como uma “peça-chave” na implementação da agenda de Trump.

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