Ativista sugeriu que as tendas fossem retiradas e que até à próxima quarta-feira seja decidido outro local para a acampada, mas a decisão não foi consensual
A acampada de Lisboa pela habitação decidiu manter as tendas no Rossio durante a última noite, ficando em aberto a hipótese de desmobilização este domingo. A decisão, tomada em plenário de delegados por mandato da assembleia popular, surgiu na sequência de uma proposta de Renata Cambra - o rosto da “tenda legítima” do Rossio, depois de uma decisão judicial - de as tendas serem retiradas esta noite.
Renata Cambra sugeriu que as tendas fossem retiradas esta noite e que até à próxima quarta-feira seja decidido outro local para a acampada. E também alertou para uma possível entrada da polícia no local para tirar as tendas.
A proposta não foi consensual e depois de muita discussão acabou por ser remetida para o plenário de delegados, um grupo mais pequeno de responsáveis pela acampada, que votou pela permanência no local na noite de sábado.
Jovens ouvidos pela Lusa não foram explícitos sobre se a acampada se mantém no Rossio a partir de domingo, afirmando que as decisões se tomam a cada dia.
Durante a assembleia popular desta noite Renata Cambra propôs que as tendas fossem desmontadas nas horas seguintes, com alguns dos presentes a apontar o "muito esforço" para conquistar a praça, pelo que não se iriam retirar, acrescentando que no dia que saíssem o mercado de natal previsto para ser montado na praça iria ocupar o espaço.
"Nem a chuva nem as nossas vidas nos vão permitir estar muito mais tempo aqui, mas não é sair numa altura que lhes convém", disse uma mulher que está a dormir no Rossio desde o início da acampada.
A estas mensagens Renata Cambra respondeu, em tom de advertência: "sei que não estamos protegidos, a decisão é uma decisão tática", sair será "tomar o controlo da narrativa" e estar "um passo a frente".
Outras intervenções apontaram o cansaço das pessoas ou a ameaça de chuva, ainda que na noite de hoje tenham chegado a cerca de 70 as tendas montadas no Rossio, algumas sobre paletes para impedir o contacto direto das tendas com a água em caso de chuva.
Esta noite, sem muito frio e sem chuva, pela acampada circulavam largas centenas de pessoas, a ouvir música ou em grupos a conversar e a beber. Junto do refeitório improvisado, agora melhorado e preparado para a chuva, um cartaz indica o que os participantes precisam e na lista estão os sacos-cama, os toldos e as lonas.