"Não gosto de atacar pontes, é difícil de construir, e sou um bom construtor": Trump diz que novo ataque contra o Irão é "improvável", mas EUA estão "prontos para a ação"

CNN , Jim Sciutto
Há 18 min
O presidente dos EUA, Donald Trump, reage após um evento no Salão Oval da Casa Branca, a 5 de novembro de 2026, em Washington, DC. O presidente Trump assinou um decreto presidencial que declara o Salão Oval e a Sala do Conselho de Ministros como monumento nacional. (Foto de Andrew Harnik/Getty Images)
O presidente dos EUA, Donald Trump, reage após um evento no Salão Oval da Casa Branca, a 5 de novembro de 2026, em Washington, DC. O presidente Trump assinou um decreto presidencial que declara o Salão Oval e a Sala do Conselho de Ministros como monumento nacional. (Foto de Andrew Harnik/Getty Images)

Trump dá entrevista exclusiva à CNN após tentar impedir presença da emissora na Casa Branca

O presidente Donald Trump afirmou no domingo que é "altamente improvável" que tenha de ordenar que os EUA voltem à guerra com o Irão, desde que haja progressos nas negociações sobre o programa nuclear de Teerão e a reabertura do Estreito de Ormuz, repetindo esta afirmação cinco vezes durante uma entrevista à CNN.

"Depende de eles assinarem ou não um acordo muito sólido", disse Trump a Jim Sciutto, da CNN, durante uma entrevista telefónica de 20 minutos, referindo-se ao Irão. "A resposta é que é altamente improvável que isso venha a ser necessário. São uma nação em declínio. Acabou de se saber, como viram este ano, que a inflação atingiu os 301%. É altamente improvável que seja necessário. Eu fá-lo-ia se fosse necessário, mas atingimo-los com muita força. Bati-lhes com tanta força. Nem imaginas a força com que lhes bati."

"Por isso, é altamente improvável que tenha de o fazer", continuou ele. "Estão a definhar financeiramente. Atacámo-los militarmente. Poderíamos acabar com eles."

"Estamos prontos para isso"

Oito meses após o início da guerra, as duas partes encontram-se num impasse, com pouca ação militar ou progressos diplomáticos significativos, enquanto os petroleiros que atravessam o Estreito de Ormuz têm sido alvo de ataques iranianos.

Os dois países e os responsáveis do Qatar, que tem mediado as conversações, têm-se mantido em silêncio quanto ao estado das negociações. No entanto, os radicais iranianos aproveitaram os resultados das eleições intercalares da semana passada — impulsionados, em parte, pela impopularidade da guerra junto dos eleitores norte-americanos — como um sinal de enfraquecimento da presidência de Trump, que estaria mais disposta a ceder às exigências do seu país de poder continuar o seu programa nuclear, que afirma ser necessário para a energia, e manter o controlo do estreito.

O Irão também tem enfrentado dificuldades para vender petróleo bruto nos mercados globais devido às sanções dos EUA, enquanto milhares de milhões de dólares em ativos depositados em bancos estrangeiros foram congelados.

Trump, que no passado transmitiu mensagens contraditórias sobre a sua disposição para pôr fim à guerra, deixou claro durante a entrevista que as forças norte-americanas estão posicionadas na região caso ele dê a ordem para atacar. "Estamos prontos para isso. Tenho três porta-aviões aqui. O outro acabou de chegar. Temos três. Estão totalmente preparados e prontos para a ação", afirmou.

O presidente afirmou ainda que os EUA identificaram alvos de infraestruturas no Irão, no caso de uma nova ação militar, incluindo centrais elétricas e pontes. "Temos 38 pontes na nossa lista que podemos destruir literalmente numa hora", afirmou. "Ficarão todas destruídas."

No entanto, afirmou que preferiria não destruir as infraestruturas iranianas. "Não quero fazer isso porque, essencialmente, levará dez anos a reconstruí-las", disse ele. "Não gosto de derrubar pontes. E o que é mais difícil de construir é uma ponte. Leva anos, e eu sou um bom construtor."

A atividade diplomática em todo o Médio Oriente intensificou-se desde as eleições intercalares de terça-feira.

Na sexta-feira, o Catar afirmou que Trump tinha contactado o emir catariano, o xeque Tamim bin Hamad Al Thani, para discutir a redução da tensão, e, um dia antes, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, falou com os seus homólogos da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos, de Omã, do Paquistão, do Kuwait, da Jordânia, da Turquia, de Chipre e do Catar.

Reservas iranianas esgotadas

No que diz respeito à capacidade do Irão de se defender contra novos ataques dos EUA, Trump afirmou que as defesas aéreas do Irão foram destruídas. "É imparável porque eles não têm equipamento antiaéreo. Todo o seu equipamento antiaéreo desapareceu", afirmou.

O presidente também revelou novos detalhes sobre o estado dos arsenais de mísseis e drones iranianos, afirmando que o regime mantém 10% da sua capacidade de mísseis e 15% da sua capacidade de drones.

"A única coisa que conseguem fazer é cerca de 10% da capacidade normal — fabricar alguns mísseis e alguns drones. Os drones representam cerca de 15%, porque grande parte das suas fábricas já não existe", afirmou.

"É muito provável que não seja necessário", repetiu ele, referindo-se à possibilidade de uma nova ação militar. "Eles estão desesperados por chegar a um acordo."

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