O ataque de sábado provocou seis mortos e pelo menos 16 feridos, entre os quais o próprio atirador. Entre os feridos há também uma cidadã portuguesa, de 74 anos
Os três corpos encontrados na casa do homem responsável pelo tiroteio a tarde de sábado em Cracóvia, na Polónia, são do pai, de 53 anos, da mãe, de 52 anos e da irmã, de 20 anos. As vítimas apresentavam perfurações causadas por projéteis e muito provavelmente morreram na sequência de ferimentos de bala, confirmou a polícia polaca esta manhã.
O ataque na praça principal de Cracóvia provocou seis mortos e pelo menos 15 feridos, além do próprio atirador. Entre os feridos há também uma cidadã portuguesa, de 74 anos.
O que aconteceu no sábado?
O ataque começou pouco antes das 15h00 (hora local; 14h00 em Lisboa) na Praça do Mercado Principal de Cracóvia, um movimentado ponto no centro da cidade, muito frequentado por turistas. A polícia informou que um homem entrou na praça com um veículo e começou a disparar "contra pessoas aleatórias" a partir do interior do carro.
Imagens do local mostram cenas de pânico enquanto as pessoas fugiam e é possível ouvir claramente o som dos disparos. Um elétrico que passava no local foi atingido por tiros durante o ataque, ficando com os vidros estilhaçados, mas nenhum passageiro ficou ferido. Montras das lojas na praça também foram atingidas.
As autoridades revelaram que o homem agiu sozinho e usou uma espingarda semiautomática AR-15.
O que sabemos sobre os seis mortos e 15 feridos?
Foi confirmada a morte de seis pessoas — quatro mulheres e dois homens — entre as quais três pessoas da Polónia e uma do Reino Unido.
Dezasseis pessoas, entre as quais cinco estrangeiros, ficaram feridas. O Ministério do Interior informou, posteriormente, que os estrangeiros eram provenientes da Áustria, Reino Unido, Alemanha, Portugal e Rússia.
A portuguesa ferida no tiroteio deste sábado, no centro histórico de Cracóvia, na Polónia, tem 74 anos e foi atingida por um tiro nas costas. A mulher já foi submetida a uma intervenção cirúrgica no Hospital Universitário de Cracóvia e encontrava-se, ontem à noite, internada nos cuidados intensivos.
O primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, identificou os dois polícias feridos como os agentes Jakub Kulik e Artur Morański. Um dos polícias está em "estado muito crítico", depois de ter sido atingido por três disparos durante a detenção do autor do ataque. O agente foi submetido a uma cirurgia.
As autoridades polacas ainda não confirmaram os nomes nem as idades das restantes vítimas. As 13 pessoas que tinham sido internadas sobreviveram ao ataque, afirmou o presidente da Câmara de Cracóvia esta manhã. Dois dos feridos já saíram do hospital esta manhã, confirmou a polícia.
O que aconteceu ao atacante?
Polícias armados acorreram ao local poucos minutos após o início do ataque. O suspeito tentou fugir mas acabou por ser intercetado pelas autoridades depois de uma troca de tiros com agentes policiais.
O suspeito foi detido e está hospitalizado, estando esta manhã a ser submetido a uma cirurgia devido a um ferimento de bala.
Ultranacionalista sem antecedentes criminais. Quem é o atirador?
A polícia identificou o agressor como um homem polaco de 24 anos, mas não reveloou o seu nome. Segundo um porta-voz da polícia, o suspeito vestia "roupa de estilo militar" e transportava uma arma de uso militar. As autoridades informaram, no entanto, que não é militar.
O carro do suspeito, um Subaru preto sem matrícula, foi encontrado no cruzamento das ruas Dietla e Stradomska. "Foram encontrados vários armamentos e munições no seu veículo", acrescentou o porta-voz.
O homem não tinha antecedentes criminais nem registos policiais anteriores. A imprensa polaca noticiou que o suspeito possuía autorização para porte de armas e que poderá ter obtido os armamentos na casa da sua família. O seu pai possuía várias armas de fogo registadas.
As investigações iniciais indicam que se terá inspirado em "ideologias de extrema-direita". O Ministro do Interior e da Administração, Marcin Kierwiński, afirmou que tudo indicava que o autor do crime tinha ideias "muito, muito radicais" e "ultranacionalistas".
O ministro anunciou ainda que a Agência de Segurança Interna (ABW) e a polícia estão a investigar como é que o autor obteve o porte de arma, por onde passou, com quem manteve contacto e qual foi o percurso que percorreu até Cracóvia. As autoridades procuram também determinar quantas vezes esteve na cidade anteriormente.
Antes de atirar na praça, matou toda a família
A residência do atacante em Ostrowiec Świętokrzyski, cidade situada a cerca de 200 km de Cracóvia, foi alvo de uma busca realizada com o apoio da unidade de contraterrorismo da polícia.
O primeiro-ministro Donald Tusk revelou que três corpos — duas mulheres e um homem — foram encontrados na residência do atirador, durante uma busca realizada após o ataque. No domingo, a polícia polaca confirmou que estas três vítimas foram identificadas como os pais do atirador e da sua irmã, que tinha 20 anos.