Spectre, o primeiro elétrico de luxo da Rolls-Royce

CNN , Por Peter Valdes-Dapena
23 out, 10:00
Spectre, o novo elétrico da Rolls-Royce (Imagem Getty)

A Rolls-Royce vai iniciar a produção de seu primeiro carro elétrico no próximo ano. Tem apenas duas portas, mas é mais comprido do que um SUV de grandes dimensões. E entre as suas inúmeras opções, o Spectre será disponibilizado com estrelas nas portas.

A marca britânica de carros de luxo oferece há anos uma funcionalidade chamada “Starlight Headliner” que preenche o tecto com milhares de pequenas luzes. As luzes, que são na verdade as pontas de cabos de fibra ótica, parecem aleatórias, mas estão efetivamente dispostas para se assemelharem ao céu estrelado sobre Goodwood, no Reino Unido, onde está localizada a fábrica da Rolls-Royce. Com o Spectre, a Rolls-Royce vai adicionar este elemento ao interior das portas, que terão mais 5876 “estrelas”, para que os passageiros fiquem completamente cercados por pontos de luz brilhantes.

A Rolls-Royce apelida o Spectre de “Super Coupé” devido ao seu grande porte.

Para além disso, apesar de não precisar, nem de perto, de tanto ar como os carros com motor V12 da Rolls-Royce, o Spectre terá a grelha mais larga jamais observada num modelo Rolls-Royce. Ainda assim, o Spectre é o Rolls-Royce mais aerodinâmico até ao momento, segundo a empresa, que afirma que o carro tem um coeficiente de arrasto de 0,25. O que é bastante suave, mas próximo dos outros carros elétricos modernos.

No entanto, mesmo um Rolls-Royce elétrico dificilmente poderia ser construído sem a grelha, uma vez que a peça metálica em forma de lápide composta por barras verticais está entre as mais icónicas da indústria.

“Para nós, o Spectre tem a mesma importância que o Silver Ghost teve há muitos, muitos anos e representa a entrada numa nova era para a marca com vista a tornar-se totalmente elétrica até 2030”, disse Torsten Müller-Ötvös, diretor executivo da Rolls-Royce, em entrevista à CNN Business. “Por isso, queremos ter a certeza de que este carro está verdadeiramente no ponto e que é um autêntico e perfeito Rolls Royce.”

O efeito do tecto iluminado por estrelas, uma opção noutros Rolls-Royces, é alargado aos forros das portas no Spectre.

O Silver Ghost, que entrou em produção pela primeira vez em 1906, é considerado o modelo que definiu a reputação da Rolls-Royce como um pináculo da qualidade automóvel.

O Spectre partilha a estrutura de base com os modelos a combustível da Rolls-Royce: os sedans Phantom e Ghost e o SUV Cullinan. Este plano segue a estratégia da empresa-mãe da Rolls-Royce, a BMW, que também se baseia num modelo de engenharia flexível que pode ser usado para construir carros a gasolina e elétricos.

Seguindo a tradição da Rolls-Royce, as duas portas do Spectre têm as dobradiças na parte traseira e abrem para trás. (Nos modelos Rolls-Royce de quatro portas, apenas as portas traseiras abrem desta forma.) Devido ao seu tamanho e espaço, a Rolls-Royce apelida o Spectre de “super coupé”. Tem cerca de 15 cm de comprimento e 13 cm de largura a mais que o último Rolls-Royce coupé, o Wraith, que deixou de ser produzido no início deste ano. É ainda cerca de 6,5 centímetros mais comprido do que um SUV Cadillac Escalade, e um pouco mais largo. A direção às quatro rodas deverá ajudar o volumoso carro a ser mais ágil em curvas apertadas.

A forma adelgaçada do automóvel foi influenciada pelos iates, de acordo com a Rolls-Royce, uma inspiração semelhante à de outro Rolls-Royce recente que pode ser o carro mais caro alguma vez produzido. No ano passado, a marca apresentou um modelo descapotável chamado Boat Tail, do qual foram construídos apenas três, a um preço estimado de 25 milhões de dólares cada.

Embora muitos carros elétricos tenham ecrãs tácteis enormes através dos quais se faz a gestão de muitos controlos internos, o Spectre irá depender mais de comandos físicos, disse Müller-Ötvös. Haverá ecrãs, mas o seu uso será mais discreto, disse.

As três toneladas de peso total do Spectre — 272 quilogramas a mais do que um SUV Cullinan — incluem mais de 680 quilogramas de isolamento acústico para garantir o nível ideal de tranquilidade da Rolls-Royce. Normalmente, os fabricantes automóveis tentam fazer veículos elétricos mais leves para compensar o peso acrescentado pelas baterias. Mas para a Rolls-Royce, o peso nunca foi um problema. A expetativa é que os seus carros sejam, literalmente, colossais.

O automóvel com 557 cavalos será capaz de ir dos zero aos 100 quilómetros por hora em cerca de 4,4 segundos e terá uma autonomia de cerca de 420 quilómetros até ter de recarregar as baterias. Isso será suficiente, insiste Müller-Ötvös.

“Nunca comprometeríamos a experiência de condução ou a aparência do carro em favor da autonomia”, disse.

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