Padre denunciou 12 sacerdotes por pedofilia. Metade ainda continua no ativo

4 ago, 21:00
Igreja Católica (AP Photo/Martin Meissner)

REVISTA DE IMPRENSA. Denunciante recolheu várias provas e documentos de abusos ao longo dos anos

Um padre denunciou nos anos 1990 12 sacerdotes por suspeitas de pedofilia na Igreja Católica, sendo que metade dos visados ainda exercem funções em cargos religiosos. A notícia é avançada pelo jornal Expresso.

Segundo a reportagem, o padre que avançou com as denúncias é uma “pessoa importante no seio da Igreja”, sendo que acompanha casos do género desde 1980. Ainda segundo a investigação, o denunciante tem vários documentos com informações recolhidas ao longo dos anos, havendo dois dossiers em que estão relatados casos de pedofilia no fim do século XX.

O padre, cuja identidade não é revelada, terá reunido vários testemunhos de vítimas que dizem ter sido assediadas ou abusadas em várias paróquias, carros ou até numa casa no Algarve. Num dos casos, a vítima, então com 15 anos, acabou por se suicidar após ter revelado aos pais os crimes de que terá sido vítima.

Essa mesma família apresentou queixa ao ao Patriarcado de Lisboa, que transferiu o padre suspeito para uma outra paróquia na capital, onde mais tarde seria acusado de crimes semelhantes. Foi novamente transferido, dessa vez para fora de Portugal. O caso ainda foi investigado pelo Patriarcado e pelo Ministério Público, mas acabou arquivado.

Também no seio dos escuteiros, há relatos de abusos. As queixas partiram de três rapazes e foram aumentando, ultrapassando a dezena, até 2012 e 2013. Os abusos nos escuteiros da região Oeste tiveram lugar alegadamente na casa paroquial, mas também no carro do padre e numa casa no Algarve.

O Presidente da República reagiu entretanto caso, afirmando que “é incumbência das autoridades públicas prosseguirem com a sua investigação”.

Marcelo Rebelo de Sousa pediu ainda “a todos aqueles que podem participar e denunciar [casos de pedofilia] independentemente da iniciativa das entidades públicas”.

Este é mais um caso a abalar a Igreja Católica em Portugal, depois de terem sido dados a conhecer casos recentes de abusos, um dos quais relatado em exclusivo por uma mulher à TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal).

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