"Gritava para ele parar e ele não parou": mulher acusa padre de Cascais de a violar e tentar comprar o seu silêncio

1 ago, 21:03

Patriarcado de Lisboa já afastou João Cândido da Silva de funções. Mas terá pedido à vítima para não falar aos jornalistas sobre o caso

A Polícia Judiciária (PJ) registou mais uma queixa de violação alegadamente cometida por um padre.

A vítima terá também denunciado o caso ao Patriarcado de Lisboa e, em exclusivo à TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal), diz que o cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, lhe terá pedido que não revelasse o caso aos jornalistas: "O senhor cardeal, D. Manuel Clemente, só me disse uma coisa: não vá com isto para a televisão", conta.

Apesar disso, a mulher, que é da zona de Cascais, conta em entrevista que foi abusada sexualmente a 23 de junho deste ano, dentro das instalações da Igreja da Ressurreição, por parte do padre João Cândido da Silva, até agora o capelão do Hospital de Alcoitão, em Cascais.

"Ele quis sexo à bruta, queria que eu fosse escrava sexual dele. Bateu-me, deixou-me toda negra e eu gritava para ele parar e ele não parou", revela a mulher em entrevista.

"Maria" foi ao hospital de Cascais após os atos e depois reencaminhada para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, para serem feitas perícias médico-legais.

A mulher admite que há vários meses que mantinha um caso amoroso com o homem, que conhecia há mais de 20 anos e reencontrou agora.

"Eu fui para me confessar. Confessei-me, mas nesse dia, quando me estava a confessar, ele tirou a estola e disse: isto não é uma confissão, somos amigos. Eu vou esquecer que isto é uma confissão. A conversa prolongou-se e ficámos até à meia noite na conversa. Naquele momento não estava a ser padre ou algo parecido", contextualiza, explicando que foi nesse dia - no final do ano passado - que começaram a encontrar-se amorosamente, até ao dia em que a "obrigou a ter relações".

"Nesse encontro e nos outros seguintes, começou um caso amoroso entre mim e ele. Ele escolheu a sala e pediu-me para não contar a ninguém que havia um caso entre nós, ficou aquela sala só para nós", continua. A vítima adianta ainda que, depois do alegado crime, o mesmo padre terá tentado comprar o seu silêncio, oferecendo-lhe 300 euros em numerário. Terá ainda pedido perdão. "Eu respondi-lhe: vais preso, vais pagar pelo que me fizeste a mim e a mais alguém", diz.

Patriarcado de Lisboa afasta padre suspeito de violação

O Patriarcado de Lisboa revelou esta segunda-feira que afastou um sacerdote por ser suspeito de um "crime de violação". Em comunicado, o Patriarcado diz ter recebido a denúncia e que o caso não se encontrava no âmbito da Comissão de Proteção de Menores. Como a CNN Portugal avançou, trata-se de uma mulher.

"Ouvida a vítima e o sacerdote, o Patriarcado de Lisboa decidiu dar início aos procedimentos canónicos previstos para este tipo de casos e afastou o padre de todas as suas funções até ao apuramento dos factos", refere a nota do Patriarcado, que acrescenta estar "disponível para colaborar com todas as autoridades competentes, tendo sempre como prioridade o apuramento da verdade e o acompanhamento das vítimas". 

Apesar de este não se tratar de um caso que envolva menores, lembre-se que o Ministério Público já abriu 10 inquéritos a partir das 17 denúncias anónimas reportadas por esta Comissão Independente, divulgou na semana passada a Procuradoria-Geral da República. 

Entretanto, a TVI confrontou a igreja com as alegações de que D. Manuel Clemente teria pedido à vítima que não tornasse o caso público, tendo o Patriarcado de Lisboa respondido que "não foi pedida nenhuma ocultação".

Tentámos ainda falar com o padre visado na queixa, mas o capelão João Cândido da Silva manteve-se durante o dia desta segunda-feira incontactável.

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