Covid-19 vai colocar 600 mil portugueses em confinamento na primeira semana de janeiro

29 dez 2021, 07:00
Centro de testagem contra a covid-19
Centro de testagem contra a covid-19

Peritos estimam que a velocidade de contágio da variante Ómicron faça também bater recordes quanto ao número de pessoas que vão ficar isoladas ao mesmo tempo em casa, por estarem infetadas ou por serem contactos de alto risco. "Valores a uma escala nunca vista", avisam

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No final da primeira semana de janeiro estarão confinados e em isolamento 600 mil portugueses, segundo adiantaram à CNN Portugal os especialistas que costumam fazer as previsões de infeções para o Governo.

“Nessa altura, deverão estar em isolamento três vezes mais pessoas do que estão agora, que são 200 mil”, diz Óscar Felgueiras, matemático e conselheiro técnico do Executivo de António Costa. Nesta quarta-feira, 29 de dezembro, há 114 mil casos ativos e 134 mil em vigilância. Segundo o especialista, estes valores chegarão muito em breve aos 600 mil.  “São valores a uma escala nunca vista”, alerta.

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Metade, ou seja, 300 mil daqueles casos em confinamento serão doentes infetados com SARS-CoV-2 e os restantes serão pessoas consideradas contactos de risco e que terão, por isso, de ficar em vigilância.

O mesmo cenário prevê Carlos Antunes, matemático e investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. “São números nunca vistos. Cerca de 6% da população estará em confinamento porque tem covid ou teve contacto com alguém com o vírus”, explica, recordando que os valores de Rt -  que indica o número de infeções que uma pessoa com Covid vai provocar - nunca foram tão elevados como agora.

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Para estas estimativas, os peritos usam os dados relativos aos infetados que, em média, estão 14 dias em casa e parte dos que tiveram contatos com esses doentes, explica Carlos Antunes, para quem estes valores são o sinal do poder contagioso da Ómicron.   

Segundo estudos recentes, esta nova variante pode ser cinco vezes mais transmissível do que a Delta que, por seu lado, parece ter mais gravidade.  

Estes dois fatores associados levaram, entre outros, os EUA a diminuir os dias de isolamento de dez para cinco. Uma mudança que está, neste momento, a ser debatida pelos técnicos e governo de António Costa  e que pode em breve ser também aplicada em Portugal. Segundo explicou a ministra da Saúde, Marta Temido à CNN Portugal, os vários países europeus estão a debater estes temas para tomar medidas face ao que dizem ser uma “nova fase da pandemia”.  

Nos primeiros dias de 2022, mais precisamente dia 7 de janeiro, segundo as estimativas do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) e da Direção-Geral de Saúde vão existir 37 mil casos de covid-19 em Portugal. “Mas muitos deles podem nem ser detetados”, avisa Óscar Felgueiras, lembrando que a capacidade de rastrear os casos e de os testar está a tornar-se cada vez mais difícil: “Já há dezenas de milhares de casos em que não se consegue fazer inquéritos epidemiológicos”.

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Apesar de concordar que a pandemia está descontrolada no que se refere ao rastreamento e à deteção e quebras da cadeia de transmissão, Carlos Antunes tem, no entanto, um cenário mais otimista. Na sua opinião, e com base nas suas contas, o Rt, índice que indica a velocidade da pandemia e a capacidade de cada infetado contagiar outros, vai começar a dar sinais de abrandar. “Acho que vai haver uma saturação do Rt da Ómicron, o que levará a uma estabilização. É o que está a suceder noutros países”. Por isso, ao contrário da equipa do INSA, que acredita que o Rt se vai manter no mesmo nível, Carlos Antunes estima que se possa começar a ver luz ao fundo do túnel. No entanto, sem prazos certos.

Óscar Felgueiras, por seu lado, diz que também “não vê o pico desta onda à vista”.  

Apesar de ser menos grave no que se refere a internamentos e mortes, os especialistas acreditam que esta variante pode ter  outros impactos, também sérios, como no absentismo laboral nas dificuldades económicas e na saúde mental. No entanto, todos parecem acreditar que por ser tão grande nem volume, esta quinta vaga pode ser mais curta. "Esta onda, pelas suas características, não poder durar muito, É insustentável ", acredita Óscar Felgueiras.

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