Roubo de cereais: imagens de satélite parecem mostrar navios russos a carregar grãos ucranianos na Crimeia

CNN , Alex Marquardt e Tim Lister
23 mai, 22:43
Imagens de satélite da Maxar

Imagens de satélite da Maxar Technologies mostram cereais a serem carregados para o navio de bandeira russa Matros Pozynich, na Crimeia

O roubo de cereais ucranianos pela Rússia parece estar a aumentar à medida que a sua guerra contra o país continua, de acordo com novas fotografias de satélite do porto de Sebastopol, na Crimeia.

Dois navios de transporte a granel com bandeira da Rússia são vistos nas imagens a atracar e a carregar o que se acredita serem cereais ucranianos roubados. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, acusou a Rússia de "roubar gradualmente" produtos alimentares ucranianos e tentar vendê-los.

As novas imagens da Maxar Technologies, datadas de 19 e 21 de maio, mostram os navios - o Matros Pozynich e o Matros Koshka - atracados ao lado do que parecem ser silos de cereais com grãos a saírem de uma passadeira num porão aberto. Ambos os navios já deixaram o porto, de acordo com o site de rastreamento de navios MarineTraffic.com, com o Matros Pozynich a navegar pelo Mar Egeu alegando estar a caminho de Beirute, e o Matros Koshka estando ainda no Mar Negro.

Uma imagem de satélite da Maxar Technologies mostra o Matros Pozynich, com bandeira russa, ancorado em Sebastopol em 19 de maio.

É difícil saber com certeza se o navio está a ser carregado com cereais ucranianos roubados, mas a Crimeia, que foi anexada pela Rússia, produz poucos cereais, ao contrário das regiões ucranianas agrícolas de Kherson e Zaporizhzhia, imediatamente a norte. Autoridades ucranianas e fontes da indústria disseram à CNN que as forças russas em áreas ocupadas esvaziaram vários silos e transportaram os cereais para o sul.

No início deste mês, o Matros Pozynich realizou uma missão semelhante: carregar cereais e zarpar do Mar Negro para o Mediterrâneo. Ele partiu inicialmente destinado ao Egito com a sua carga, mas foi recusado em Alexandria após um aviso de autoridades ucranianas, segundo informou o governo do país. A entrada também foi barrada em Beirute, acabando o navio por atracar em Latakia, na Síria, onde a Rússia há anos apoia o regime de Bashar al-Assad.

A 21 de maio, o navio russo Matros Koshka foi visto no porto de Sevasopol nesta imagem de satélite da Maxar Technologies.

Ao mesmo tempo, a Rússia tem impedido a Ucrânia de exportar mercadorias pelos seus portos, alimentando receios de uma crise alimentar global.

"A comunidade mundial deve ajudar a Ucrânia a desbloquear os portos marítimos, caso contrário a crise energética será seguida por uma crise alimentar, que muitos outros países enfrentarão", afirmou Zelensky no sábado. “A Rússia bloqueou quase todos os portos e, por assim dizer, todas as possibilidades marítimas para exportar alimentos – o nosso trigo, cevada, girassol e muito mais. Muitas coisas."

Na semana passada, a CNN noticiou que os EUA e os seus aliados estão a debater sobre como desenvolver com segurança rotas para transportar cereais da Ucrânia, entre preocupações com o fornecimento global de alimentos. Os indícios de que a Rússia está a roubar cereais só complicam esses esforços.

Antes da guerra, o fornecimento de trigo da Rússia e da Ucrânia representava quase 30% do comércio global, sendo a Ucrânia também o quarto maior exportador de milho do mundo e o quinto maior exportador de trigo, de acordo com o Departamento de Estado dos EUA. O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas - que ajuda a combater a insegurança alimentar global - compra cerca de metade do seu trigo à Ucrânia todos os anos e alertou para consequências terríveis se os portos ucranianos não forem abertos.

Os navios graneleiros russos têm capacidade para 30.000 toneladas métricas de cereais

Os navios têm capacidade para 30 mil toneladas métricas e, no início deste mês, o Ministério da Defesa da Ucrânia estimou que cerca de 400 mil toneladas foram roubadas e retiradas da Ucrânia desde a invasão da Rússia.

Mykola Solsky, o ministro da Política Agrícola e Alimentar da Ucrânia, disse que ele é "enviado de forma organizada na direção da Crimeia. Este é um grande negócio que é supervisionado por pessoas ao mais alto nível".

A Rússia anexou a Crimeia em 2014, levando consigo o controlo do principal porto do Mar Negro, Sebastopol. Desde o lançamento de uma nova invasão em fevereiro, a Rússia privou a Ucrânia do acesso a dois portos importantes: ao capturar Mariupol, no Mar de Azov, e ao atacar e bloquear Odessa, também no Mar Negro. A incapacidade da Ucrânia de exportar a partir desses portos não está apenas a afetar os níveis de alimentos em todo o mundo, mas também a ter um impacto devastador na economia do país.

Há uma estimativa de 22 milhões de toneladas de cereais em silos ucranianos, disse o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, na semana passada.

"A Federação Russa alega falsamente que as sanções da comunidade internacional são culpadas pelo agravamento da crise alimentar global. As sanções não estão a bloquear os portos do Mar Negro, prendendo navios cheios de comida e destruindo estradas e ferrovias ucranianas", disse Blinken. "A Rússia é [que é culpada]."

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, qualificou anteriormente as alegações de que a Rússia estava a roubar cereais ao seu vizinho como sendo "notícias falsas", de acordo com a agência de notícias estatal russa TASS, e outras agências de notícias.

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