Como a Ucrânia utiliza motas elétricas (feitas de cigarros eletrónicos) para travar o exército russo

26 mai, 20:07
Motas elétricas ajudam soldados ucranianos a combater o exército russo

Estes veículos são descritos pelos militares como o instrumento perfeito para missões de reconhecimento por serem pequenas, leves, rápidas e, acima de tudo, muito silenciosas

A capacidade de saber onde está o inimigo e de o surpreender é um dos aspetos mais importantes que um exército moderno pode ter. Três meses depois do início da invasão russa, as forças armadas ucranianas receberam uma máquina que pode vir a garantir o tão desejado “elemento surpresa”: uma moto elétrica produzida no próprio país, com baterias feitas com os restos de cigarros eletrónicos.

Os soldados ucranianos já estão a utilizar estas motas elétricas fabricadas pela empresa Eleek. São descritas pelos militares como o instrumento perfeito para missões de reconhecimento por serem pequenas, leves, rápidas e, acima de tudo, muito silenciosas. Mas a sua versatilidade também é uma mais-valia e algumas unidades que as receberam utilizam-nas para entregar medicamentos na frente de batalha ou em ações de desminagem.

Também há comandantes ucranianos a defender que estes veículos sejam utilizados pelos seus atiradores furtivos, que precisam de movimentar-se rapidamente, em silêncio, alternando de posição a cada cinco minutos, antes que as tropas inimigas identifiquem as suas posições. Além disso, o facto de não ser uma mota com um motor de combustão interna, faz com que sejam perfeitas para não serem detetadas pelas câmaras térmicas dos drones russos.

A empresa ucraniana Eleek começou por oferecer alguns exemplares ao exército quando a guerra começou, mas quando a sua utilidade ficou comprovada o fabricante decidiu partir para a produção em série.

“Quando a guerra começou, todos ficámos em choque. Toda a gente estava preocupada e pensámos no que poderíamos fazer e acabámos por nos juntar”, disse Roman Kulchytskyi em declarações ao Washington Post.  

Os primeiros exemplares foram mesmo fabricados no interior de um bunker, onde criaram uma bateria com baterias de lítio que ainda estavam em stock. Quando estas acabaram, recorreram a uma campanha nas redes sociais para recolher cigarros eletrónicos utilizados para conseguir os componentes que faltavam.

O produto final é uma máquina de cor verde militar que atinge os 88 quilómetros por hora, com uma autonomia de 150 quilómetros. A versão entregue ao exército não tem espelhos retrovisores, nem piscas, por serem considerados desnecessários para as funções que vão desempenhar.

Agora a empresa está focada em melhorar algumas das características da moto, como o tempo de carregamento, que atualmente demora cinco horas, e instalar um sistema de controlo de bateria, com uma saída de 220V que permita aos soldados carregar os seus dispositivos ou até mesmo dar energia aos terminais de internet por satélite da Starlink, oferecidos por Elon Musk.

Nas redes sociais multiplicam-se imagens de soldados a utilizar estes veículos para várias funções, incluindo para transportar armas antitanque para a frente de combate.

A Ucrânia não é, no entanto, o primeiro país a utilizar motas elétricas no exército. Também a Noruega já testou estas máquinas na função de patrulha do território fronteiriço com a Rússia, mas atualmente suspendeu o projeto por problemas de manutenção.

As forças armadas neozelandesas encontram-se também a testar estes veículos para tarefas de reconhecimento e vigilância. O mesmo acontece com o exército australiano, que está a experimentar estes equipamentos em várias tarefas militares.

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