"Top gun da artilharia". Ucrânia já usa a arma mais potente enviada pelo Ocidente

24 mai, 12:09
Soldados espanhóis disparam Howitzer M777 em exercícios com os Estados Unidos (Lennart Preiss/Getty Images)

Howitzer M777 foram enviados pelos Estados Unidos, que acreditam que a arma pode mudar o rumo da guerra

Os Estados Unidos enviaram para a Ucrânia 90 armas do tipo Howitzer M777, um obus (uma espécie de canhão) para disparar projéteis. O envio deste armamento já tinha sido oficializado há algum tempo, mas ainda não havia certezas de que o exército ucraniano estivesse a utilizá-lo. Agora, numa reportagem do The New York Times no Este da Ucrânia, jornalistas confirmaram que as armas estão mesmo no cenário de guerra.

Trata-se de um passo importante, uma vez que, segundo a mesma publicação, se trata da arma mais potente fornecida pelo Ocidente à Ucrânia. É a que tem maior alcance, é mais rápida e mais fácil de esconder do que as outras armas do género.

O major-general Agostinho Costa explica à CNN Portugal que se trata da "top gun da artilharia", a "melhor arma", no fundo. No entanto, o militar fala num "pormaior", dizendo que é necessário perceber em que condições foram entregues as armas.

"O que faz a diferença do M777 são os extras, não é apenas o tubo. É a mesma coisa que comprar um carro topo de gama e não lhe colocar os eletrónicos", afirma, apontando que podem faltar instrumentos diferenciadores como o sistema digital, nomeadamente o GPS, que ajuda a direcionar as munições disparadas.

Soldados norte-americanos movem um Howitzer M777 no Afeganistão (AP)

Agostinho Costa compreende, caso se confirme que os Estados Unidos não enviaram todo o sistema, sublinhando que poderia ser perigoso caso esse tipo de armamento, altamente equipado, caísse nas mãos dos russos.

Mais confiantes estão os ucranianos. “Esta arma deixa-nos mais perto da vitória”, afirma o coronel Roman Kachur, em declarações ao The New York Times. O comandante da 55.ª brigada de artilharia do exército ucraniano comanda a primeira unidade a utilizar esta arma, mas, ao estilo do que tem sido feito, apela a que a ajuda continue: “Com todas as armas modernas, armas precisas, ficamos mais perto da vitória.”

Agostinho Costa é mais cauteloso, referindo não querer entrar "nem no otimismo, nem no pessimismo", apontando para a necessidade de se esperarem duas semanas para que se comecem a perceber os reais efeitos destas armas.

"Vamos ter de esperar, primeiro para perceber se o sistema digital está no campo de batalha, e depois para perceber quais os verdadeiros efeitos", acrescenta, lembrando que também existem diferentes munições que podem ser utilizadas nestas armas.

No entanto, apesar de terem sido enviados 90 Howitzers, apenas cerca de 12 estão a ser utilizados. Um dos problemas é que poucos são os ucranianos que sabem operar esta arma com precisão, até porque se trata de uma arma rara na esmagadora maioria dos exércitos: além dos Estados Unidos, que a estrearam na guerra do Afeganistão em 2005, apenas Austrália e Canadá a têm.

Soldados norte-americanos utilizam um Howitzer M777 no Afeganistão (David Goldman/AP)

A questão do treino é mesmo uma das mais importantes. As tropas norte-americanas já ensinaram 200 soldados ucranianos a operarem as armas, em cursos realizados durante seis dias em bases na Alemanha. Esse grupo foi depois dividido ao meio, com 100 deles enviados para a frente de batalha, e os outros 100 ficando responsáveis por treinar mais soldados. Os especialistas indicam que pode levar semanas até que as 90 armas possam estar todas operacionais.

No vídeo abaixo o exército dos Estados Unidos mostra soldados a operarem o Howitzer M777.

Dissimuladas em arbustos do cenário de guerra, estas armas já dispararam quase dois mil projéteis, de acordo com as autoridades ucranianas, o que terá servido para destruir veículos russos, mas também para matar alguns soldados inimigos.

Soldados norte-americanos limpam um Howitzer M777 no Afeganistão (Liu Jin/Getty Images)

O grande objetivo é, precisamente, atingir infraestruturas militares da Rússia, diminuindo as forças instaladas pela destruição de equipamento militar e de postos de comando, refere o coronel Kachur. Mas a arma também pode ter um caráter defensivo, e o 55.º batalhão de artilharia da Ucrânia garante que isso já aconteceu: Howitzer foram utilizados para desmantelar bombardeamentos russos.

A batalha dos Howitzers

Quem também confirma a utilização de Howitzers M777 por parte da Ucrânia é a Rússia, mas com o intuito de desacreditar a utilização daquela arma como algo decisivo.

De acordo com o Ministério da Defesa da Rússia, armas do tipo Giatsint-S, conhecido como o Howitzer desenvolvido pela União Soviética, estão a destruir o poder militar e infraestruturas do exército ucraniano, incluindo as armas enviadas pelos norte-americanos.

“No processo de alcançar os seus objetivos, um conjunto de sistemas Giatsint-S eliminou uma unidade de Howitzers M777 feitos pelos Estados Unidos”, pode ler-se num comunicado do governo, que é citado pela agência estatal TASS.

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