Israel e Hamas cometeram crimes de guerra, conclui a ONU

CNN Portugal , MJC
12 jun, 08:52
Faixa de Gaza (AP)

Comissão de Inquérito da ONU, composta por três peritos independentes, fala de ataques intencionais a civis, "tortura" e "tratamento desumano ou cruel" em ambos os lados da guerra

Uma investigação independente da ONU concluiu que, desde 7 de outubro do ano ano passado, Israel cometeu crimes contra a humanidade durante a guerra em Gaza, incluindo o crime de "extermínio". Também culpou o Hamas por cometer crimes de guerra nas fases iniciais da guerra em Gaza.

"Os crimes contra a humanidade de extermínio; assassinato; perseguição de género dirigida a homens e rapazes palestinianos; transferência forçada; e tortura e tratamento desumano e cruel foram cometidos", disse a Comissão de Inquérito sobre a atuação de Israel num relatório, que será apresentado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU na próxima semana. O relatório aponta ainda como crimes de Israel "a fome como método de guerra"; "dirigir intencionalmente ataques contra civis e bens civis"; "violência sexual; ultrajes à dignidade pessoal" e diz que "Israel infligiu punição coletiva à população palestina em Gaza".

Por outro lado, a Comissão acusa o Hamas de "dirigir ataques intencionalmente contra civis" e de cometer "assassinatos ou homicídios". Também acusa o Hamas de "tortura, tratamento desumano ou cruel" e de "disparar projéteis indiscriminadamente contra áreas povoadas de Israel". O Hamas também foi acusado de "crime de guerra de ultraje à dignidade pessoal", registando-se durante o ataque de 7 de Outubro "a profanação de cadáveres por queima, mutilação e decapitação", “a "profanação sexualizada de cadáveres masculinos e femininos" e "violência sexual".

As conclusões provêm de dois relatórios paralelos, um centrado nos ataques do Hamas de 7 de Outubro e outro na resposta militar de Israel, publicados pela Comissão de Inquérito da ONU (COI) liderada por Navi Pillay.

"Para os israelitas, o ataque de 7 de Outubro foi uma escalada sem precedentes na sua história moderna, quando num único dia centenas de pessoas foram mortas e raptadas, invocando o trauma doloroso da perseguição passada, não só para os judeus israelitas, mas para o povo judeu em todo o mundo", afirma a Comissão. "Para os palestinianos, a operação militar e o ataque de Israel em Gaza foram os mais longos, maiores e mais sangrentos desde 1948. Causou imensos danos e perdas de vidas e desencadeou em muitos palestinianos memórias traumáticas da Nakba e de outras incursões israelitas".

A Reuters informa que as conclusões serão discutidas pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra na próxima semana. A  COI, criada em maio de 2021 pelo Conselho dos Direitos Humanos, é composta por três peritos independentes.

A missão diplomática de Israel junto da ONU em Genebra já rejeitou as conclusões. Meirav Eilon Shahar, embaixadora de Israel na ONU em Genebra, disse: "A COI provou mais uma vez que as suas ações estão todas ao serviço de uma agenda política contra Israel". Israel não coopera com a comissão, que acusa de ter um preconceito anti-Israel. A COI afirma que Israel obstrui o seu trabalho e impede que os investigadores tenham acesso tanto a Israel como ao território palestiniano ocupado.

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