Ataque a escola em Gaza faz pelo menos 45 mortos, Israel diz que havia até 30 terroristas do Hamas lá dentro

CNN Portugal , MJC
6 jun, 12:55

Ataque aconteceu durante a madrugada. A escola, gerida pela agência da ONU para os refugiados palestinianos, albergava pessoas deslocadas do campo de Nuseirat

Pelo menos 45 pessoas morreram num ataque aéreo à escola al-Sardi, gerida pela agência da ONU para os refugiados palestinianos (UNRWA), no centro de Gaza, disse um porta-voz do Ministério da Saúde de Gaza à CNN Internacional. De acordo com o Hamas, entre os mortos há 14 crianças. O ataque provocou ainda mais de 70 feridos. A escola alojava pessoas deslocadas do campo de refugiados de Nuseirat, informou o gabinete de comunicação social do governo de Gaza.

Os militares israelistas confirmaram que realizaram o ataque aéreo, que tinha como alvo um complexo do Hamas que operava dentro da escola. As Forças de Defesa de Israel (FDI) estimam que entre 20 e 30 terroristas do Hamas e da Jihad Islâmica estavam escondidos  em três salas de aula, separadas de uma área onde os civis estavam abrigados. O ataque foi adiado duas vezes porque os militares ajustaram o plano para evitar danos aos civis, dizem os militares, citados pelo Times of Israel.

"Estávamos dentro da escola e de repente fomos bombardeados. Este edifício albergava famílias e jovens e o bombardeamento ocorreu sem aviso prévio", contou Anas al-Dahouk à Al-Jazeera.

Outro homem, Naim al-Dadah, disse que o ataque é "o resultado do terrorismo do Estado de Israel… não há terrorismo exceto Israel, todas as instituições e linhas vermelhas foram cruzadas por Israel em Gaza”. Explicou que foi deslocado da Cidade de Gaza, no norte da Faixa, para Khan Younis e depois para Rafah, no extremo sul. Onde quer que ele e a sua família fossem, disse, eram bombardeados, "e agora chegámos ao campo de Nuseirat e fomos bombardeados". "Fomos bombardeados sem aviso. De repente, os aviões israeletias atacaram a escola com dois mísseis", acrescentou.

Ayman Rashed, um homem deslocado da cidade de Gaza que estava abrigado na escola, disse que os mísseis atingiram salas de aula no segundo e terceiro andares, onde as famílias estavam abrigadas. O sobrevivente disse que ajudou a retirar cinco mortos, incluindo um idoso e duas crianças. "Estava escuro, não havia eletricidade, e tivemos dificuldade em retirar as vítimas", disse Rashed.

"Os aviões de guerra do exército (...) efetuaram um ataque preciso contra uma base do Hamas no interior de uma escola da UNRWA na região de Nusseirat" esta madrugada, declarou o exército israelita em comunicado, referindo que "vários terroristas foram mortos". "Os terroristas do Hamas e da Jihad Islâmica, pertencentes às forças de Nukhba, que participaram no ataque mortal às comunidades do sul de Israel em 7 de outubro, operavam no complexo. Os terroristas dirigiam a campanha de terror a partir da zona da escola, explorando-a e utilizando-a como abrigo", acrescentou o exército israelita. As FDI disseram que "muitas medidas foram tomadas para minimizar o risco de causar danos aos não envolvidos" antes do ataque, incluindo vigilância aérea e o uso de "inteligência adicional precisa".

"Um número considerável de mártires e de feridos continua a afluir ao hospital dos Mártires de Al-Aqsa", situado na cidade de Deir al-Balah, perto de Nusseirat, declarou o gabinete de imprensa do Hamas, acusando o exército israelita de ter cometido um "massacre horrível".

Ao início da noite, o hospital tinha comunicado a "avaria de um dos seus geradores elétricos", o que podia complicar o tratamento dos doentes vulneráveis e provocar "uma catástrofe humanitária". Antes deste ataque, o hospital já tinha recebido "pelo menos 70 mortos e mais de 300 feridos, na sua maioria mulheres e crianças, na sequência dos ataques israelitas nas zonas centrais da Faixa de Gaza”, de acordo com os Médicos Sem Fronteiras, numa mensagem escrita na rede social X (antigo Twitter).

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