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"Não atacámos, defendemo-nos": Putin volta a dizer que a Rússia não começou a guerra da Ucrânia

5 jun, 20:21
Presidente da Rússia, Vladimir Putin (AP)

A situação no campo de batalha foi também abordada pelo presidente russo durante um evento em São Petersburgo. Putin afirmou que as perdas russas “são várias vezes menores” que as da Ucrânia e que Kiev perde 50 mil soldados por mês

O presidente russo Vladimir Putin voltou esta quarta-feira a afirmar que não foi a Rússia quem começou a guerra na Ucrânia.

As palavras do líder do Kremlin foram proferidas durante um evento com os editores das agências de notícias internacionais no Fórum Económico Internacional de São Petersburgo (SPIEF).

"Todos acreditam que a Rússia iniciou a guerra na Ucrânia, mas ninguém, quero sublinhar isto, ninguém no Ocidente, na Europa, quer lembrar como esta tragédia começou com um golpe de estado na Ucrânia (Euromaidan), um golpe de estado inconstitucional. É este o início da guerra", disse Putin, citado pela RIA Novosti.

"Não atacámos, defendemo-nos, para que fique claro para todos. (…) O primeiro passo foi dado por aqueles que encorajaram o golpe de Estado sangrento e inconstitucional", acrescentou. Putin referiu também que Kiev esteve oito anos a atacar civis no Donbass, região do leste da Ucrânia que a Rússia considera com sua.

A situação no campo de batalha foi também abordada pelo presidente russo, que afirmou que as perdas russas “são várias vezes menores” que as da Ucrânia.

"A Ucrânia perde cerca de 50 mil homens por mês, tanto mortos como feridos", disse o presidente russo, que refere esta estimativa "muito conservadora".

De seguida, Putin adiantou dados sobre prisioneiros de guerra, que naturalmente ainda não foram certificados por fontes independentes. O presidente russo afirma que Moscovo tem neste momento 6.465 prisioneiros de guerra ucranianos, tendo a Ucrânia capturado 1.348 soldados russos.

Ucranianos podem querer "livrar-se" de Zelensky

Putin considera que a mobilização decretada por Volodymyr Zelensky não vai resolver nenhum dos problemas enfrentados por Kiev.

"O que está a ser feito agora, esta mobilização total, não resolve o problema (…) porque toda esta mobilização apenas cobre as perdas, tudo serve para compensar as perdas", vaticinou o líder russo, que refere também que “há poucos ucranianos dispostos a lutar” e alega que há ucranianos a ser “apanhados” nas ruas para ir combater na linha da frente.

“Se falarmos de perdas irrecuperáveis, o rácio também é de um para cerca de cinco... É a isto que se deve a tentativa de mobilização total na Ucrânia, porque as perdas no campo de batalha são muito elevadas”.

Vladimir Putin afirmou também que os ucranianos podem querer “livrar-se” de Volodymyr Zelensky no prazo de um ano, caso a mobilização seja estendida até aos 18 anos, algo que diz ser a intenção dos EUA.

O fornecimento de armas ocidentais à Ucrânia é considerado um “passo muito perigoso” para o presidente russo. "Fornecer armas a uma zona de conflito é sempre uma coisa má. Especialmente se estiver relacionado com o facto de que quem fornece, não só fornece armas, mas também gere essas armas. E este é um passo muito sério e muito perigoso".

Uma eventual resposta a este fornecimento, diz Putin, “poderá ser assimétrica”

Putin dedicou palavras à Alemanha, e disse que foi um “choque moral grande” para os russos o aparecimento de carros de combate alemães na Ucrânia, dado que a atitude dos russos em relação à Alemanha “foi sempre muito boa”.

“Agora, quando dizem que haverá mais alguns mísseis que atingirão objetos em território russo, isso, claro, destrói completamente as relações russo-alemãs".

Trump e os EUA

Instado a comentar sobre uma eventual eleição de Donald Trump para o cargo de presidente dos EUA, o chefe de Estado russo adiantou que é difícil prever se essa alteração iria trazer mudanças na abordagem americana à Ucrânia.

"É difícil dizer, não posso tirar uma conclusão definitiva se algo vai mudar ou não", disse Vladimir Putin, que disse que o processo judicial contra o ex-líder dos EUA minou a confiança dos americanos na justiça.

O governante afirmou, no entanto, que poderia haver mudanças na política americana em relação à Ucrânia "se os EUA se começassem a focar nos seus interesses nacionais".

O presidente russo garantiu ainda que o Kremlin não vai interferir no processo eleitoral americano e referiu que trabalhará com qualquer presidente norte-americano.

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