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Noruega alerta: NATO tem dois ou três anos para se preparar para uma guerra com a Rússia

3 jun, 22:39
Eirik Kristoffersen, chefe das Forças Armadas da Noruega (Lise Åserud / NTB / AFP)

Apoio à Ucrânia não deve parar, mas a Aliança Atlântica também deve olhar para dentro e renovar o seu arsenal e capacidade militar

Não são dez anos, como muitos apontaram. Nem lá perto. Na ótica do chefe das Forças Armadas da Noruega, a NATO tem algo como dois ou três anos para se preparar devidamente para uma batalha direta com a Rússia.

É a janela de tempo lançada pelo general Eirik Kristoffersen. Em entrevista à Bloomberg o responsável alerta que a Rússia demorará muito menos do que o pensado para se reconstruir ao ponto de ter capacidade de lançar um ataque convencional.

E isto mesmo num cenário em que continua o esforço de guerra na Ucrânia, até porque a indústria de defesa da Rússia tem sido alvo de um forte investimento financeiro e estratégico.

“Numa altura alguém, disse que levaria dez anos, mas eu acredito que estamos de volta a algo abaixo disso, porque a base industrial voltou a correr na Rússia”, alertou o general de 55 anos, numa entrevista a partir de Oslo.

“Vai demorar algum tempo”, admite, falando numa “janela de dois ou três anos” para que a NATO possa reconstruir as suas forças e o seu armazenamento militar – muito dele fornecido à Ucrânia ou obsoleto.

E isso é possível, garante Eirik Kristoffersen, mesmo com a continuação do apoio a Kiev, que continua a pedir mais e mais armas e mais sistemas para se poder defender.

Apesar do perigo, e a Noruega até tem uma faixa de território a fazer fronteira com a parte mais ocidental da Rússia, o chefe das Forças Armadas garante que não foram notadas alterações no comportamento do inimigo. Isso quer dizer que a Frota do Norte e as forças responsáveis pelo armamento nuclear mantiveram as mesmas operações, ao passo que as forças da península de Kola, perto de Murmansk, têm sido “dizimadas” na Ucrânia, sublinha Eirik Kristoffersen.

Apesar de até ser membro fundador da NATO e do secretário-geral da Aliança Atlântica ser norueguês, a Noruega é um dos países que ainda não cumprem com a meta de gastar 2% do PIB em defesa – Portugal é outro, numa lista em que incumprem quase metade dos países.

Eirik Kristoffersen quer ver isso a mudar, e por isso mesmo espera que o parlamento aprove um plano que prevê a duplicação do investimento nos próximos 12 anos. Isso mesmo vai permitir cumprir a meta, mas também uma melhor preparação para eventuais ameaças do “vizinho”.

“Vejo uma janela em que agora podemos atingir os requisitos da NATO, uma nova estrutura de comando, novas forças, novos planos regionais”, afirma, admitindo que o objetivo dos 2% pode ser fechado já este ano.

“Então podemos cumprir esses planos e essas decisões nos próximos anos, mas temos de acelerar. Precisamos de o fazer em dois ou três anos para ter a certeza de que estamos prontos para o que quer que possa acontecer”, acrescentou.

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